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quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Um Tanto Filoneista

Nunca tive medo do novo, do desconhecido. Sempre encarei com força as situações pelas quais nunca havia imaginado passar. Estufo o peito e “vãmbora”! E hoje, penúltimo dia de janeiro, passei por mais uma. A tal da endoscopia. Para quem não sabe, resumidamente, é um cabo de meio centímetro de espessura por um metro de comprimento que entra pela boca e vai até o estômago para vasculhar o sistema digestivo. É isso, pronto. E ele entrou...

Vontade de engolir - não podia porque o maldito cabo estava na minha boca. Queria respirar direito – também não dava. Eta vontade de chutar a parede ou apertar o power do computador da médica! Mais vontade ainda de ter evitado a maledeta endoscopia se soubesse que a precisaria fazer. O motivo? Simples assim: stress, ou estresse se preferir.

Três anos de faculdade, sete estágios, sete estresses, sete fontes de problemas. Trabalhos mil e provas a reveria – praticamente um buffet. Relações interpessoais que me fizeram crescer e amadurecer, com certeza. Porém, que vontade de ter estrangulado cada pessoa pelo pouquinho de preocupação que depositou em mim. Seria muito violento! Quem sabe um peteleco? Ou um “pedala”? Seria bem mais acessível. Eu falei três anos no começo do parágrafo? E ainda falta um! Dai-me forças Carinha do céu!

E aquele cabo saiu depois de cinco minutos de dentro das minhas entranhas. As tripas se remexiam e os intestinos pulavam de alegria e de fome. Muita fome. Também pudera, quase 15 horas sem ingerir nenhum líquido e alimento. Que alívio! Minha barriga parecia uma rave:

- “Tunti tunti tunti tun tun tun tunti!” – vibrava ela.

Depois da maledeta endoscopia tive um papo cabeça com a Dra. Márcia e ela me contou sobre alguns tipos e fases de stress. Fui atrás depois e descobri mais sobre eles: o tal de eustress (fase positiva do stress) e a fase do distress (fase negativa e minha aliada nesta caça ao tesouro). Para piorar um pouco, descobri também que a ansiedade não é só um sintoma do stress, mas que ela pode causar ainda mais stress. Que agradável!

O resultado positivo do exame deu que eu tenho uma saúde perfeita e foi um dos melhores pacientes até hoje da Dra. Márcia. Não usei nenhum sedativo para dormir enquanto realizava o exame e, de quebra, só foi diagnosticado, a priori, uma pequena gastrite – decorrente do stress. Já a segunda parte, a da coleta de dois pedacinhos do estômago só sai na sexta-feira. Então, depois eu conto como foi para vocês refletirem e regrarem um pouco mais suas vidas.

Um dos pontos positivos da ida ao médico, certamente, foram as conversas que tive também na sala de espera. Após uma situação inusitada de um outro paciente, irritado e fora de si quando sua irmã disse que esquecera o resultado dos exames dele e ambos saíram da sala, conheci uma pessoa. Sim, uma pessoa a qual eu fui muito mal educado e não perguntei o seu nome. Conversei durante uns 30 minutos ante-exame e pós-exame. Ela era doutora. Mas não na medicina. Doutora das letras. Um professora de inglês, de Cachoeirinha, atualmente morando na Praia do Cassino. Um anjo que me fez repousar e me acalmar até fazer o exame e deu boas risadas comigo depois dele. Ela estava de branco, da cabeça aos pés. Até seu carro era branco! Só faltaram as asas, porque seu sorriso me acalmou como uma anestesia, uma forte e boa dose de xilocaína. É por esses bons motivos que continuo sendo filoneista, adepto, crente às novas situações e aos novos desafios. E por mais que as coisas novas me atinjam, algum bom anjo sempre vai me salvar da dor e das possíveis lágrimas. Ela, com certeza, foi a minha luz na manhã de hoje.


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