
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Lar Novo Lar

terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Bobo Amor - Volume II

Há dias atrás estava eu parado na fila de um supermercado enquanto um casal a minha frente aproveitava a fila do caixa para fazer um famoso “D.R.”. O nome dele era Paulo e o dela não sei por que ele não teve oportunidade de dizer o nome dela durante uns dez minutos de conversa, ou melhor, um monólogo da esposa. Ele até tentara ser carinhoso a chamando de “amor”, “querida”, mas sem nenhum resultado. Em filas de mercados, bancos ou qualquer aglorameração, sempre há um assunto rolando para fazer passar o tempo. Inacreditavelmente neste dia, toda a fila foi parando simultaneamente para escutar o que a tal mulher dizia para o marido, o pobre Paulo. Quem ainda não estava prestando atenção, procurava cutucar o outro ou apenas olhar para que o próximo pudesse focar o murmurinho crescente do casal.
- Paulo, vamos conferir a lista!
- Paulo! Presta atenção em mim, por favor?
- Paulo, eu estou falando contigo! Larga essa revista e olha para mim!
- Fala querida, eu estou te ouvindo!
Nesse momento a esposa puxa a revista com um gadunhão seco e a coloca na prateleira. O marido, totalmente envergonhado apenas a olha com olhar de fúria controlada. Provavelmente ela tomara as rédeas em casa. Desde o dinheiro até a programação de televisão das crianças. Momentos a seguir, depois de respirar um pouco e aliviar a tensão que o tomara conta, Paulo tentou começar mais um diálogo:
- Mas amor, eu estava te ouvindo, para que fazer isso?
- Não estavas! Te chamei três vezes e o máximo que fizesses foi um “hãm”!
- Então! Eu estava te ouvindo, só não queria perder o fio da meada da reportagem sobre o Clinton.
- Eu te pedi para conferir a lista do super junto comigo e preferisses ficar lendo uma revista besta que só fala da vida dos outros. Ainda mais desse ex-presidente americano tarado que assediou a Mônica Lewinski.
- Não é bem as...
- Eu estou falando. Eu sei bem o que ele fez e pelo jeito deves ser como ele. Enquanto estou trabalhando, estás de segredinhos e agarrando a Marise, a tua secretaria.
- O que é isso, amor?
- Eu sei muito bem quando chegas em casa com aquele sorrisinho no rosto querendo alguma coisa. É porque aprontasses alguma coisa e queres o meu perdão, mesmo sem eu saber. É um tipo de redenção, só pode!
- Pelo amor de Deus, fala mais baixo! Os outros não precisam ouvir as tuas maluquices.
- Maluquices? Eu tenho certeza das coisas que aprontas! Até hoje não entendi aquela viagem repentina a Porto Alegre. Negócios. Humpf! Só se for negócio com uma loira de 1,70m de altura, olhos verdes e bunda grande. Eu te conheço Paulo! Não é de hoje! Desde os tempos da faculdade eu já te via esticar um olho para a Rosane e para a Aninha. Sem contar no dia que te peguei conversando com a Aninha enquanto tinha ido ao banheiro. Tu és um sem-vergonha!
E o diálogo não parou por aí. Dava pena de ver. O Paulo sem acreditar em uma palavra que a mulher estava dizendo. (Vamos dar aqui o pseudônimo de “Maria”, para ao menos a dita cuja ter um nome) Com os olhos marejados, escondidos por aqueles óculos de advogado, com forte grau ótico e com as mãos apertadas segurando no braço do carrinho de compras. Todos os olhavam. Até uma criança que tentara brincar com uma embalagem de salgadinhos, daquelas prateleiras na boca do caixa, ficara os olhando sem entender nada. De certo achando aquilo atrativo pelo volume que a Maria gritara em pleno supermercado. Na cabeça de Paulo só passara um pensamento: “- Cala a boca mulher!” E foi o que fez. Ou melhor, tentou fazer de forma ainda meiga:
- Amor, por favor! Estão todos olhando! Vamos pagar as contas e depois resolvemos isso em casa! Tu estás nervosa ou estressada por causa do trabalho e ficas inventando essas sandices como se eu fosse o culpado por teres perdido o caso dos Bittencourt.
