quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Lar Novo Lar


Ela é pequenininha. Cabe na palma da minha mão. Pesa menos de 1,5kg. Precisos 1,436kg. Mas quando come, deve chegar aos 2kg. É uma gordinha. Gulosa como o dono e como as bisas dela. Chegou mais uma integrante para a família Leivas. Esta é a “Indefinida”. Sim, ela está sem nome ainda por falta de consenso. Ainda a confundem por “ele”, talvez por causa do Dick, um cocker spainel, que morreu faz cinco anos. É uma dashound miniatura, número um de três escalas. Espero que ela traga alegria e muita união para nós. Por enquanto, só come e dorme, dorme e come! Bem-vinda ao teu lar, o teu novo lar.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Bobo Amor - Volume II


Um bobo amor não é um tipo de amor pequeno ou grande; aceitável ou descartável. Amor bobo é simplesmente a magnitude do próprio sentimento representado a partir de pequenos gestos de lembrança ou de carinho. De certo modo supérfluos. Um plus. Nenhuma relação sobrevive sem um bobo amor. Aqueles apelidos bobinhos, meigos para o casal, ridículos para quem os escuta. Um presentinho de surpresa. Uma mensagem de texto no meio da correria do trabalho, enfim. É bonito! Chega a ser sublime a maneira que um casal se relaciona. Porém, além da bobice, entende-se que a base de um relacionamento é o diálogo. E nesse ponto, a comunicação necessita ser interpessoal – que ambos participem ativamente da conversa – para construir um denominante comum entre o casal.

Há dias atrás estava eu parado na fila de um supermercado enquanto um casal a minha frente aproveitava a fila do caixa para fazer um famoso “D.R.”. O nome dele era Paulo e o dela não sei por que ele não teve oportunidade de dizer o nome dela durante uns dez minutos de conversa, ou melhor, um monólogo da esposa. Ele até tentara ser carinhoso a chamando de “amor”, “querida”, mas sem nenhum resultado. Em filas de mercados, bancos ou qualquer aglorameração, sempre há um assunto rolando para fazer passar o tempo. Inacreditavelmente neste dia, toda a fila foi parando simultaneamente para escutar o que a tal mulher dizia para o marido, o pobre Paulo. Quem ainda não estava prestando atenção, procurava cutucar o outro ou apenas olhar para que o próximo pudesse focar o murmurinho crescente do casal.

- Paulo, vamos conferir a lista!
- Paulo! Presta atenção em mim, por favor?
- Paulo, eu estou falando contigo! Larga essa revista e olha para mim!
- Fala querida, eu estou te ouvindo!

Nesse momento a esposa puxa a revista com um gadunhão seco e a coloca na prateleira. O marido, totalmente envergonhado apenas a olha com olhar de fúria controlada. Provavelmente ela tomara as rédeas em casa. Desde o dinheiro até a programação de televisão das crianças. Momentos a seguir, depois de respirar um pouco e aliviar a tensão que o tomara conta, Paulo tentou começar mais um diálogo:

- Mas amor, eu estava te ouvindo, para que fazer isso?
- Não estavas! Te chamei três vezes e o máximo que fizesses foi um “hãm”!
- Então! Eu estava te ouvindo, só não queria perder o fio da meada da reportagem sobre o Clinton.
- Eu te pedi para conferir a lista do super junto comigo e preferisses ficar lendo uma revista besta que só fala da vida dos outros. Ainda mais desse ex-presidente americano tarado que assediou a Mônica Lewinski.
- Não é bem as...
- Eu estou falando. Eu sei bem o que ele fez e pelo jeito deves ser como ele. Enquanto estou trabalhando, estás de segredinhos e agarrando a Marise, a tua secretaria.
- O que é isso, amor?
- Eu sei muito bem quando chegas em casa com aquele sorrisinho no rosto querendo alguma coisa. É porque aprontasses alguma coisa e queres o meu perdão, mesmo sem eu saber. É um tipo de redenção, só pode!
- Pelo amor de Deus, fala mais baixo! Os outros não precisam ouvir as tuas maluquices.
- Maluquices? Eu tenho certeza das coisas que aprontas! Até hoje não entendi aquela viagem repentina a Porto Alegre. Negócios. Humpf! Só se for negócio com uma loira de 1,70m de altura, olhos verdes e bunda grande. Eu te conheço Paulo! Não é de hoje! Desde os tempos da faculdade eu já te via esticar um olho para a Rosane e para a Aninha. Sem contar no dia que te peguei conversando com a Aninha enquanto tinha ido ao banheiro. Tu és um sem-vergonha!

E o diálogo não parou por aí. Dava pena de ver. O Paulo sem acreditar em uma palavra que a mulher estava dizendo. (Vamos dar aqui o pseudônimo de “Maria”, para ao menos a dita cuja ter um nome) Com os olhos marejados, escondidos por aqueles óculos de advogado, com forte grau ótico e com as mãos apertadas segurando no braço do carrinho de compras. Todos os olhavam. Até uma criança que tentara brincar com uma embalagem de salgadinhos, daquelas prateleiras na boca do caixa, ficara os olhando sem entender nada. De certo achando aquilo atrativo pelo volume que a Maria gritara em pleno supermercado. Na cabeça de Paulo só passara um pensamento: “- Cala a boca mulher!” E foi o que fez. Ou melhor, tentou fazer de forma ainda meiga:

