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domingo, 10 de outubro de 2010

3 a 3


Dia desses me perguntaram se eu tinha muitos amigos. Parei um pouco e respondi:

- Tenho poucos e bons... muito bons!

A pessoa me olhou e comentou:

- Mas e todas as pessoas que tens no teu Orkut?

- São também minhas amigas, mas não sabem o quanto de mim é Marcos, o quanto é Marquinhos. São pessoas que me conheceram em diferentes fases, em diferentes momentos. Fazem parte da minha história, mas não convivem comigo tão diretamente quanto os poucos e bons que secam minhas lágrimas e dividem momentos especiais comigo - respondi e ela ficou muda, ficando satisfeita com a resposta.

A vida nos dá muitas pessoas que iluminam o nosso caminho, que fazem ele ser mais fácil de ser percorrido. Tem vezes que algumas dessas pessoas não apenas iluminam, mas nos seguem, acreditando que, no futuro, logo em breve, seremos boas companhias. Essas mesmas pessoas não se importam se erramos. Elas levantam a nossa cabeça, nos dão a mão e nos fazem seguir em frente.

1h15 da madrugada do dia 10 de outubro de 2010. Dois dias para o Dia das Crianças e nove dias para o meu 24° aniversário. Este post não teria nada de profundidade se não fossem os meus amigos que fazem os meus dias ficarem mais iluminados, mais coloridos. Tem vezes que pareço piêgas por agradecê-los seguidamente, mas sinto necessidade. Nada melhor que poder agradar, paparicar e distribuir um pouco de amor ainda quando estamos próximos... bem próximos, e ainda em vida.

Depois de um dia feliz e na companhia de maravilhosas pessoas, gratas surpresas, um 3 a 3 tricolor e outros tantos sentimentos bons, até parece engraçado, mas os assuntos afunilaram: amigos / agradecer / pai / vida. Valeu pela companhia, Tibs! Tenho certeza que o meu pai Marco Antônio e o Tio Eduardo estão lá de cima apontando para cada um de nós da GM e seus integrantes móveis e dizendo:

- Ahhh moleeeeque! Ahhh moleeeeque!

Amo todos vocês.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Repercussão do Blog

Este não é texto para falar da marotagem do Joãozinho ou da maluquice da Joaninha. Ele é apenas uma forma de agrecimento pela visita de todos vocês, aqui, no "Palavra de Guri". Ao longo desses dois meses de atualizações diárias com histórias, contos ou crônicas, vocês também acabaram fazendo parte da repercussão - positiva, diga-se de passagem - deste blog nos corredores da faculdade, nos papos de elevador e também na mídia local e até internacional via Twitter e Orkut no restante da grande rede.

O blog foi até hoje atualizado diariamente com textos comentados ou não-comentados por vocês, meus leitores. Até o momento (23h54), o Palavra de Guri recebeu 1705 visitantes - o que dá uma média de 30 pessoas visitando o blog diariamente, com picos de 112 visitas e máximo de 18 comentários em um mesmo texto que é o caso do texto "Guarda-Roupas". Todos os escritores gostam de receber comentários, bons ou ruins, mas no fundo, eu, mesmo gostando do feedback de vocês, o número de visitas comprova que este blog tem uma boa audiência o que me incentiva a escrever cada vez mais.

O Palavra não é nenhum fantástico Kibe Loco, mas através das histórias, tenta fazer os leitores darem algumas risadas e também colocarem a mão na consciência. A repercussão dessas histórias não somente ma mídia, mas em outros lugares, eu posso começar a gravar para demonstrar o sucesso que este blog faz. É comprovado e tenho provas! E tudo isso sem nenhuma divulgação além do Twitter, onde faço pequenas propagandas de no máximo 140 caracteres para avisar aos meus "seguidores", ao menos de lá, de alguma atualização do blog.

Hoje, dia 1° de abril de 2008, dia nacional dos bobos. E eu que não sou bobo nem nada, aproveito para divulgar essa repercussão das mídias locais em relação ao Palavra de Guri. Confira logo abaixo:

Entrevista ao Programa Giro da Notícia, de 01/04/08, da Rádio Universidade (AM 1160), feita pelo repórter Max Cirne.



Palavra de Guri no "Blogando" do caderno "Se Pá" do Diário Popular de hoje, 01/04/08, sendo citado pela repórter Aline Reinhardt.