- Como é que é? Eu perdi o caso dos Bittencourt? Tu estás louco?
- Era o que dizia aquela carta em cima da mesinha da sala, debaixo do controle remoto do dvd.
- Qual carta? Não chegou carta nenhuma ainda com a resposta do julgamento do caso. A menos que tu tenhas aberto... (o volume da voz de Maria aumenta) Andasses mexendo nas minhas coisas? Quem te deu permissão para isso? Combinamos uma vez que nunca mexeríamos um nas coisas de trabalho do outro, a menos que o outro deixasse ou mostrasse. Tu és um ridículo!
- Eu não abri nada!
- Abrisse sim! É bem a tua cara! Não sei como que ainda ganhas os teus casos. Provavelmente mentes a reveria para os juízes. Deves encobrir toda a verdade com as tuas mentirinhas deslavadas.
- Eu não abri nada! Cheguei em casa e a carta estava debaixo do controle. Provavelmente tenha sido a Letícia que abriu ou o Paulo Roberto.
- Tu achas que duas crianças de cinco e de oito anos vão abrir correspondências? Eles não são metidos e curiosos como o pai deles.
- Me respeita! Eu nunca mexi nas tuas coisas e agora vens me dizer que andei abrindo tuas coisas de trabalho? Pelo amor de Deus!
Paulo tentara se defender com frases curtas, já que o diálogo parecia mais um monólogo por parte da Maria. Um misto de estresse e nervosismo em pessoa que acabara com qualquer clima de final de semana na praia. Uma ótima advogada. Talvez boa. Ou apenas competente – devido a causa perdida no caso Bittencourt. Porém, uma ótima mãe, assim como ela diz:
- Enquanto estás na natação, onde é que eu fico? Em casa! Cuidando do Paulinho e da Letícia. Ajudando eles a fazerem a lição de casa. Dou banho, dou janta, brinco e ainda sobra tempo para te esperar com a janta pronta!
- Isso é uma vez só na semana. Nos outros dias quem é que fica em casa? Eu! Enquanto vais para a tua yôga eu faço tudo isso que acabasses de dizer!
- Que engraçado, não é o que as crianças me disseram. São pequenos mas não são burros quanto o pai. Mexem naquele computador melhor do que tu!
- E o que tem o computador? Enquanto eles brincam na sala, eu fico analisando os processos e preparando as defesas.
- Agora é moda no orkut também ficar analisando processos? O Paulinho me disse que ficas olhando fotos e fotos naquele “programinha de tela azul” cheio de fotinhos pequenas, que quando se clica nelas, abre um monte de coisa, inclusive fotos. E de mulher!
- É proibido entrar no orkut? Tens o teu e eu nem dou bola.
- Claro que não dás bola. Tens a Marise ao vivo e a cores. Para que vais olhar o meu orkut?
A conversa parou por ai. Ao menos Paulo se recusara a responder qualquer outra pergunta que Maria o fizesse. Talvez para fugir dos devaneios da esposa, começara a juntar os produtos em ordem, por setores, assim como ela gostara. Porém, infelizmente, a metralhadora de perguntas enlouquecidas não parava...
- Será possível tu me responderes o que eu estou te perguntando?
(Nesse momento, a fila deu uma boa andada e Paulo levava os carrinhos das compras mais adiante)
- Podes falar comigo ou fica difícil? Estás fugindo de alguma coisa? Eu só quero conversar contigo!
- Conversamos em casa, pode ser? Eu simplesmente não fiz nada e estás inventando “mileuma” coisas sobre mim. Quando chegarmos em casa, ok?
