... se conhece o ruim! Vai dizer que não? Às vezes, é muito bom se espelhar nos erros dos outros, tentar tirar uma lição sem ter vivido aquele erro. Mas sabe o que é mais valioso? É poder errar e sentir na pele o que aquele erro significa. Dizem por aí que a vida é curta, que tudo passa muito rápido que nem vemos a cor. Então eu mudei esse pensamento de que é bom se espelhar apenas nos outros quando a situação é ruim. Tomar decisões é muito importante. Se vai dar certo ou errado, só o tempo irá dizer. Frase clichê? Não... Todo o clichê tem o seu fundamento correto. "Pimenta nos olhos dos outros é refresco", já dizia a minha sábia avó. É fácil colocar a culpa, rotular os outros ou somente assistir ao que eles estão fazendo. Já viu alguém dando com a cabeça na parede? Normalmente não iríamos fazer igual, certo? Ninguém, até hoje, entrou dentro desse melão e viu o que se passava ali dentro. Eu tenho um vizinho meio destrambelhado das idéias, advogado, daqueles que escuta Sinatra, assoviando e fazendo almoço de domingo com avental de mamãe, que faz isso seguido. Normalmente vou chamar o elevador e quase nunca me deparo com ninguém pelos corredores por causa dos horários dos vizinhos serem diferentes dos meus. Porém, esses dias deu o acaso de ver esse meu vizinho chamando praticamente o elevador com a cabeça. Na hora deu vontade de rir, mas eu recuei e fiquei silêncio apenas observando o pequeno ato insano. Não eram batidinhas leves, diria, exagerando um pouco, igual a de um martelo em um prego. Totalmente bizarro. Poderia ele estar com problemas na família ou no trabalho. Acabei que deixei ele descer e não embarquei naquele elevador. Fiquei me perguntando o porquê dele estar fazendo aquilo, mas todo o caso, cada um com as suas manias! Mas, lembram do acaso? Ele realmente existe, mas tem agido seguido no 6° andar do meu edifício. Ao som de Sinatra? Eu acho que no fundo ele escuta um agitado Pink Floyd porque lá estava mais uma vez: ele, a parede, eu e meu riso contido. Parecia replay! "O cara só pode ser maluco", pensei na hora. Mas dessa vez pensei duas vezes: "Vou ou não vou? Será que dou boa noite?". Respirei fundo, apertei o interruptor da luz e para a minha surpresa ele continou por mais um momento dando as tão assombrosas batidas de cabeça na parede até que eu disse: "Boa noite, tudo bem?" - falei isso tentando fazer com que ele me cumprimentasse e parasse de fazer aquela bizarrice. Ele tomou um susto que fiquei com tanta pena do maluquinho que deu vontade de assoviar um "New York, New York" para ele voltar ao normal. Acha que ele me respondeu alguma coisa depois de cumprimentá-lo? Não sei se foi vergonha ou medo, mas o elevador chegou, eu abri a porta, ele entrou primeiro, apertou o térreo e não disse nenhuma palavra. Saí primeiro esperando que ele saísse também. A porta se fechou e ele ficou lá dentro, talvez olhando a temperatura ou vendo as horas. A seta de subir não se acendeu e lá ficou ele parado dentro do elevador por alguns minutos. Fiquei apenas observando a uns oito passos da porta. Fiz sinal de silêncio para o porteiro, que ficou me olhando sem entender nada e foi se aproximando vagarosamente até onde eu estava para ver o que estava acontecendo. Fomos avançando aos poucos, em silêncio, pé por pé. Respiramos fundo e avançamos a cabeça em direção ao vidro da porta do elevador. Lá estava o vizinho de cabeça baixa com uma folha nas mãos. Talvez uma petição ou um contrato. Mas eu acredito que seja alguma letra de Sinatra como "My Way", "I've loved, I've laughed, and cried. I've had my fails, my share of losing. And now, as tears subside (...)". Lágrimas descendo, que triste... Ele permaneceu intacto lá dentro. De repente, o elevador subiu. Lá se foi ele em direção a algum andar e eu segui para o trabalho, não entendendo nada, mas nunca esquecendo do que minha vó dizia.
quinta-feira, 19 de julho de 2007
quinta-feira, 5 de julho de 2007
Rotina...
Segundo o dicionário Silveira Bueno: ROTINA - "s.f. Caminho já trilhado e sabido; costume; hábito; prática constante; uso geral; (Inform.) seqüência fixa de instruções e operações (programa ou trecho de programa) ligado a um objetivo específico: salvamento de arquivo, abertura de arquivo, impressão, edição de dados, etc". Até o Bueno diz o "etc" no final porque não entende, não sabe sinôninos ou significados melhores para essa palavra. Presente em nossas vidas 24h de cabo a rabo, acaba sempre complicando coisas simples, "coisas óbvias até para uma criança", assim como diz Nando Reis em "Por Onde Andei?". Aproveitando essa música é fácil perceber o quanto a rotina é causadora de pequenos problemas, "a vida é coisa mesmo muito frágil, uma bobagem uma irrelevância" já diz o ex-titã nesse verso. Tem horas que dá vontade de sumir, largar trabalho, faculdade, obrigações e ir para bem longe. Fazer uma viagem para a Ilha do Nunca, ao menos lá, se for de acordo com o nome, as coisas nunca acontecem. O tempo não deve andar, as horas não devem passar e todo mundo deve viver que nem bahiano em rede de balanço depois do almoço, olhando para o mar, paradinho, sem onda nenhuma. Confesso que essa vida moderna é muito boa, essa correria de releases, coletivas, câmeras, mas em pleno julho? Bem que dá vontade de dar essa escapada, afinal, um guri merece umas férias, boas férias em paz, numa boa. E como não tem escapatória, eu fico só na utopia, pensando em viajar e produzindo matérias nessa redação. Já que eu não posso fugir dessa rotina, eu vou voltar para o trabalho e tentar fugir desses leads certinhos, metidos à besta. De volta ao word...
segunda-feira, 2 de julho de 2007
Responsabilidade...