- Amor, por favor! Estão todos olhando! Vamos pagar as contas e depois resolvemos isso em casa! Tu estás nervosa ou estressada por causa do trabalho e ficas inventando essas sandices como se eu fosse o culpado por teres perdido o caso dos Bittencourt.
- Como é que é? Eu perdi o caso dos Bittencourt? Tu estás louco?
- Era o que dizia aquela carta em cima da mesinha da sala, debaixo do controle remoto do dvd.
- Qual carta? Não chegou carta nenhuma ainda com a resposta do julgamento do caso. A menos que tu tenhas aberto... (o volume da voz de Maria aumenta) Andasses mexendo nas minhas coisas? Quem te deu permissão para isso? Combinamos uma vez que nunca mexeríamos um nas coisas de trabalho do outro, a menos que o outro deixasse ou mostrasse. Tu és um ridículo!
- Eu não abri nada!
- Abrisse sim! É bem a tua cara! Não sei como que ainda ganhas os teus casos. Provavelmente mentes a reveria para os juízes. Deves encobrir toda a verdade com as tuas mentirinhas deslavadas.
- Eu não abri nada! Cheguei em casa e a carta estava debaixo do controle. Provavelmente tenha sido a Letícia que abriu ou o Paulo Roberto.
- Tu achas que duas crianças de cinco e de oito anos vão abrir correspondências? Eles não são metidos e curiosos como o pai deles.
- Me respeita! Eu nunca mexi nas tuas coisas e agora vens me dizer que andei abrindo tuas coisas de trabalho? Pelo amor de Deus!

Paulo tentara se defender com frases curtas, já que o diálogo parecia mais um monólogo por parte da Maria. Um misto de estresse e nervosismo em pessoa que acabara com qualquer clima de final de semana na praia. Uma ótima advogada. Talvez boa. Ou apenas competente – devido a causa perdida no caso Bittencourt. Porém, uma ótima mãe, assim como ela diz:

- Enquanto estás na natação, onde é que eu fico? Em casa! Cuidando do Paulinho e da Letícia. Ajudando eles a fazerem a lição de casa. Dou banho, dou janta, brinco e ainda sobra tempo para te esperar com a janta pronta!
- Isso é uma vez só na semana. Nos outros dias quem é que fica em casa? Eu! Enquanto vais para a tua yôga eu faço tudo isso que acabasses de dizer!
- Que engraçado, não é o que as crianças me disseram. São pequenos mas não são burros quanto o pai. Mexem naquele computador melhor do que tu!
- E o que tem o computador? Enquanto eles brincam na sala, eu fico analisando os processos e preparando as defesas.
- Agora é moda no orkut também ficar analisando processos? O Paulinho me disse que ficas olhando fotos e fotos naquele “programinha de tela azul” cheio de fotinhos pequenas, que quando se clica nelas, abre um monte de coisa, inclusive fotos. E de mulher!
- É proibido entrar no orkut? Tens o teu e eu nem dou bola.
- Claro que não dás bola. Tens a Marise ao vivo e a cores. Para que vais olhar o meu orkut?

A conversa parou por ai. Ao menos Paulo se recusara a responder qualquer outra pergunta que Maria o fizesse. Talvez para fugir dos devaneios da esposa, começara a juntar os produtos em ordem, por setores, assim como ela gostara. Porém, infelizmente, a metralhadora de perguntas enlouquecidas não parava...

- Será possível tu me responderes o que eu estou te perguntando?

(Nesse momento, a fila deu uma boa andada e Paulo levava os carrinhos das compras mais adiante)

- Podes falar comigo ou fica difícil? Estás fugindo de alguma coisa? Eu só quero conversar contigo!
- Conversamos em casa, pode ser? Eu simplesmente não fiz nada e estás inventando “mileuma” coisas sobre mim. Quando chegarmos em casa, ok?
- Visse só? Nunca queres conversa comigo! Eu tento fazer a gente se entender no pouco tempo que passamos juntos e ficas empurrando toda a culpa para mim.

Paulo pensara que tal reação de Maria só pudesse ser obra do temido e famoso tpm. Ela era jovem, provavelmente longe dos 35 anos. Morena, cabelos no meio das costas, magra, talvez uns 60kg. De altura mediana, por volta dos 1,65m. Olhos castanhos e vários anéis nas mãos – que gesticulavam a cada pergunta. Analisando assim, Paulo estava bem acompanhado, a mãe de seus dois filhos estava no ponto. Mas naquele momento, mais no ponto de ebulição:

- Eu vou embora para o carro, me dá a chave! Pagas essas coisas e não demora! Me dá a chave!

O marido foi simplesmente seco, ríspido:

- Toma.
- Para que me tratar desse jeito? Porque me respondes assim? Vais ter que me escutar quando chegarmos em casa. Eu quero conversar!

E lá se foi a balzaquia, passos rápidos e curtos por causa do salto alto. Com seu vestido preto na altura dos joelhos, com a bolsa em punho e a chave na outra mão, a sacudindo como se fosse um chocalho. Todos a olhavam. Não pelo seu feitio feminino, mas pelo seu comportamento fora do normal em pleno local público. Filas de supermercado não são os melhores lugares para se discutir uma relação. Quem está atrás ou na frente, de certa forma, fica sabendo de tudo o que acontece na vida do outro. Não é fila de bebedouro. É a fila da paciência.

Enquanto Maria se dirigira ao carro, Paulo esperava a vez no caixa amargando não só a fila, mas os olhares desconfiados e sestrosos das pessoas na fila. Envergonhado, baixou a cabeça e tentara se distrair somando os preços dos produtos dos carrinhos com a calculadora do celular e soprando as contas:

- R$34,55 mais dois de R$5,84...
- R$46,23 mais um fardo de Coca... Quanto? Oito vezes R$2,59... R$20,72...