- Visse só? Nunca queres conversa comigo! Eu tento fazer a gente se entender no pouco tempo que passamos juntos e ficas empurrando toda a culpa para mim.
Paulo pensara que tal reação de Maria só pudesse ser obra do temido e famoso tpm. Ela era jovem, provavelmente longe dos 35 anos. Morena, cabelos no meio das costas, magra, talvez uns 60kg. De altura mediana, por volta dos 1,65m. Olhos castanhos e vários anéis nas mãos – que gesticulavam a cada pergunta. Analisando assim, Paulo estava bem acompanhado, a mãe de seus dois filhos estava no ponto. Mas naquele momento, mais no ponto de ebulição:
- Eu vou embora para o carro, me dá a chave! Pagas essas coisas e não demora! Me dá a chave!
O marido foi simplesmente seco, ríspido:
- Toma.
- Para que me tratar desse jeito? Porque me respondes assim? Vais ter que me escutar quando chegarmos em casa. Eu quero conversar!
E lá se foi a balzaquia, passos rápidos e curtos por causa do salto alto. Com seu vestido preto na altura dos joelhos, com a bolsa em punho e a chave na outra mão, a sacudindo como se fosse um chocalho. Todos a olhavam. Não pelo seu feitio feminino, mas pelo seu comportamento fora do normal em pleno local público. Filas de supermercado não são os melhores lugares para se discutir uma relação. Quem está atrás ou na frente, de certa forma, fica sabendo de tudo o que acontece na vida do outro. Não é fila de bebedouro. É a fila da paciência.
Enquanto Maria se dirigira ao carro, Paulo esperava a vez no caixa amargando não só a fila, mas os olhares desconfiados e sestrosos das pessoas na fila. Envergonhado, baixou a cabeça e tentara se distrair somando os preços dos produtos dos carrinhos com a calculadora do celular e soprando as contas:
- R$34,55 mais dois de R$5,84...
- R$46,23 mais um fardo de Coca... Quanto? Oito vezes R$2,59... R$20,72...
- “Próximo!” – chamava a atendente do caixa.
Paulo continuara com a cabeça fincada nos carrinhos fazendo contas:
- R$20,72 mais R$46,23 igual a R$66,95...
- R$66,95 mais duas massas de R$1,34 mais...
- “Pró-xi-mo!” – soletrava praticamente a atendente, até que um senhor que estava atrás dele e na minha frente o cutucou e o acordou daquela fuga dos preços:
- Amigo, é a sua vez!
Ele nem olhara, apenas agradecera de cabeça baixa:
- Obrigado...
O resultado das compras ultrapassou os R$ 500 reais. O da conversa, só Deus sabe. Quem sabe era necessário que ele a entendesse. Também que ela ponderasse a falta de atenção dele enquanto ele lia uma revista depois de um dia de trabalho. O bobo amor se manifesta em pequenos momentos, em gestos minúsculos. Ele lembrara da organização dos produtos dentro dos carrinhos, “por setores”. Já ela, de ficar com as crianças enquanto ele nadava. Nem sempre o amor bobinho vai superar um “D.R.”. Ainda mais um tpm. Mas é preciso conservá-lo e mantê-lo. Até porque um relacionamento não é uma fila de supermercado esperando a hora da atendente com voz de aeromoça dizer com um lindo sorriso estampado no rosto:
- “O próximo, por favor!”
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Bobo Amor - Volume I

Lembro do "João, o Apaixonado". Era um verdadeiro Don Juan! Levava flores na saída da escola. Aprontava diversas surpresas para a Jaqueline. Ela ficava boba! Mais boba que seu estado de espírito quando o João aparecia. O João estudava no Joana d’Arc e ela no São Francisco, ambos em Rio Grande. O tempo foi passando, tudo estava tranqüilo e o sentimento cada vez maior. Ambos concluíram o ensino médio e chegara a hora de escolherem qual cursinho pré-vestibular iriam cursar. Para não haver problema de grude e de possíveis brigas por estarem sempre juntos, resolveram matricular-se em turmas de turnos diferentes. A Jaque pela manhã e o João à noite. O ritual continuava o mesmo. Ele a buscava, ela o buscava. Ele cheio de idéias, como sempre. Quem chegava perto podia ouvir o meloso diálogo quando ele a buscava na porta de saída do cursinho:
- Oi amor! Como foi a aula hoje?
