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sábado, 15 de março de 2008

Time de Palavras

As palavras são explicativas e contraditórias, simultaneamente. Há pessoas que as compreendem apenas grafadas; outras não são boas em leituras, tampouco lêem, porém sabem sentir e saber passar os significados, já outras pessoas compreendem e expressam os significados quase que perfeitos na hora de praticá-las – digamos quase perfeito por causa da inexistência da perfeição. Somos eternos aprendizes, o que nos torna perseverantes em querer aprender e atualizar-nos não só das palavras e significados já existentes, mas termos base para as novas palavras que ainda não conhecemos. Principalmente as abstratas, as quais aplicam e possuem maiores pesos em nossas vidas.

Uma amiga, a Lídia La-Rocca, tem um blog, o Segundo Caderno (http://segundocaderno.blogspot.com/) e passou-me a bola para eu expressar 12 palavras significativas. Uma tarefa muy dura. Tão duro quanto correr da Iemanjá até os Molhes da Barra, aqui na Praia do Cassino, contra o vento e sem direito a paradas para tomar água. As palavras me percorrem a cabeça e me deixam satisfeito; feliz, também um pouco triste. Talvez confuso. Aparecem e me confundem. Ponto final. Mas delas posso dizer que tirei e tiro muito proveito para os meus 21 anos vividos, até agora – amadureci bastante, pareço ter 28 anos. A cada dia compreendo novos significados, novas sensações que as palavras me passam. Sejam elas vindas de pessoas aleatórias, de professores, de amigos, dos livros, dos jornais, enfim.

Acordo sempre no meio da noite, na alta madrugada, com idéias mirabolantes na cabeça. Dessas idéias faço o uso das palavras que surtem durante o meu sono e que as uso normalmente nos meus textos ou a idéia delas. Não sei de onde aparecem, pois não lembro dos meus sonhos quando acordo de repente, apenas delas, delas, delas. Uma coisa é certa: as palavras nos cerceiam até durante o mais profundo sono. Não adianta fugirmos delas. Situações vividas, decisões a tomar, sonhos sem pé nem cabeça que nem o melhor dia de análise de Freud, nos áureos tempos, o fariam decifrar significados e formas concretas, tão mais as abstratas. E das abstratas, o lance, por incrível que pareça, é simples; como sempre digo: apenas tentemos achar os caminhos posteriores, as possibilidades de aplicá-las da melhor forma no dia-a-dia. Não as tente entender. Viva para entender.

Nos pensamentos que faço agora para responder ao que a Lídia me pediu começam a aparecer palavras muito significativas. São 12 palavras, um time de futebol com direito a técnico ou torcida. Vou começar a escalar a minha seleção ofensiva e polivalente no 3-4-3, lá vai: no gol escalo o arqueiro Amor segurando todas e orientando a zaga para jogar fechadinha para evitar problemas. Em seguida a zaga é composta pelo zagueirão central chamado de Vida, ladeado pelos outros companheiros Fé e o Consciência. Mais a frente, no meio-campo, quatro jogadores, começando pelo Respeito, passando pelo Compreensão e pelo criativo Liberdade e acabando na direita com o Razão. E no ataque, três polivalentes: na ponta esquerda o Independência; na ponta direita o Aprendizado e no meio o articulado goleador Humor, mais conhecido pelos íntimos por Bom Humor. E para fechar as 12 palavras não posso esquecer da minha melhor técnica e qualificada torcida, a Família – essa não muda de time, nunca. Este é o Sport Club Leivas!

São palavras de guri, é claro. Palavras de um passado bem vivido e de um presente que é a base do que eu vou colher no meu amanhã. Sentimentos, ações, conceitos bem definidos. Outras palavras completariam a minha lista; o que mais me atinge é dizer que dessas todas palavras, a que mais representa para mim é a última, a minha família. Todas possuem significado importante, não adianta, mas a família é a única que não nos abandona nas horas boas e ruins. Não há quem discuta, é tão lei quanto às fases boas e ruins da vida que abordei no texto “Emoções”. Não há discussão. Se a temos, às vezes nem damos valor. Se a perdemos ou estamos longe dela, sentimos saudade – até daquela tia noveleira que sabe tudo da vida dos artistas. No grupo da palavra família entra também os amigos, os irmãos de não-sangue. Falo dos poucos e bons e não dos muitos e aleatórios. Eles também são a nossa base. A base que nos levanta e nos exalta nas conquistas e a base que nos cede o ombro nas derrotas.

Você tem palavras? Você já fez a sua lista? Pense aí. Pode colar das deste texto. Não tem problema! O plágio delas é o incentivo principal deste texto, lhe persuadir a parar e pensar e pensar para mudar. Faça o seu time, não saia de campo sem ao menos tentar a vitória. Se perder, saia de campo e treine bastante, formule novas táticas, troque jogadores e faça testes com suas palavras. Não as jogue ao vento, diga-as e dê-as um novo sentido, mesmo que elas não possuam os mesmos significados das minhas palavras ou os das pessoas que convivem com você. “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las” – disse Voltaire, o francês que apelidei de “Voltaire, o multimídia” em "Vovó e Voltaire". E eu fecho com ele.