- “Próximo!” – chamava a atendente do caixa.

Paulo continuara com a cabeça fincada nos carrinhos fazendo contas:

- R$20,72 mais R$46,23 igual a R$66,95...
- R$66,95 mais duas massas de R$1,34 mais...

- “Pró-xi-mo!” – soletrava praticamente a atendente, até que um senhor que estava atrás dele e na minha frente o cutucou e o acordou daquela fuga dos preços:

- Amigo, é a sua vez!

Ele nem olhara, apenas agradecera de cabeça baixa:

- Obrigado...

O resultado das compras ultrapassou os R$ 500 reais. O da conversa, só Deus sabe. Quem sabe era necessário que ele a entendesse. Também que ela ponderasse a falta de atenção dele enquanto ele lia uma revista depois de um dia de trabalho. O bobo amor se manifesta em pequenos momentos, em gestos minúsculos. Ele lembrara da organização dos produtos dentro dos carrinhos, “por setores”. Já ela, de ficar com as crianças enquanto ele nadava. Nem sempre o amor bobinho vai superar um “D.R.”. Ainda mais um tpm. Mas é preciso conservá-lo e mantê-lo. Até porque um relacionamento não é uma fila de supermercado esperando a hora da atendente com voz de aeromoça dizer com um lindo sorriso estampado no rosto:

- “O próximo, por favor!”

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Bobo Amor - Volume I


Falar em amor nunca é fácil. Tão mais complicado ainda é conviver com um sentimento sem ao menos compreendê-lo. A vida exige muito do coração das pessoas. É um bate-bate sem ritmo normal, altos picos de hormônios sendo distribuídos pelo corpo em conseqüência de um celular tocando ou um e-mail recebido. É estar trabalhando e pensar naquela pessoa. É bobo e é bom.

Lembro do "João, o Apaixonado". Era um verdadeiro Don Juan! Levava flores na saída da escola. Aprontava diversas surpresas para a Jaqueline. Ela ficava boba! Mais boba que seu estado de espírito quando o João aparecia. O João estudava no Joana d’Arc e ela no São Francisco, ambos em Rio Grande. O tempo foi passando, tudo estava tranqüilo e o sentimento cada vez maior. Ambos concluíram o ensino médio e chegara a hora de escolherem qual cursinho pré-vestibular iriam cursar. Para não haver problema de grude e de possíveis brigas por estarem sempre juntos, resolveram matricular-se em turmas de turnos diferentes. A Jaque pela manhã e o João à noite. O ritual continuava o mesmo. Ele a buscava, ela o buscava. Ele cheio de idéias, como sempre. Quem chegava perto podia ouvir o meloso diálogo quando ele a buscava na porta de saída do cursinho:

- Oi amor! Como foi a aula hoje?
- Foi boa! Tive matemática e biologia.
- Qual matéria o Daner deu hoje na aula de matemática?
- Ele deu algumas formas de trigonometria e fez uns exercícios.
- Será que ele vai dar o mesmo conteúdo na aula da noite?
- Não sei, ele disse que a nossa turma está um pouco adiantada. Por que queres saber?
- É que eu pensei em matar a aula para sairmos para jantar lá naquela pizzaria que tu gostas. O que achas?
- Ahh amor, vontade não falta. Mas não quero que fiques matando aula! Ainda mais aula de matemática que tem um monte de fórmulas para aprenderes.
- Uma vez só amor! Vamos? Por favor!
- Fazemos assim então! Tu assistes às duas aulas de matemática e depois matas as duas de biologia, já que tens tanta facilidade para aqueles nomezinhos difíceis!
- Perfeito!

Ela sempre tinha o meio termo com ele. Conseguia tudo o que queria com aqueles olhinhos estalados e sempre confortantes. O diálogo foi a base do namoro deles. Sempre conseguiam achar uma saída para algum desejo ou situação embaraçosa. Um era o vício do outro, mas que sabiam dosar na quantidade certa para que o sentimento não se tornasse uma obsessão.

A Fernanda, secretaria do curso pré-vestibular invejava o namoro dos dois. Sempre se debruçava no balcão de atendimento e ficava ali, babando, analisando cada movimento do João e da Jaqueline. O jeito que ele pegava na mão enquanto simultaneamente fazia um carinho na nuca dela. Ela adorava. Sorria. Arrepiava-se com aquele gesto. Certamente viveria algum problema em seu relacionamento – ou a falta de um – e tentava com base naquele exemplo tirar proveito ao menos pelo belo momento. Ou nem isso. Talvez tivesse orgulho de ver os dois juntos, já que ela sempre o ajudava nas surpresas que aprontavam um ao outro, especialmente o João. Sempre que aprontava alguma, a Fernanda acabava ganhando um drops ou um saquinho de chiclete. Recompensa doce, tão doce quanto o sentimento daqueles futuros acadêmicos.

O tempo foi passando e o vestibular de inverno havia chegado. Porém, nenhum dos dois fizera inscrição para no edital da Fundação Universidade do Rio Grande. Ficaram tristes, pois estudaram muito – mesmo que na metade do curso – para realizarem a prova que, na última hora, a FURG cancelara a inserção de medicina veterinária (pretendida pelo João) e cortara o curso medicina (sonho da Jaque) por poucas vagas disponíveis. Até nisso eram parecidos. Sem contar nas manias que os dois tinham de cumprimentar a todos na rua e nos lugares em que entravam.

