Fui ao cinema assistir “Vestida Para Casar”, uma comédia “meia-boca”, iguais às outras, nada de muito diferente. A protagonista Jane (Katherine Heigl), quando menina, ajuda uma noiva a arrumar o seu vestido rasgado minutos antes de caminhar no corredor da esperança. Com o laço da irmã menor refaz a barra do vestido da noiva e salva o casamento. A partir dali, tudo mudaria na vida daquela menina, que se apaixonaria ali por casamentos. Casamentos esses que seriam programações mais que constantes na sua vida até o esperado dia de seu casamento.A verdade é simples: toda mulher que casar. Primeiro achar um homem que a faça sorrir, que a faça bem durantes uns anos, talvez três ou quatro. Depois desses anos, esperam que os homens lhes peçam em casamento, noivando mais por um ou dois anos e depois se casam, saem da casa de suas famílias, alugam um apartamento enquanto constroem uma confortável casa e começam a constituir família. Um garotão, outra garotinha e mais casal de gêmeos. Gêmeos? Sim, as coisas nem sempre são como nós planejamos. E por essas exceções ao plano, é que muitos casamentos acabam por ai.
Durante todo o caminho percorrido da porta da igreja até o altar, a noiva deveria olhar focando o noivo, o seu destino final naquele corredor de tapetes vermelhos com bancos ornamentados com arranjos de flores das mais variadas cores. Seriam as cores das flores o motivo de distração da noiva? Nada disso. As noivas, por mais emocionadas que estejam, sabem o que lhes espera ao lado do padre no altar da igreja. Elas desviam o olhar, tentando evitar a emoção, segurando o choro para não estragar a maquiagem. Coisas de mulher que nós, homens, não entendemos, mas aceitamos com o maior grado possível.
Nós, homens instintivos, fazemos diferentes. Chegamos uma hora antes da noiva na igreja. Cumprimentamos as tias velhinhas que se locomovem de suas confortáveis poltronas, em pleno sábado, dia crucial para o desfecho de alguns suspenses das novelas globais. Que bonitinhas elas, não? Além de adorarem uma festa, ainda vão para lá lembrar os seus momentos na caminhada do corredor da esperança – esperança sim, porque todas sempre esperam o melhor depois dos “sim” ditos e reforçados por ambas as partes.
Já o resto das pessoas vai aos casamentos por educação, muita educação. Porque alguns até ateus, acabam indo. É uma questão de superação, nem educação é isso. Outros vão porque torna-se obrigação pela amizade com o noivo ou com a noiva. Sem contar naqueles que vão ao casamento para garantir uma jantinha caprichada e de graça. De graça! Pelos céus, quanta cara de pau! Assim como também acontece nos aniversários de criancinhas e menininhas de 15 anos. Sempre há aqueles que vão para tirar proveito da situação, gozar dos anfitriões com aqueles sorrisinhos forçados, de canto de boca, torcidos. De presente? Uma dúzia de prendedores. Quanta importância!
Importância mesmo é a noiva quem dá a tudo isso. São mais de três horas no cabeleireiro fazendo o melhor penteado, as unhas dos pés e das mãos, sem contar nas horas gastadas no esteticista, limpeza de pele, massagens no corpo. Quanta preparação! Isso sim é dar importância, é investir tudo para que à noite, quando o “sim” for dito, uma nova vida comece com a melhor das esperanças. Esperanças carregadas no corredor de tapete vermelho ladeado por bancos enfeitados com pessoas inclinadas acompanhando não só a noiva, não só aquela mulher de coração aberto, mas também suas esperanças de um futuro feliz e completo ao lado de seu homem, o príncipe sem o cavalo branco. Sem o cavalo branco porque, hoje em dia, nenhuma mais espera o homem perfeito e sim homens que as respeitem e lhes dêem atenção, as chamando de lindas e não de gostosas.
Eu, quando casar, vou ter o maior gosto de chegar horas antes na igreja e cumprimentar cada uma das tias velhinhas. Você deve estar pensando: “Mas ele é um homem como qualquer outro!”. Respondo: “Sou um homem como qualquer outro homem, mas tenho o poder de decidir agir como os outros ou ser a exceção”. Tenho planos, metas e nem sempre as cumpro até o final já que no meio do caminho há desvios e novas submetas. Decisão é a palavra de ordem.
Assim como a protagonista do filme, também sou apaixonado por casamentos. Nunca arrumei um vestido, bem pelo contrário, nunca toquei num vestido de casamento de noiva. Tenho orgulho das histórias de minhas avós e avôs sobre união entre duas pessoas que se amaram, assim também como meus pais. Quero seguir esse exemplo, constituir uma família e criar novos frutos desse amor. Eu, quando casar, mesmo não sendo a noiva, vou perder horas e horas com muito gosto, porque sei que do outro lado, há alguém que irá fazer de tudo para ficar linda para a nossa noite. A única coisa é que eu não vou abrir mão, é fazer a barba para poder ficar me olhando no espelho e tentando enxergar a figura de um Marcos marido, de um Marcos pai. E essa sensação é que vai ser a minha decisão, a minha melhor ordem para a minha vida conjugal. Uma vida feliz.
Segunda-feira tranqüila. Nada de filmes da Rede Globo, mas um ataque às locadoras para ver os últimos lançamentos. Um ataque de balde! Pretendia. Frustrei-me. Cheguei tarde, culpa minha. Poucos filmes. Olhei, selecionei, li sinopses e nada que me agradasse. Filmes de terror em quantidade – já assisti a praticamente todos. Poucos de ação, fracos, apenas "Missão Impossível III" com seus efeitos mirabolantes. Apenas um filme nacional: "Zuzu Angel", dirigido por Sérgio Rezende. Para quem não conhece, recomendo. Nada de mais, nem de menos. Repleto de ditadura. Conta a história da famosa estilista dos anos 60 e de seu filho envolvido com movimentos estudantis. Relutei revê-lo. Parti para a última prateleira, praticamente vazia - afinal, segunda-feira só tem resto nas prateleiras. No canto inferior direito, ao lado de “Todo Mundo em Pânico 4”, li o título “Scoop – Um Grande Furo”. Na hora me veio: "- Tem dedo do Woody Allen aí." Dito e feito. Fui ler a sinopse – pequena e de certo modo instigante propositalmente para alugar o filme: “Nesta nova comédia contemporânea de Woody Allen, uma estudante de Jornalismo (Scarlett Johansson) visita amigos em Londres em busca do furo de reportagem, ela se depara com mágica, assassinato, mistério – o talvez amor, com um aristocrata britânico (Hugh Jackman).” Aqui está corrigida a reprodução do que diz na capa do filme, mas na prática, uma capa porca, cheia de erros de digitação e diagramação. Feia. Eu sou detalhista, assumo. Certamente cometo alguns erros de português e gafes neste blog, mas espera aí: na capa de um filme? Do Woody Allen? Pulemos os detalhes, vamos para o filme...