É por essas e por outras que o Palavra de Guri continuará sendo produzido com o mesmo prazer de sempre. Ou como diria o "Toninho", sendo feito com Tesão. Sim, com um "T" maiúsculo! E agora, como vocês acabam de saber, alguns dos textos daqui serão parte do meu 1° livro. Portanto, não sumam daqui! Conto com vocês! :-)

E mais uma vez: muito obrigado!

sábado, 15 de março de 2008

Time de Palavras

As palavras são explicativas e contraditórias, simultaneamente. Há pessoas que as compreendem apenas grafadas; outras não são boas em leituras, tampouco lêem, porém sabem sentir e saber passar os significados, já outras pessoas compreendem e expressam os significados quase que perfeitos na hora de praticá-las – digamos quase perfeito por causa da inexistência da perfeição. Somos eternos aprendizes, o que nos torna perseverantes em querer aprender e atualizar-nos não só das palavras e significados já existentes, mas termos base para as novas palavras que ainda não conhecemos. Principalmente as abstratas, as quais aplicam e possuem maiores pesos em nossas vidas.

Uma amiga, a Lídia La-Rocca, tem um blog, o Segundo Caderno (http://segundocaderno.blogspot.com/) e passou-me a bola para eu expressar 12 palavras significativas. Uma tarefa muy dura. Tão duro quanto correr da Iemanjá até os Molhes da Barra, aqui na Praia do Cassino, contra o vento e sem direito a paradas para tomar água. As palavras me percorrem a cabeça e me deixam satisfeito; feliz, também um pouco triste. Talvez confuso. Aparecem e me confundem. Ponto final. Mas delas posso dizer que tirei e tiro muito proveito para os meus 21 anos vividos, até agora – amadureci bastante, pareço ter 28 anos. A cada dia compreendo novos significados, novas sensações que as palavras me passam. Sejam elas vindas de pessoas aleatórias, de professores, de amigos, dos livros, dos jornais, enfim.

Acordo sempre no meio da noite, na alta madrugada, com idéias mirabolantes na cabeça. Dessas idéias faço o uso das palavras que surtem durante o meu sono e que as uso normalmente nos meus textos ou a idéia delas. Não sei de onde aparecem, pois não lembro dos meus sonhos quando acordo de repente, apenas delas, delas, delas. Uma coisa é certa: as palavras nos cerceiam até durante o mais profundo sono. Não adianta fugirmos delas. Situações vividas, decisões a tomar, sonhos sem pé nem cabeça que nem o melhor dia de análise de Freud, nos áureos tempos, o fariam decifrar significados e formas concretas, tão mais as abstratas. E das abstratas, o lance, por incrível que pareça, é simples; como sempre digo: apenas tentemos achar os caminhos posteriores, as possibilidades de aplicá-las da melhor forma no dia-a-dia. Não as tente entender. Viva para entender.

Nos pensamentos que faço agora para responder ao que a Lídia me pediu começam a aparecer palavras muito significativas. São 12 palavras, um time de futebol com direito a técnico ou torcida. Vou começar a escalar a minha seleção ofensiva e polivalente no 3-4-3, lá vai: no gol escalo o arqueiro Amor segurando todas e orientando a zaga para jogar fechadinha para evitar problemas. Em seguida a zaga é composta pelo zagueirão central chamado de Vida, ladeado pelos outros companheiros e o Consciência. Mais a frente, no meio-campo, quatro jogadores, começando pelo Respeito, passando pelo Compreensão e pelo criativo Liberdade e acabando na direita com o Razão. E no ataque, três polivalentes: na ponta esquerda o Independência; na ponta direita o Aprendizado e no meio o articulado goleador Humor, mais conhecido pelos íntimos por Bom Humor. E para fechar as 12 palavras não posso esquecer da minha melhor técnica e qualificada torcida, a Famíliaessa não muda de time, nunca. Este é o Sport Club Leivas!