Tinham manias diferentes também. Vontades que o separavam, por exemplo, na hora de torcerem por seus times. Ele gremista, ela colorada. Ele adorava baurus, ela preferia torradas. Ele churrascos e carnes bem temperadas. Ela seguia à risca vegetarianismo. O amor é feito de diferenças. De lados opostos que se atraem. Pólo negativo e pólo positivo. Um vértice de um ângulo de 90° graus para Jaqueline e uma relação de 50% dominância de AA (azão de amor) para João.

O pretendido e sonhado vestibular de verão chegara. Os dois muito nervosos, mas no fundo preparados. Jaque faria vestibular na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e na Universidade Católica de Pelotas (UCPel) para o curso de Medicina, além de ter feito inscrição na FURG. Já o João, teve de contentar-se apenas em realizar a prova na UFPel devido também a não inserção de Medicina Veterinária na FURG no vestibular de verão daquele ano. A maratona de provas começara e eles mal tinham tempo para namorarem. Todo o santo dia era aquela correria pela manhã: acordar cedo, tomar banho, café reforçado, trânsito engarrafado nos locais de prova. À tarde, o bom sono estendia os músculos e relaxava os neurônios dos dois. Preferiram não se ver durante a realização das provas. Apenas telefonemas e mensagens de texto para matar a saudade. Na verdade, quase nenhum telefonema, apenas mensagens, meigas e bem bobinhas:

“Oi amor! Tudo bem? Achei as provas de matemática, biologia e histórias boas. Mas não gostei muito da de Física. Tô com muita saudade tua, sabia? Te amo! João.”

“Meu fofinho! Eu também tô com muita saudade tua! Nem quero falar da prova, estou estressada e cansada. Mas acho que me sai bem! Vamos torcer pela gente e depois comemorar muito! Beijinhos, te amo! Tua Jaque.”

E assim foi até o final dos vestibulares. O João ficou só esperando os vestibulares da FURG e UCPel acabarem para correr até a casa da Jaqueline e aprontar as surpresas que tanto adorava fazer. Foram 15 dias sem comunicação ao vivo. João gastou quase R$ 30 reais em créditos apenas com mensagens para ela. Saiu esperançoso do seu único vestibular, enquanto ela se pendurava nos livros para repassar as fórmulas e macetes ensinados no cursinho. Ela sempre gostou de ter tudo definido. Já para o João, bastara apenas dar uma lida e uma rápida revisada no conteúdo.

Os listões com os nomes dos aprovados saíram quase no mesmo dia. Talvez uma boa jogada e um presente de Natal antecipado para os vestibulandos (ou não). Foi uma alegria só! E somente uma mesmo. O único a passar no vestibular foi o João. 5° lugar em Medicina Veterinária, pela UFPel. Jaqueline passou longe de qualquer classificação e suplência das três listas de aprovados. Foi um choro só.

Chegou o Natal, as festas de virada de ano e nenhum carinho conseguia levantar a moral da Jaque. O “víspora”, um cão de raça boxer a fazia carinho, dava a pata e nada de um sorriso. Era do sofá para a cama. Da cama para o sofá. Não comia direito, tinha vontade de sumir e fazer sumir todos à sua volta. Principalmente o João, agora um acadêmico. Ele preparava mil surpresas, tentava tirar um sorriso a todo custo do rosto dela. Sem sucesso. Os pais de Jaqueline já começavam a preocupar-se com seu estado. Provavelmente já estivera uns três ou quatro quilos mais magra. Pálida. Branca. Talvez anêmica pela má alimentação. Dava pena. João quieto, sem saber também o que fazer decidiu ir para a casa comemorar com sua família o resultado e começar a decidir como seria sua rotina no próximo ano, já que a UFPel era em Pelotas e ele morava em Rio Grande.

O verão não foi o mesmo. Ela não o procurara mais. Ele acabou distante, confuso, cabisbaixo. Depois de quase dois anos de relacionamento, de paqueras, namoricos, e todas aquelas coisas bobas magníficas, como cinemas regados à bibs e pipoca, tinha chegado a hora de sua partida. A hora de perceber que a vida toma novos rumos. Novas experiências são inevitáveis e, além disso, mais do que necessárias para o crescimento e amadurecimento do ser humano. João foi morar em Pelotas e levar em frente o sonho de ser um Médico Veterinário. Alugou um apartamento, conheceu os colegas da faculdade, se aproximou de alguns, repeliu outros. Fez novos amigos, conheceu novas gurias, enfim. Ficou com algumas, se apaixonou por duas ou três. Namorou. Namorou com uma delas durante três anos da faculdade. Milena. Quem? Sim. Nada de coincidência. Milena. Aquela secretária no curso pré-vestibular onde João estudara. Tudo muito rápido. No quarto ano, ele a pediu em casamento, ficaram noivos no penúltimo ano de faculdade. Combinaram de casar em seguida que acabassem a faculdade. Tinham bons empregos e condições para isso. Jaqueline nunca mais deu notícias. Não ligou, não enviou mensagens de texto nem e-mails. João casou com Milena no ano seguinte e foram morar em São Paulo. Ele é professor-mestre na USP. Milena, dona de uma clínica veterinária de animais de pequeno porte. Jaque ainda tenta passar em Medicina. Solteira dos homens, divorciada dos amigos. Casada com os livros: unida às fórmulas e fiel às teorias.

domingo, 20 de janeiro de 2008

E Qual a Cor da Toga?