Assim como a Lídia me passou a bola de elencar 12 palavras, passo a bola para vocês leitores. Façam suas listas e coloquem nos comentários. Compartilhe-a! Também passo a bola diretamente para a Daniela e para a Gabi Zago continuarem a corrente das 12 palavras. É com vocês comentaristas e blogueiras!

sexta-feira, 14 de março de 2008

Emoções


Receber o abraço de alguém que há muito não se vê e sentir aquele frio na barriga e os olhos marejarem, isto é emoção por causa de um sentimento existente. Mas emoção e sentimento não são as mesmas coisas. É como a bola de futebol e o pé, querido pé, um precisa do outro para dar início à partida; como o arroz e a panela, o garfo e a faca. Exemplos mil podem ser dados, olhe na sua volta e relacione. Emoção e sentimento, não são iguais, são dependentes. Assim como dependemos do oxigênio para respirar e do coração para bombear o sangue pelo nosso corpo.

Não li o livro de Daniel Goleman por inteiro, passei os olhos em algumas páginas dele na 35ª Feira do Livro da Praia do Cassino e em outras disponíveis na Internet. Pude chegar à mesma conclusão que ele. Li artigos e explicações de outros autores como Robert Thorndike em que era explicado a tal “Inteligência Social” e mesmo assim não abri mão de Goleman. O Goleman é americano, um psicólogo nascido em 1946 e é doutor pela Universidade de Harvard – coisa pouca o cara não é – e concluiu no livro “Inteligência Emocional”, de 1996, que a inteligência é emoção e que o QI de uma pessoa não é carro-chefe de garantia de futuro brilhante baseado no sucesso e, conseqüente felicidade. Nada disso.

Segundo o tal Goleman, a felicidade é o nível máximo de um estado real do ser humano. Ela se baseia em recentes descobertas sobre como funciona o cérebro humano. Com base nos estudos e também em pesquisas, o psicólogo afirma que a inteligência emocional pode ser alimentada e trabalhada, ou seja, fortalecida em todas as pessoas principalmente quando crianças, já que esse é o período em que toda a estrutura neurológica está em formação. Sendo que a formação da inteligência emocional se aplica a partir da capacidade de autoconsciência, controle dos impulsos, da persistência e da empatia e da habilidade social – alguns amigos anti-sociais que tenho não devem ter desenvolvido bem esse quesito.

É estranho. Agora quer dizer que nós somos mecanismos? Já abordei este assunto em outros textos e retomo aqui apenas para relacionar com a palavra emoção. Nós somos máquinas movidas a emoções e sentimentos, mesmo que eles sejam distintos e ao mesmo tempo dependentes. Não precisamos de gás ou gasolina para nos locomover psicologicamente. Precisamos é desenvolver, amadurecer de acordo com as situações que nos são propostas. E para termos um melhor rendimento – e não são boletins na escola, boas notas na faculdade ou um elogio do patrão – necessitamos de um bom trato, de pessoas que nos façam bem e que nos entendam no dia-a-dia, nos dando força e incentivo. Claro, não podendo esquecer das caminhadas, as corridas na praia e do sagrado futebol ou no caso das mulheres, as amigas, o cabeleireiro e as academias, tudo para manter a o corpo e, sobretudo, a mente saudável. Mesmo que, de quando em vez, um bauruzinho ou um churrasquinho também nos ajudam a levar a vida numa boa.

A nossa inteligência é realmente ligada ao modo em como administramos nossas emoções. Não adianta. É fato, somos uma maquininha. Se tivermos uma situação financeira tranqüila, rendemos melhor e sorrimos mais em nosso trabalho. Se tivermos uma casa com conforto para nossa família acontece o mesmo e a serotonina é liberada em nossos cérebros nos passando o real conforto da tranqüilidade e, por conseqüência, nos fazendo mostrar todos os dentes da boca. Alegria pura. Sem mau humor, depressão, insônia, enxaquecas, estresses e todas aquelas coisas que aquele nosso colega chato, seja do trabalho ou de faculdade, nos fala colocando as mãos na cabeça e reclamando da vida aos quatro céus. Haja paciência! Serotonina nele, ou melhor, seja mais prático: dê chocolate para ele, agora mesmo. Se não adiantar, ao menos ele não vai reclamar de boca cheia.

A vida é feita de fases e isso ninguém tem como discutir ou tentar entender o porquê disso. É lei e ponto final. Há fases boas e aquelas, bom, melhor nem falar para não dar azar, você sabe como é isso. Nossas emoções são frutos do que vemos, do que escutamos e principalmente do que sentimos. Dizer a verdade pode doer, mas ao menos não guardaremos mágoas e pesos na consciência. Falar “eu te amo” a alguém, de verdade, vindo lá do fundo, faz bem e ajuda a serotonina fluir dentro das nossas cabeças. Aquele arrepio nas costas e nos braços é fruto da serotonina. Que sensação agradável, não? Procure abraçar mais, ser mais sincero consigo e com o próximo. Esqueça que somos máquinas programadas e movidas pelos nossos achismos e pelos corações (des)apaixonados. Não tente entender as emoções, muito menos os sentimentos. Viva. Viva intensamente, viva de emoções, viva de verdades e tente sempre regar a vida com muito bom humor, pois como disse Chico Anysio: “É a emoção que sublinha a verdade”.