São palavras de guri, é claro. Palavras de um passado bem vivido e de um presente que é a base do que eu vou colher no meu amanhã. Sentimentos, ações, conceitos bem definidos. Outras palavras completariam a minha lista; o que mais me atinge é dizer que dessas todas palavras, a que mais representa para mim é a última, a minha família. Todas possuem significado importante, não adianta, mas a família é a única que não nos abandona nas horas boas e ruins. Não há quem discuta, é tão lei quanto às fases boas e ruins da vida que abordei no texto “Emoções”. Não há discussão. Se a temos, às vezes nem damos valor. Se a perdemos ou estamos longe dela, sentimos saudade – até daquela tia noveleira que sabe tudo da vida dos artistas. No grupo da palavra família entra também os amigos, os irmãos de não-sangue. Falo dos poucos e bons e não dos muitos e aleatórios. Eles também são a nossa base. A base que nos levanta e nos exalta nas conquistas e a base que nos cede o ombro nas derrotas.

Você tem palavras? Você já fez a sua lista? Pense aí. Pode colar das deste texto. Não tem problema! O plágio delas é o incentivo principal deste texto, lhe persuadir a parar e pensar e pensar para mudar. Faça o seu time, não saia de campo sem ao menos tentar a vitória. Se perder, saia de campo e treine bastante, formule novas táticas, troque jogadores e faça testes com suas palavras. Não as jogue ao vento, diga-as e dê-as um novo sentido, mesmo que elas não possuam os mesmos significados das minhas palavras ou os das pessoas que convivem com você. “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las”disse Voltaire, o francês que apelidei de “Voltaire, o multimídia” em "Vovó e Voltaire". E eu fecho com ele.





Assim como a Lídia me passou a bola de elencar 12 palavras, passo a bola para vocês leitores. Façam suas listas e coloquem nos comentários. Compartilhe-a! Também passo a bola diretamente para a Daniela e para a Gabi Zago continuarem a corrente das 12 palavras. É com vocês comentaristas e blogueiras!

segunda-feira, 3 de março de 2008

Tio João

O Tio João era um cara da noite, um cara boêmio. Não adiantava, toda hora era hora de tomar uma cervejinha, costume herdado das noitadas em de Rio Grande. Só cervejinhas, nada de whiskis. Nem chopes. Bebia, mas tinha limite, sabia a hora de parar. No porta-malas da Scénic sempre havia um isopor ou uma bolsa térmica atroada de latinhas, mais de fardos. Uns dois ou três no mínimo. Inclusive nos jogos do Tubomart. Grandes peleias!

Com o tempo, o Tio João foi se acostumando em dividir aquelas tantas cervejas com os “sobrinhos” que o adotaram como técnico de futebol e como tio postiço. O sentimento de posse foi enfraquecendo e ao final de cada jogo, além da água para renovar o fôlego dos seus atletas, lançava uma latinha de cerveja para cada um. “– Pega aí Guilherme! Segura aí Cabelo!” – surpreendia os guris naqueles lançamentos e ainda chamava a atenção do Rodrigo, o lateral-direita do time:

- Visse só? É desse jeito que tens que fazer com a bola! Vai aprendendo enquanto eu ainda estou por aqui! – e dava aquele cafuné na careca do “Digo”.

Vários campeonatos. Nenhum título, muito menos um artilheiro. O Tubomart era o time do quase, quase na trave, quase no gol. Os jogadores quase caíam de cansados, quase pediam para sair. Mas o Tio João incentivava lá da beira do campo lembrando a geladinha no final do jogo. Para 98% do time, a cervejinha era mais do que um troféu, para o restante, ou melhor dizendo, para dois jogadores a cerveja não era nada, porque não gostavam de beber e faziam questão de sortear a cerveja: eu era um deles.

Acaba o jogo e eu pingava de suor. O melhor para repor as energias era água, uma água bem geladinha. Depois do jogo, ele vinha fazer comentários do nosso rendimento dentro de campo. Era ríspido coletivamente, mas depois colocava a mão em cima do nosso ombro e fazia uma observação individual, quase sempre positiva, mesmo que a gente não jogasse nada e merecesse um sumir no tempo para que não ficássemos muito tempo aos olhos dos adversários.

O Tubomart era uma junção de amigos e colegas do colégio. Tínhamos esse nome devido a um patrocinador que ficava – e ainda está de portas abertas – na esquina da casa do Tio João, em Rio Grande. Mesmo perdendo, nunca fazíamos muito feio. O máximo que chegamos a perder foi por três gols de diferença, uma derrota por 6 a 3 contra o time do São Caetano, na estréia do Praião. Culpa da cerveja. Da danada da cerveja, porque nos outros jogos, o resultado mais comum era de 2 a 1, no máximo um 3 a 1.