Não sei mesmo qual cor vai ser. Nem tamanho. Talvez um tamanho big, porque sou gaúcho-cearense. Também não sei qual será a sensação de estar concluindo uma faculdade. Acho apenas que o resto da roupa é preta. Faltam exatos 364 dias para a data e a ansiedade já começou a tomar contar de mim. Ansioso desde pequeno, talvez uma qualidade para fazer um projeto e terminá-lo o quanto antes. Um defeito para a saúde do meu corpo; só me atrapalha e me deixa estressado. Três anos que simplesmente voaram. Lembro como se fosse hoje, eu assistindo aulas na turma errada. Tudo bem se fosse apenas um dia. Tudo errado. Foram duas semanas assistindo e teimando com os professores de que o meu nome estaria na lista de chamada na aula seguinte. E depois no outro dia de aula, a mesma história:

- Mas professor, na próxima aula a Cema vai te entregar a listagem completa!
- Marcos, Marcos, não é?
- Isso professor! Leivas. Marcos Leivas.
- Marcos, o teu nome não está na lista já vai fazer quase duas semanas!
- Professor, tu sabes a velocidade da Cema. Ela deve ter esquecido!
- Ela me entregou a última lista de todos os alunos matriculados hoje.
- Hãããm...

E lá se foi o Marcos porta de aula a fora procurando o maledeto informante que o conduziu até aquela sala de aula no primeiro dia de faculdade. Era o queridíssimo porteiro da prefeitura do campus II. Óbvio, ele não poderia saber e nem atender todos que o procurassem. Então talvez escolhesse alguma sala no improviso. Afinal de contas, ele saberia todos os números da sala do campus da universidade. Mas tive que ir perguntar a ele:

- Amigo! Amigo! Hey...
- Diga campeão! (Nesse momento eu apertei a mão com força para evitar dizer alguma coisa feita)
- A Cema pediu para dares uma subidinha ali na secretaria da escola para te entregar um papel.
- Mas que papel?
- Não sei te dizer. Ela apenas pediu para chamar um carequinha gordinho da portaria.
- Ah, obrigado!
- De nada!

Como diria um amigo, o Klaus: “A volta veio e veio de a cavalo”. Que sensação boa! Não gosto de pagar na mesma moeda. Até porque acredito que ele se equivocou quando perguntei qual era a sala. Mas ele nem ficaria tão bravo. Ele perderia uns cinco minutos. Enquanto que eu perdera, vejamos: cinco dias de aula x duas semanas x quatro horas de aula por dia... 40 horas. Sim, eu fui trouxa. Dei uma de House querendo cutucar a Cuddy. Paciência. Right now, eu lembrei de uma frase do Chaves: “A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena!” Já fiz. Vou procurar o remédio para curar. Quem sabe acariciar um cão? (Ainda sinto resquícios de raiva da noite de ontem. Para quem não leu, post do dia 19).

Pelas minhas contas, sem verificar no meu histórico via site da UCPel, foram até agora 38 cadeiras. Com uma média de 25 professores diferentes e os mais diversos colegas. Ainda restam dois semestres. Um ano. Mas que vai parecer uma eternidade para que chegue o dia da formatura. Hoje na hora da janta, conversava com um primo (que chamo de tio devido a grande diferença de idade) mesmo à mesa de janta sobre a trajetória acadêmica dele. Dei boas risadas sobre as piadas que ele contava entre uma história e outra. Não! Ele não é jornalista, mas adora contas “causos”. É médico veterinário, mestre, doutor! Que moral! Um cara sensacional, sempre com a resposta na ponta da língua seja para filosofias de vida ou de bar. Perguntei a ele sobre várias etapas da história acadêmica dele. Contei a ele sobre a minha faculdade, o estado de espírito de meus professores e tudo que vivo diariamente. Falei dos meus planos futuros (iguais aos dele) de mestrado e posteriormente doutorado, para seguir na vida acadêmica, repassando aos futuros comunicadores sociais tudo que aprendo hoje e continuarei aprendendo depois de estar dentro de uma universidade. Porém, atrás da mesa maior. Aquela que todo mundo gostaria um dia de colocar um chiclete ou um super-bonder para perturbar o mestre.

Eu gosto de desafios. Por enquanto sou um feixe de luz em expansão e longitude contínua. Quero seguir bons exemplos. Ter desafios diários para ultrapassar. O que eu não quero é chegar apenas aonde os outros chegaram. Quero ir além. Quem sabe pretender, já que querer é um verbo muito forte e, a meu ver, não preciso de super-poderes para ir em frente. Preciso é seguir o meu coração sem perder a razão. Assim como fez o “Tio” Valmor, que segurou as palavras de baixo calão em frente aos professores-doutores que se julgavam os sabichões, enquanto o correto acadêmico soube se portar desbancando a velha guarda que ainda acreditava em estudos metódicos e limitados. A cor da toga dele e a música de formatura eu não perguntei. Já a cor da minha é uma incógnita. Mas a música eu já comecei a pensar. Até lá, muitas coisas vão rolar. Transições e mudanças totais. Novas experiências. Boas e ruins é claro! Trabalhos “carecantes” e provas estressantes. Estágios e empregos de pirar o cabeção. E até o término deste ano, outros porteiros. Afinal, quando uma porta se fecha para um, outra se abre para outro. É a lei da vida, um troca-troca constante. E entre sobre um troca-troca de cores, prefiro que ela seja... quem sabe, preto com vermelho?