Hoje foi dia de tirar sangue. Dor? Tem coisa que dói muito mais do que tirar sangue. Mas isso nem foi nada, pior é ver esse caça ou não caça do Renan Calheiros. Que coisa bem chata! Pauta? Tudo bem que isso é importante, mas já saturou ficar escutando isso. Quem sabe abordar outro assunto mais palpável? É, as mídias tem o seu valor! Positivo ou negativo? Cabe você decidir, eu faço a minha parte para deixar tudo numa boa... Voltando ao sangue de hoje... nem doeu! Se eu fosse parar e pensar quantas vezes eu já fraturei algum osso (o que dói bem mais) nestes 20 anos... Braço, perna, tornozelo e até nariz! E olha que eu nunca fiz boxe ou jiu-jitsu! Um dia eu pensei em cursar Educação Física, imagina eu dando aula? Ainda bem que virei jornalista! Outra coisa que senti hoje, bem além da dor foi a sensação de assumir um compromisso muito importante e responder por uma representação de futebol. Eu, ali, do outro lado das câmeras, sendo bombardeado de perguntas e questionamentos. Cool! No fear! Yes courage! Valeu a pena, uma sensação diferente para quem sempre esteve do outro lado, com um microfone, câmera, caneta ou o velho bloquinho de notas nas mãos. É bom deixar de ser guri, difícil é perceber como ou quando isso acontece. Eu ainda procuro uma resposta cabível para essas questões. Ainda não sei ao certo mas acredito numa só palavra que resume essas mudanças: responsabilidade.
Mereço um descanso!
Até mais!
domingo, 24 de junho de 2007
Vida de guri...
Morar sozinho nunca foi um desejo pra mim. Mas a idade vai chegando, novos desafios aparecendo, a maturidade chegando mais rápida que carro de fórmula 1, penúltimo ano de faculdade... Faculdade? Essa passou voando! Parecia ontem que eu mais um bando de outros jornalistas e publicitários dançávamos "Se você é jovem ainda", velha cantiga do Chaves, pelas escadas do Campus II da UCPel sem ter nenhuma vergonha do que os outros iriam pensar de ver uma meia-dúzias de futuros comunicadores pulando e fazendo gracinhas. Três anos já se passaram! Dois anos indo e voltando de Rio Grande para ir à aula aqui em Pelotas. Neste terceiro ano, a obrigação de ser mais responsável e crescer mais ainda veio com tudo. Mudar ou não para Pelotas? Eis a questão! A questão foi resolvida em menos de uma semana, bem do meio jeito: "se é isso, vai ter que ser isso". Larguei a minha última semana de férias na Praia do Cassino, deixei de lado o sol daquela praia e vim procurar um apartamento que me abrigasse durante esse novo desafio. Vistos cinco apartamentos, o primeiro deles foi o escolhido, já sabia porque quando eu bati os olhos, foi paixão de primeira. Em três dias eu já estava em Pelotas, dormindo no meu apartamento... Que sensação boa de dizer MEU! Não é nem pela questão da posse, mas pelo poder de ser responsável totalmente por ele. Por ter que cuidar, lavar, limpar dele, enfim. Foi bom ter deixado a minha última semana de férias para tornar real esse desafio. Hoje, eu posso dormir até tarde, fazer o meu almoço a hora que eu quiser, escutar música alta sem ter ninguém que me mande baixar o som... mas só porque já estou de férias, porque se fosse durante as aulas, a "vida de guri" estaria ainda nos conformes: indo às aulas, estagiando, trabalhando, limpando a casa, fazendo comida e dormindo mais ou menos na hora certa! Palavra de guri!
Visite também o "Usina de Palavras", vale a pena a leitura!
Hoje às 18h10 tem clássico Gre-nal! Na boa, que seja um jogo marcado pela garra e pela paz! E com mais uma vitória colorada! Um vídeo pra entrar no climar do jogo...
Boa semana!
Visite também o "Usina de Palavras", vale a pena a leitura!
Hoje às 18h10 tem clássico Gre-nal! Na boa, que seja um jogo marcado pela garra e pela paz! E com mais uma vitória colorada! Um vídeo pra entrar no climar do jogo...
Boa semana!
sexta-feira, 22 de junho de 2007
E recomeça o blog...
Férias de inverno! Isso seria um bom motivo para retornar o blog? Acho que sim, ainda mais hoje, numa sexta-feira que fez 31°C em pleno 1° dia de inverno. "Palavra de guri" volta a ser publicado da mesma maneira que há três anos atrás: meio torto, meio desengonçado. Palavras perdidas, situações vividas, análises de um futuro jornalista: teimoso, ainda de bom coração e, sobretudo, colorado fanático! Já fiquem sabendo que este espaço vai continuar sendo um centro de opiniões, piadinhas, reflexões, músicas e muitos devaneios... Uma pura malutagem! :-D
É, e eu continuo gostando de blog, assim como todo guri ainda gosta de colecionar um álbum de figurinhas do Campeonato Brasileiro ou da Copa do Mundo... Saudoso Romário daquela Copa de 94!
Até breve...
... porque hoje eu mereço uma boa cama de "presente de férias"! :-)
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