Na noite anterior dessa partida, o Tio João havia dado um churrasco em seu apartamento na av. Rio Grande, na Praia do Cassino, para comemorar o início da temporada de verão, férias para todos. Convidou todos os jogadores do time e mais a parentada toda. Muita picanha e entrecot na grelha, salada de tomate na mesa e no isopor, bem, aquelas geladas, estupidamente geladas esperando pelo ataque dos convidados, infelizmente da grande maioria do time.

- Gurizada! Fiquem à vontade, ataquem! – disse o Tio João abrindo os trabalhos daquele churrasco.

O isopor estava cheio e quando chegava pela metade, o Tio João já buscava mais uns fardinhos. Tirava as latinhas do plástico e derrubava mais 12, 24 latinhas acompanhadas por mais gelo para garantir o combustível até altas horas. Os guris se embebedavam. O Tio João achava que antes bebessem em casa do que na rua. Era um tipo de evitar fiascos e possíveis problemas em festas com outras pessoas e até adversários dos outros times.

No final desta noite, eram 18 marmanjões ainda superlotando o apartamento do Tio João. Uns nove alegrinhos, no brilho. Metade do time. Enquanto da outra metade, só se safava dois: eu e o goleiro, o Maurício. O resto? Pelos banheiros ou na área de serviço do apartamento, com as caras enfurnadas em baldes. Sem exagero algum. Foi feio! Ficaram por lá, chamando o Hugo por horas adentro da madrugada. No outro dia, só ressaca. Não havia comprimidos suficientes para curar a dor de cabeça a tempo do jogo.

Eu e o Maurício ficamos cuidando dos amadores enquanto jogávamos videogame, fazendo hora para nossos pais nos buscarem, só imaginando a cena do jogo no dia seguinte. O jogo marcado às 15h, a ressaca não seria curada a tempo, decerto que não. Aos poucos os alegrinhos foram indo embora, somente restando os podres, amigos do Hugo. E o pior: os que iam se recuperando, já estavam com outras latinhas na mão. E não havia quem os convencesse de largá-las. Faziam feio, caiam sentados e não as largavam. Porque bêbado é assim, pode cair desmaiado, mas não solta a bebida nem por decreto.

Fomos embora do apartamento do Tio João, agradecemos o churrasquinho na véspera do jogo e nos mandamos para nossas casas de carona com o pai do Maurício. O Tio João lá no tanque, lavando os espetos e bebericando uma latinha.

- Já vão guris? Não querem mais uma cervejinha? – disse o Tio João, sóbrio sóbrio.
- Sim, são quase 5h e amanhã tem o jogo, né?
- É! Vocês têm que estar bem, estréia no campeonato! Mas eu sei que em vocês dois eu posso confiar!
- Valeu Tio! Amanhã vamos direto, uma hora antes já estaremos lá!
- Muito bem! Assim que eu gosto de ver!
- Boa noite!
– disse eu – Valeu Tiozão! – falou o Maurício, que tinha jeitos malandros de falar.

Descemos pelas escadas a todo pique, em plena madrugada. Chegando à frente do prédio, na calçada, lembrei de avisar o Tio João dos retardatários:

- O Tio! Tio! Ficaram uns quatro aí atirados na sala, podres de bêbado! E o tio, bem tranqüilo, respondeu:

- Amanhã eu os acordo com um balde de água fria e um Engov! E o Maurício, tirando sarro para variar:

- É melhor meia dúzia para cada um!

14h do dia seguinte: lá estava eu e o Maurício de prontidão, correndo de um lado ao outro do campo para aquecer. Ocupamos um espaço atrás dos carros que estavam parados atrás da linha de fundo e comecei a dar uns chutes e o Maurício a defendê-los. Depois de uns três ou quatro, o Tio João nos surpreendia com o carro lotado, transbordando pelos vidros com quase todos os jogadores do time. E mais atrás o Uno Mille com o restante. Ele provavelmente havia jogado água gelada para acordá-los.

Desceram todos do carro, em silêncio absoluto. Cumprimentaram-nos com um balançar de cabeças. Todos fardados com a camiseta do time, sem filas indianas, mas todos silenciosos. Mais quietos de quando cantávamos o hino nacional na semana da pátria no colégio, em frente a irmã diretora. Algo havia acontecido. Talvez um sermão ou uma lição bem dada pelo Tio João ou pela Tia Norma, a sua esposa.