sábado, 19 de janeiro de 2008

A Falta de Um Apito



Fiquei maluco hoje à noite. Não, não foi por causa da poltrona ou das minhas invenções com garrafas pets. Longe disso. A minha loucura se manifestou no trânsito da Praia do Cassino e direção à zona de festas noturnas. Foram mais 45 minutos para percorrer duas quadras. Pasmem! Uma rua de duas mãos, a qual acabou virando mão única devido à imprudência de alguns motoristas – diga-se de passagem, a maioria deles de Pelotas, Bagé e Porto Alegre. Até já tenho consciência - por morar em Pelotas durante o ano - e percebo que 80% dos motoristas pelotenses não utilizam o pisca ou a seta de direção, como preferirem. Dá raiva. Me deixa maluco. Não há música no rádio que me sossegue o comportamento “facão” desse grupo de irresponsáveis. Agora imagine você: de férias, sábado à noite, cinco opções de festas e mais duas formaturas a escolher, beca bem passada, perfuminho atrás das "orebas" e aquele cabelo (des)arrumado. Tudo nos conformes? Engano. O trânsito vai te enganar e te passar a perna bonito, mais bonito que o “pisante” novo que você comprou. É visível o aumento da população quando chega o verão. As pessoas tomam as ruas como se fossem carros. Bicicletas andam na contra mão. Motoqueiros costuram os carros em ruas de areia pensando ser asfalto. Sem falar nos carros. Que loucura, tchê! Se tivesse um apito no porta-luvas (tem de tudo ali, menos um apito) dá vontade de descer do carro e dar uma de guarda de trânsito, apontando para lá, para cá, apitando para aquele gurizão que anda com o carro emprestado do papai ou aquela guriazinha, linda ela, vontade de dar o lugar na fila da festa para ela. Pena é que a dita cuja não tem carteira e ainda cola no Celtinha preto adesivos da Hello Kitty e o lota de outras amigas jóinhas para ir à baladinha de sábado à noite. Dá pena. Se acontece alguma coisa com elas no caminho ou na saída da festa, em que a maioria delas sairá “alegrinha”, quem levará a culpa será o outro motorista. Mais pena ainda. O pior de tudo isso: onde estão os guardas de trânsito da Praia do Cassino? Uma praia em que a população em outras estações do ano não chega nem a 40 mil habitantes, sendo que 8 mil desses aproximadamente têm carro. Em compensação, no verão, o número de pessoas aumenta demasiadamente chegando a 250 mil pessoas. Ah, os carros? Inadmissível a falta de ordem. É óbvio que devemos receber os turistas com o maior prazer – especialmente tirando o dinheiro deles para investirmos cada vez mais em benefícios para o balneário. Porém, a solução cabível é a distribuição de guardas ou até militares nas zonas das festas. Porque se formos até a Avenida Rio Grande, dois a três carros fazem a ronda. Ronda? Pelo amor de Deus, ficam gastando gasolina e profissionais à toa. O que custaria um carro se deslocar até lá e dar um jeito do trânsito fluir e ninguém acabar se machucando ou tendo prejuízos, tanto físicos quanto materiais? Eu não liguei para o 190, mas foi por pouco. Tive paciência enquanto já fazia novos planos para a minha noite de sábado: assistir ao Groismann no Altas Horas enquanto blogasse e depois me grudaria na 4ª temporada de House. Até deu tempo de pensar no que fazer no domingão. A primeira coisa é ir ao super comprar uma dúzia de apitos e colocar no porta-luvas do carro. Ganharei mais uma ocupação: vou virar guarda de trânsito nos finais de semana. Vou sim.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Praia do Amor




Hoje o post virou música! Nada melhor que expressar opiniões e sentimentos através da música. E como é verão, nada melhor que lembrar de uma composição que fiz em 05 de dezembro de 2004. O nome dela é "Praia do Amor". Uma canção que fala dos pequenos prazeres da vida, os quais eram meus maiores companheiros há anos atrás. Mas, coincidência ou não, alguns deles ainda fazem parte da minha vida. Por curiosidade, esta música foi até gravada! Em reggae/pop rock e até em pagode! Pena que os arquivos sumiram do meu computador. Prometo procurar e um dia publicar!







Autor: Marquinhos
Música: "Praia do Amor"
[05-12-04]


Todo dia bem cedinho eu acordo
Pra chegar na praia e curtir
Encontrar os amigos, ficar numa boa
Pegar uma onda e sair por aí

No Cassino que vale é a curtição
Não posso ficar parado
Nem pensar em ficar cansado
O que eu quero é me divertir

Praia, sol e calor
Futebol, surf e mar
Beijinho com paixão e sabor
Essa é a praia do amor...

O dia já se foi
Já sinto aquela brisa soprar
Deitado na rede espero pra ver
A gurizada chegar com a carne e espeto na mão
Pra fazer um churras irado, tudo é curtição

Praia, sol e calor
Futebol, surf e mar
Beijinho com paixão e sabor
Essa é a praia do amor...

E no outro dia é mais emoção
Mais curtição e vibe no ar
Mas se o surf não rolar
Se chover e o futebol não valer
E se a guria não me chutar
Eu sigo na paz de Deus, pode crê

Praia, sol e calor
Futebol, surf e mar
Beijinho com paixão e sabor
Essa é a praia do amor...