- Foi boa! Tive matemática e biologia.
- Qual matéria o Daner deu hoje na aula de matemática?
- Ele deu algumas formas de trigonometria e fez uns exercícios.
- Será que ele vai dar o mesmo conteúdo na aula da noite?
- Não sei, ele disse que a nossa turma está um pouco adiantada. Por que queres saber?
- É que eu pensei em matar a aula para sairmos para jantar lá naquela pizzaria que tu gostas. O que achas?
- Ahh amor, vontade não falta. Mas não quero que fiques matando aula! Ainda mais aula de matemática que tem um monte de fórmulas para aprenderes.
- Uma vez só amor! Vamos? Por favor!
- Fazemos assim então! Tu assistes às duas aulas de matemática e depois matas as duas de biologia, já que tens tanta facilidade para aqueles nomezinhos difíceis!
- Perfeito!
Ela sempre tinha o meio termo com ele. Conseguia tudo o que queria com aqueles olhinhos estalados e sempre confortantes. O diálogo foi a base do namoro deles. Sempre conseguiam achar uma saída para algum desejo ou situação embaraçosa. Um era o vício do outro, mas que sabiam dosar na quantidade certa para que o sentimento não se tornasse uma obsessão.
A Fernanda, secretaria do curso pré-vestibular invejava o namoro dos dois. Sempre se debruçava no balcão de atendimento e ficava ali, babando, analisando cada movimento do João e da Jaqueline. O jeito que ele pegava na mão enquanto simultaneamente fazia um carinho na nuca dela. Ela adorava. Sorria. Arrepiava-se com aquele gesto. Certamente viveria algum problema em seu relacionamento – ou a falta de um – e tentava com base naquele exemplo tirar proveito ao menos pelo belo momento. Ou nem isso. Talvez tivesse orgulho de ver os dois juntos, já que ela sempre o ajudava nas surpresas que aprontavam um ao outro, especialmente o João. Sempre que aprontava alguma, a Fernanda acabava ganhando um drops ou um saquinho de chiclete. Recompensa doce, tão doce quanto o sentimento daqueles futuros acadêmicos.
O tempo foi passando e o vestibular de inverno havia chegado. Porém, nenhum dos dois fizera inscrição para no edital da Fundação Universidade do Rio Grande. Ficaram tristes, pois estudaram muito – mesmo que na metade do curso – para realizarem a prova que, na última hora, a FURG cancelara a inserção de medicina veterinária (pretendida pelo João) e cortara o curso medicina (sonho da Jaque) por poucas vagas disponíveis. Até nisso eram parecidos. Sem contar nas manias que os dois tinham de cumprimentar a todos na rua e nos lugares em que entravam.
Tinham manias diferentes também. Vontades que o separavam, por exemplo, na hora de torcerem por seus times. Ele gremista, ela colorada. Ele adorava baurus, ela preferia torradas. Ele churrascos e carnes bem temperadas. Ela seguia à risca vegetarianismo. O amor é feito de diferenças. De lados opostos que se atraem. Pólo negativo e pólo positivo. Um vértice de um ângulo de 90° graus para Jaqueline e uma relação de 50% dominância de AA (azão de amor) para João.