Início de jogo. O fôlego já havia acabado, exceto de quem bebeu pouco ou não havia bebido nada. O Maurício se esforçava aos litros de suor para defender a bolas que iam a gol. O juiz apita duas vezes. Final do primeiro tempo: 0 a 0, por milagre. Correr pelos outros guris, durante 45 minutos, é dose. Nem o Ronaldinho Gaúcho em boa forma conseguiria. No intervalo, o Tio João só balançou a cabeça e disse para agüentarmos. “Mas agüentarmos como?” – interrompi. Aqueles bundões só queriam saber de festa e de beber sem limite. Dei um sermão. Não era o capitão nem nada, mas falei e todos me ouviram, com as cabeças baixas e me detestando pelas minhas palavras. Paciência, eu queria ganhar.

Segundo tempo: 6 a 3. Passou voando, sem tempo para narrar e dar crédito aos gols de Leonardo, Zanotta e um meu. Times se cumprimentando, cumprimentando o juizão e ali havia acontecido o crime, a nossa primeira derrota por um placar elástico, por mais de dois gols, contra o São Caetano. O Tio João chamara todo mundo depois do jogo, balançando a cabeça e ordenou:

- Todos para a praia! Agora!

E não falou mais nada. Todos obedeceram. Difícil de compreender já que o Tio João sempre estava de bom humor, largando uma piadinha mesmo que perdêssemos ou oferecendo uma gelada para a gurizada. Mal sabiam do que lhes seria ordenado.

Na reta da Iemanjá, todos se perguntavam interiormente o que iriam fazer. O técnico, sim o técnico, porque a figura Tio havia sido abandonada na noite anterior.

– Prontos? Alonguem! Você irão correr até o terminal. Só poderão dar uma pausa no riacho. Não quero que parem, exceto se sentirem faltar de ar mortal ou que desmaiem de cansaço, estão ouvido?
Todos responderam com o início da corrida, quando o técnico João Lemos interromperia:

- Maurício, Marcos, Leonardo e Zanotta, vocês ficam aqui comigo esperando eles correrem, só alonguem e pronto. Nós vamos de carro atrás para conferir se eles não vão pedir carona! – ordenou a figura de João, o técnico. O carinha lá de cima havia jogado um balde de alegria na gente. Afinal, não tínhamos bebido nada ou quase nada e ainda havíamos feito gols. Descanso merecido.

Era só a primeira partida, mas dali os guris tiraram uma lição. Quatro de dezoito jogadores estavam em perfeitas condições de jogo, sem ressacas ou dores no corpo. Enquanto, os outros marmanjões com 16 para 17 anos bebendo sem limite e sem fôlego, mesmo sendo avisados para pararem na noite anterior. O Tio João havia ensinado uma lição. Uma lição não só para nossas juventudes, mas para o longo de nossas vidas. Era preciso abrir mão de algumas coisas para termos outras. Abrir mão da cervejinha ou bebê-la com moderação para ter fôlego de jogar o sagrado futebol. Tudo para ter-se limite não somente dentro das quatro linhas, mas também no dia-a-dia. O Tio João sempre foi um cara sóbrio, além de nosso tio postiço e técnico, um bom professor. O nosso professor.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

E recomeça o blog...

Férias de inverno! Isso seria um bom motivo para retornar o blog? Acho que sim, ainda mais hoje, numa sexta-feira que fez 31°C em pleno 1° dia de inverno. "Palavra de guri" volta a ser publicado da mesma maneira que há três anos atrás: meio torto, meio desengonçado. Palavras perdidas, situações vividas, análises de um futuro jornalista: teimoso, ainda de bom coração e, sobretudo, colorado fanático! Já fiquem sabendo que este espaço vai continuar sendo um centro de opiniões, piadinhas, reflexões, músicas e muitos devaneios... Uma pura malutagem! :-D


É, e eu continuo gostando de blog, assim como todo guri ainda gosta de colecionar um álbum de figurinhas do Campeonato Brasileiro ou da Copa do Mundo... Saudoso Romário daquela Copa de 94!


Até breve...


... porque hoje eu mereço uma boa cama de "presente de férias"! :-)