* Foto de Rafael Maglione

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Reciclagem Artística


As pessoas que freqüentavam o meu apartamento de Pelotas, ano passado, começaram a me chamar de desocupado. O motivo? Só porque comecei a juntar garrafas pet cinco litros em um canto da sala. Entendo que a loucura de uns chega a ser absurda. Mas guardar garrafas plásticas não é algo tão maluco. A meu ver é um gesto solidário. Você sabia que o plástico demora cerca de 100 anos para se decompor? Eu fiz a minha parte. Em 2007, de abril a novembro, lá em casa, foram consumidas 37 garrafas de água pet cinto litros. O que equivale a 185 litros de água potável que foram consumidos durante oito meses, sendo que 20 dias úteis por mês: 160 dias no total. Morando sozinho é uma boa média para quem não toma refrigerante desde 2001. É claro que tomo sucos, nescau, vitaminas e “misturebas”, mas recorro à água para matar a sede ou até quando não tenho vontade de tomar. Segundo os médicos, o correto seria tomar de dois a três litros de água por dia. Fazendo uma conta com base nos números já citados, por alto, levando em consideração apenas a água potável consumida no meu apartamento, a média ficou em 1,15 litros por dia. Tive orgulho disso. Porém, tenho mais orgulho em ter ciência do papel da reciclagem. Não custa nada separar o lixo orgânico do reciclável. Fez pizza? Joga a caixa da pizza no reciclável. Tomou aquele vinho tinto junto com a pizza? Separe o vidro em outra sacola. E aquela latinha de leite condensado? Coloque em outra sacola. Cortou tomate? Fez aquela batida de banana? Separa o orgânico em outra lixeira ou saco plástico. É simples e não custa nada usar um pouco do bom senso para preservar nosso planeta. Quanto às 37 garrafas acumuladas elas terão em breve um destino: virarão uma poltrona (16 garrafas), um puff (6 garrafas) e duas mesas de cabeceira de cama (16). A idéia de montar essas peças surgiu depois de assistir a uma edição do "Programa do Jô" e ver móveis e outros acessórios completamente montados com garrafas pet 2 litros. Eram camas, sofás, abajures e até canoas e jangadas. Além, da entrevista no Jô, existe um outro site muito completo que aborda o assunto reciclagem como uma visão solidária. É o "Recicloteca" – projeto organizado pelo Professor Feijó, criador da técnica de elaboração de móveis com garrafas pet. Vale conferir! Enquanto você olha o site, vou incorporar meu lado artesão e começar a montar as peças. E vocês, que me chamaram de desocupado e até de maluco, terão coragem de sentar na poltrona? Ou colocar os pés no puff? Só quero ver! Vou ali procurar na lixeira do vizinho uma última garrafa para fechar a quantidade correta de garrafas dos meus futuros móveis. Ah! Vocês aí, não esqueçam! Se o Pedro Bial diz para usar o protetor solar, eu reforço: usem e abusem! Só não esqueçam também da importância da água para o corpo. Taquem protetor e água nele. Acreditem.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

A Impostomania


O Natal já se foi. 2008 já chegou e as lojas estão ganhando dinheiro com as liquidações. Mas também estão perdendo. Hãããm? Como assim? É verdade! Vou tentar explicar por uma teoria simples que é fácil de colocá-la em prática. Você já notou a quantidade de um mesmo produto que uma loja adquire? Normalmente em lotes de 50 ou 100. Vamos citar um exemplo: uma televisão de 29 polegadas. Há dois anos atrás, um aparelho televisor era vendido para os clientes das lojas por aproximadamente R$1199,00. Enquanto que o mesmo chegava às lojas custando, a unidade, no preço de fábrica de míseros R$599,00. Agora diminua e veja o quanto às lojas ganhavam em cima de um televisor. Sim, R$600,00 por televisor. Atualmente, os mesmos aparelhos, chegam ao consumidor por volta de R$499,00. Uma redução de 41,61% em cima do valor bruto de venda. E o preço que eles chegam às lojas? De graça? Praticamente. Tudo por causa dos televisores de plasma, LCD e home-theaters de tecnologia digital que acabaram tomando conta das lojas, do mercado concorrente entre as lojas de eletrônicos e, principalmente, no consumismo exagerado das pessoas que tentam alcançar a tecnologia adquirindo essas parafernálias. O sistema analógico funcionará até 2016, enquanto que o sistema digital – já estabelecido em São Paulo – será implantado pelo governo federal juntamente com as emissoras televisivas a passos lentos até 2013 devido ao alto custo de instalação da tecnologia. O que ninguém percebe é o quanto as lojas que vendem esses produtos perdem com isso. Não quero aqui defendê-las ou criticá-las de maneira depreciativa, e sim analisar a situação. Como pessoas físicas e possuidoras de bens, reclamamos constantemente dos impostos e altas taxas que o governo aplica. IPTU, IPVA, IOF e assim por diante. Muito diante. Agora, imagine você quantos impostos uma loja possui? Segundo o SEBRAE de São Paulo, a “impostomania” é a seguinte: IR - Imposto de Renda; CSLL - Contribuição Social sobre o Lucro Líquido; PIS - Programa de Integração Social; Cofins - Contribuição Financeira Social; IPI - Imposto sobre Produtos Industrializados; II - Imposto de Importação; ICMS - Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços; ISS - Imposto sobre Serviços. Vale compreender que é um dever honrar com as obrigações financeiras com base nas receitas adquiridas nas vendas. Muitos dos impostos citados podem ter uma carga relativamente pequena. Porém, são considerados gastos quando executados mesmo que em mínima escala, apoiando-se em lucros reais, presumidos e federais. Envolvendo a jogada toda, o que se pode dizer é que se uma loja não vende suficientemente para suprir o dinheiro gasto no último estoque e tirar uma boa quantia para garantir o próximo, os oito impostos aqui citados mais os gastos com funcionários, equipamentos de segurança e também com o marketing e a propaganda – uma das únicas saídas a fim conseguir renda: manter e aumentar a clientela – o futuro torna-se incerto. Alguém sentiu falta da extinta CPMF? Ainda bem que o ano virou e ela ficou na história. Mas será que ficou? Eu ainda sinto o cheiro dela...