O pretendido e sonhado vestibular de verão chegara. Os dois muito nervosos, mas no fundo preparados. Jaque faria vestibular na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e na Universidade Católica de Pelotas (UCPel) para o curso de Medicina, além de ter feito inscrição na FURG. Já o João, teve de contentar-se apenas em realizar a prova na UFPel devido também a não inserção de Medicina Veterinária na FURG no vestibular de verão daquele ano. A maratona de provas começara e eles mal tinham tempo para namorarem. Todo o santo dia era aquela correria pela manhã: acordar cedo, tomar banho, café reforçado, trânsito engarrafado nos locais de prova. À tarde, o bom sono estendia os músculos e relaxava os neurônios dos dois. Preferiram não se ver durante a realização das provas. Apenas telefonemas e mensagens de texto para matar a saudade. Na verdade, quase nenhum telefonema, apenas mensagens, meigas e bem bobinhas:
“Oi amor! Tudo bem? Achei as provas de matemática, biologia e histórias boas. Mas não gostei muito da de Física. Tô com muita saudade tua, sabia? Te amo! João.”
“Meu fofinho! Eu também tô com muita saudade tua! Nem quero falar da prova, estou estressada e cansada. Mas acho que me sai bem! Vamos torcer pela gente e depois comemorar muito! Beijinhos, te amo! Tua Jaque.”
E assim foi até o final dos vestibulares. O João ficou só esperando os vestibulares da FURG e UCPel acabarem para correr até a casa da Jaqueline e aprontar as surpresas que tanto adorava fazer. Foram 15 dias sem comunicação ao vivo. João gastou quase R$ 30 reais em créditos apenas com mensagens para ela. Saiu esperançoso do seu único vestibular, enquanto ela se pendurava nos livros para repassar as fórmulas e macetes ensinados no cursinho. Ela sempre gostou de ter tudo definido. Já para o João, bastara apenas dar uma lida e uma rápida revisada no conteúdo.
Os listões com os nomes dos aprovados saíram quase no mesmo dia. Talvez uma boa jogada e um presente de Natal antecipado para os vestibulandos (ou não). Foi uma alegria só! E somente uma mesmo. O único a passar no vestibular foi o João. 5° lugar em Medicina Veterinária, pela UFPel. Jaqueline passou longe de qualquer classificação e suplência das três listas de aprovados. Foi um choro só.
Chegou o Natal, as festas de virada de ano e nenhum carinho conseguia levantar a moral da Jaque. O “víspora”, um cão de raça boxer a fazia carinho, dava a pata e nada de um sorriso. Era do sofá para a cama. Da cama para o sofá. Não comia direito, tinha vontade de sumir e fazer sumir todos à sua volta. Principalmente o João, agora um acadêmico. Ele preparava mil surpresas, tentava tirar um sorriso a todo custo do rosto dela. Sem sucesso. Os pais de Jaqueline já começavam a preocupar-se com seu estado. Provavelmente já estivera uns três ou quatro quilos mais magra. Pálida. Branca. Talvez anêmica pela má alimentação. Dava pena. João quieto, sem saber também o que fazer decidiu ir para a casa comemorar com sua família o resultado e começar a decidir como seria sua rotina no próximo ano, já que a UFPel era em Pelotas e ele morava em Rio Grande.
O verão não foi o mesmo. Ela não o procurara mais. Ele acabou distante, confuso, cabisbaixo. Depois de quase dois anos de relacionamento, de paqueras, namoricos, e todas aquelas coisas bobas magníficas, como cinemas regados à bibs e pipoca, tinha chegado a hora de sua partida. A hora de perceber que a vida toma novos rumos. Novas experiências são inevitáveis e, além disso, mais do que necessárias para o crescimento e amadurecimento do ser humano. João foi morar em Pelotas e levar em frente o sonho de ser um Médico Veterinário. Alugou um apartamento, conheceu os colegas da faculdade, se aproximou de alguns, repeliu outros. Fez novos amigos, conheceu novas gurias, enfim. Ficou com algumas, se apaixonou por duas ou três. Namorou. Namorou com uma delas durante três anos da faculdade. Milena. Quem? Sim. Nada de coincidência. Milena. Aquela secretária no curso pré-vestibular onde João estudara. Tudo muito rápido. No quarto ano, ele a pediu em casamento, ficaram noivos no penúltimo ano de faculdade. Combinaram de casar em seguida que acabassem a faculdade. Tinham bons empregos e condições para isso. Jaqueline nunca mais deu notícias. Não ligou, não enviou mensagens de texto nem e-mails. João casou com Milena no ano seguinte e foram morar em São Paulo. Ele é professor-mestre na USP. Milena, dona de uma clínica veterinária de animais de pequeno porte. Jaque ainda tenta passar em Medicina. Solteira dos homens, divorciada dos amigos. Casada com os livros: unida às fórmulas e fiel às teorias.
domingo, 20 de janeiro de 2008
E Qual a Cor da Toga?

- Mas professor, na próxima aula a Cema vai te entregar a listagem completa!
- Marcos, Marcos, não é?
- Isso professor! Leivas. Marcos Leivas.
- Marcos, o teu nome não está na lista já vai fazer quase duas semanas!
- Professor, tu sabes a velocidade da Cema. Ela deve ter esquecido!
- Ela me entregou a última lista de todos os alunos matriculados hoje.
- Hãããm...
E lá se foi o Marcos porta de aula a fora procurando o maledeto informante que o conduziu até aquela sala de aula no primeiro dia de faculdade. Era o queridíssimo porteiro da prefeitura do campus II. Óbvio, ele não poderia saber e nem atender todos que o procurassem. Então talvez escolhesse alguma sala no improviso. Afinal de contas, ele saberia todos os números da sala do campus da universidade. Mas tive que ir perguntar a ele:
- Amigo! Amigo! Hey...
- Diga campeão! (Nesse momento eu apertei a mão com força para evitar dizer alguma coisa feita)
- A Cema pediu para dares uma subidinha ali na secretaria da escola para te entregar um papel.
- Mas que papel?
- Não sei te dizer. Ela apenas pediu para chamar um carequinha gordinho da portaria.
- Ah, obrigado!
- De nada!
Como diria um amigo, o Klaus: “A volta veio e veio de a cavalo”. Que sensação boa! Não gosto de pagar na mesma moeda. Até porque acredito que ele se equivocou quando perguntei qual era a sala. Mas ele nem ficaria tão bravo. Ele perderia uns cinco minutos. Enquanto que eu perdera, vejamos: cinco dias de aula x duas semanas x quatro horas de aula por dia... 40 horas. Sim, eu fui trouxa. Dei uma de House querendo cutucar a Cuddy. Paciência. Right now, eu lembrei de uma frase do Chaves: “A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena!” Já fiz. Vou procurar o remédio para curar. Quem sabe acariciar um cão? (Ainda sinto resquícios de raiva da noite de ontem. Para quem não leu, post do dia 19).
Pelas minhas contas, sem verificar no meu histórico via site da UCPel, foram até agora 38 cadeiras. Com uma média de 25 professores diferentes e os mais diversos colegas. Ainda restam dois semestres. Um ano. Mas que vai parecer uma eternidade para que chegue o dia da formatura. Hoje na hora da janta, conversava com um primo (que chamo de tio devido a grande diferença de idade) mesmo à mesa de janta sobre a trajetória acadêmica dele. Dei boas risadas sobre as piadas que ele contava entre uma história e outra. Não! Ele não é jornalista, mas adora contas “causos”. É médico veterinário, mestre, doutor! Que moral! Um cara sensacional, sempre com a resposta na ponta da língua seja para filosofias de vida ou de bar. Perguntei a ele sobre várias etapas da história acadêmica dele. Contei a ele sobre a minha faculdade, o estado de espírito de meus professores e tudo que vivo diariamente. Falei dos meus planos futuros (iguais aos dele) de mestrado e posteriormente doutorado, para seguir na vida acadêmica, repassando aos futuros comunicadores sociais tudo que aprendo hoje e continuarei aprendendo depois de estar dentro de uma universidade. Porém, atrás da mesa maior. Aquela que todo mundo gostaria um dia de colocar um chiclete ou um super-bonder para perturbar o mestre.
Eu gosto de desafios. Por enquanto sou um feixe de luz em expansão e longitude contínua. Quero seguir bons exemplos. Ter desafios diários para ultrapassar. O que eu não quero é chegar apenas aonde os outros chegaram. Quero ir além. Quem sabe pretender, já que querer é um verbo muito forte e, a meu ver, não preciso de super-poderes para ir em frente. Preciso é seguir o meu coração sem perder a razão. Assim como fez o “Tio” Valmor, que segurou as palavras de baixo calão em frente aos professores-doutores que se julgavam os sabichões, enquanto o correto acadêmico soube se portar desbancando a velha guarda que ainda acreditava em estudos metódicos e limitados. A cor da toga dele e a música de formatura eu não perguntei. Já a cor da minha é uma incógnita. Mas a música eu já comecei a pensar. Até lá, muitas coisas vão rolar. Transições e mudanças totais. Novas experiências. Boas e ruins é claro! Trabalhos “carecantes” e provas estressantes. Estágios e empregos de pirar o cabeção. E até o término deste ano, outros porteiros. Afinal, quando uma porta se fecha para um, outra se abre para outro. É a lei da vida, um troca-troca constante. E entre sobre um troca-troca de cores, prefiro que ela seja... quem sabe, preto com vermelho?
sábado, 19 de janeiro de 2008
A Falta de Um Apito

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Praia do Amor

Música: "Praia do Amor"
[05-12-04]
Todo dia bem cedinho eu acordo
Pra chegar na praia e curtir
Encontrar os amigos, ficar numa boa
Pegar uma onda e sair por aí
No Cassino que vale é a curtição
Não posso ficar parado
Nem pensar em ficar cansado
O que eu quero é me divertir
Praia, sol e calor
Futebol, surf e mar
Beijinho com paixão e sabor
Essa é a praia do amor...
O dia já se foi
Já sinto aquela brisa soprar
Deitado na rede espero pra ver
A gurizada chegar com a carne e espeto na mão
Pra fazer um churras irado, tudo é curtição
Praia, sol e calor
Futebol, surf e mar
Beijinho com paixão e sabor
Essa é a praia do amor...
E no outro dia é mais emoção
Mais curtição e vibe no ar
Mas se o surf não rolar
Se chover e o futebol não valer
E se a guria não me chutar
Eu sigo na paz de Deus, pode crê
Praia, sol e calor
Futebol, surf e mar
Beijinho com paixão e sabor
Essa é a praia do amor...
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Reciclagem Artística
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
A Impostomania

terça-feira, 15 de janeiro de 2008
Maldita Curiosidade

- Ô meu, não vai lá! Não vai lá!
- Mas qual o problema? Eu só quero ver e fui tu quem me incentivou!
- É que eu também fiquei curioso, mas agora...
- Agora? Travou? (doze segundos depois)
- Suspeito que tenha alguma coisa de errado lá. Não vai!
- Olha quem me diz isso, o mais corajoso da GM!
- Eu sei a hora do perigo e a hora da brincadeira e tenho certeza que o lance é do mal!
- Me alcança o celular e a câmera que eu vou lá tirar isso limpo!
- Ô meu, eu te avisei, depois não vai falar que eu não tentei te impedir!
E lá fui, assaz curioso, com o celular e a câmera em mãos querendo saber o que havia de tão estranho naquele carro abandonado em plena avenida. O que seria um Fiat 147 com três gurias? Nenhum vidro aberto. Nenhuma luz. Nenhum balanço. Comecei a pensar no pedido de atenção do Vinícius, afinal, ele sempre foi o mais destemido da gurizada e agora estava dando para trás. Olhei as horas: 00h e 23min. Me prometi de chegar abordando o carro às 00h e 25min. É, eu costumo marcar horas corretas no relógio como estímulo de tomar coragem, desde pequeno. Atravessei a rua, parei na esquina e as pernas começaram a bambear. Mas ainda firme fiquei e segui mais um pouco, me escorei na parede de uma loja e fingi falar no celular. Faltava menos de um minuto. Caminhei em direção ao carro. Liguei a máquina e abri o celular para dar luz. Apressei o passo. Pulei uma poça d’água. Atravessei novamente a rua para dar o bote indo por trás do Fiat. E faltava menos de 30 segundos. O medo se foi embora. Comecei a estufar o peito e enchê-lo de coragem e não de ar. Caminhei mais um pouco e me escondi atrás de uma árvore. 57, 58, 59... 00h 25min! Sai correndo com toda a cara-de-pau e curiosidade possíveis, coloquei a luz em direção ao vidro, tentei abrir a porta. Estava trancado o lado do motorista. Corri do outro lado para abrir o da carona. Alguém ligou o carro. Engataram a primeira, arrancaram. Passaram para segunda e saíram em disparada para a rua principal, a Avenida Rio Grande. Tentei correr atrás, mas o Fiat 147 se mandou em direção a praia. Nenhuma foto, apenas vultos e sombras das quatro, sim, quatro pessoas que estavam dentro daquela relíquia. A placa eu anotei, mas obviamente não divulgarei. Já a verdade eu não descobri. Porém, uma coisa é fato: casos curiosos só acontecem na maior praia do mundo, a Praia do Cassino.
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
Dear Vacation!
Imagine você acordar cedinho em plena praia, lá por volta das 6h e sentir a brisa do vento e escutando o canto dos pássaros que se debandam em direção ao mar? “Pois é, eu moro no lugar onde você tira férias” – assim como dizem os Catarinenses. Engano deles, eu também moro e não preciso ir até lá para aproveitar e me sentir saudável e completo. Não tiro o mérito do lugar onde moram, pelo contrário, vale o passeio e até a morada. Mas a Praia do Cassino... Ah, o Cassino! Lugar perfeito. Nada melhor que isso para resumir. Desde 1898, (antigo Vila Siqueira) a Praia é local de todas as tribos. Principalmente para aquelas que curtem uma boa praia. São 245km - sendo 223km praticamente inabitados - de extensão de um molhe ao outro, com uma rica diversidade de espécies de aves nativas e migratórias que acabam tornando o cenário mais atraente e ímpar. Surfar perto dessas espécies, sempre respeitando o espaço do homem e da natureza, ou apenas estar na beira da praia admirando a força dela, é o melhor remédio contra o stress de trabalho ou da faculdade. Recomendo!
Buenas! Muitos outros posts virão tendo como pano de fundo a Praia do Cassino. Mesmo com os pés para cima, curtindo cada instante das minhas férias, voltarei assim que sentir saudade de escrever e tiver um tempinho para contar minhas aventuras e loucuras de verão. Prometo voltar antes do Natal. Agradeço aqui a todos meus colegas pela companhia neste ano acadêmico de 2007. Trabalhos, estudos e viagens. Você foram essenciais para que essas férias ganhem um gostinho especial de liberdade, ainda mais se elas tiverem vocês como companhia! Sem contar a minha família que sempre esteve me estimulando e apoiando cada decisão que tomava. Muito obrigado!
Ahh, já ia esquecendo! Lembra das brigas no inicío do texto? Todas elas acabam em massa! Nada de pizza. Uma massa ao alho e óleo, uma massa com molho vermelho, quem sabe outra com molho de queijo! Hmmm! Tem também aquela de molho branco com calabresa, sem contar a de bolonhesa, a de catupiry com azeite português. Só de pensar dá água na boca! 11h45 de amanhã: tchau trabalho! 11h46, destino: Praia do Cassino.