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Maldita Curiosidade


A famosa “Avenida Rio Grande” da Praia do Balneário Cassino não é mais a mesma. Dos meus 21 anos de vida, desde que a freqüento como um homenzinho, muitas coisas mudaram. Dá até medo! Será a globalização? Ou culpa do Bebé? Não sei. Mas eu ainda descubro! Normalmente a madrugada ali é tranqüila. Os mais diversos grupos a freqüentam: rodinhas de violão, hippies, bêbados, trêbados e até desmaiados que fazem dos bancos seus berços de descanso. Mas quarta-feira foi diferente, muito diferente. Chegamos por volta das 20h. Eu e meu brother Vinícius. Caminhamos do início ao fim umas três vezes, quiçá quatro. Nessas idas e vindas, paramos diversas vezes para cumprimentar alguns conhecidos. Alguns deles, nos comentavam sobre um carro parado há mais de horas na esquina da rua Porto Alegre. Um Fiat 147, verde casca de abacate com película solar das mais escuras. Até aí tudo bem. Porém, o curioso era que algumas pessoas – segundo os nossos conhecidos – se dirigiam até o carro, entravam e saíam depois de algum tempo. Entendível até certo ponto, mas ainda curioso – ainda mais para mim. Um Fiat 147? Eu quero ver. (Diga-se de passagem: sou fascinado pelos cascudinhos). Resolvemos voltar por livre e espontânea pressão súbita de minha parte até as imediações da rua Porto Alegre. Sentamos em um banquinho na diagonal ao carro. E ali ficamos por volta de 30 minutos. Mais 25 minutos. E nada! Entre um mate e outro, prosas e comentários (im)pertinentes sobre quem passava pela nossa frente, de repente, uma guria que aparentava ter uns 18, 19 anos, branca, com calça jeans e blusa rosa entra no carro pela porta do carona; enquanto que simultaneamente pela porta do motorista sai uma outra guria bem mais nova, morena, de saia branca e blusa preta. Ah meu Deus! Era verdade o tal comentário ou a fofoca daquelas pessoas. Pensamos na hora: vamos ter que ver de perto. O mais curioso ainda é que o tempo passava e nada acontecia. Mais 50 minutos. Uma hora. A água do mate acabou e as balinhas coloridas em forma de minhoca já estavam no fim. “Que porcaria ser curioso!” – disse o Vinícius. Eu apenas disse um simples: “Pois é!” - sem querer tirar os olhos do carro. E lá seguimos nós tentando decifrar o que estava rolando dentro daquela pequena relíquia de automóvel. Dos pensamentos mais insanos aos mais sem nexo. Um (mo ou ho)tel móvel, um filme (talvez uma temporada inteira de um seriado) ou até pessoas fumando o capeta. Oh céus! Curiosidade poderia ser um pecado. Talvez um dos mais cabulosos, pois todos mudam seu comportamento em virtude de querer descobrir alguma coisa. E lá ainda estávamos nós, esperançosos que descobriríamos o que estava acontecendo, quando mais uma pessoa se aproximou. Esta demorara um pouco para entrar. Pelo jeito, a porta estava trancada ou as pessoas se acomodavam melhor para ela embarcar. “Mais uma guria, meu!” – comentou o Vinícius, louco louco para estar dentro daquele Fiat 147. Afinal de contas, quem não queria? Somos dois e lá dentro, no mínimo, são duas, já que da última vez não saiu ninguém do carro. Ah maldita curiosidade! O tempo passava e o mesmo ritual se repetia. Nada acontecia. Sem luzes dentro do carro, sem balanços, sem fumaças. Enquanto isso, o mondaime já marcava 23h e 17min. Que saco! Lembrei da última música do Gilberto Gil, “Olho Mágico”: “Que saco, como se isso fosse um jeito de bisbilhotar o silêncio”. Era um bisbilhotar alheio que nos prendeu durante horas, pior que ficar entrando em perfis do orkut para saber das últimas mudanças na vida dos outros. É brabo! Mais meia-hora e nada. Quase meia-noite. Até que o Vinícius resolveu ir comprar mais balas para ao menos a gente engordar um pouco e adocicar o tempo que se arrastava. Eu fiquei ali, sentado, num lento ritmo de piscar os olhos. Pimbaaaa! Da onde saiu eu não sei, mas outra guria chegou e entrou direto no carro! Mesmo rápido, percebi que ela era estonteante, avassaladora, perfeita. Se o Vinícius a tivesse visto, ele iria ao menos dizer “Oi guria!” – como se a conhecesse realmente de outras Querências. Quando de repente, depois de mais de 10 minutos, ele voltou e começou a falar:


- Ô meu, não vai lá! Não vai lá!
- Mas qual o problema? Eu só quero ver e fui tu quem me incentivou!
- É que eu também fiquei curioso, mas agora...
- Agora? Travou? (doze segundos depois)
- Suspeito que tenha alguma coisa de errado lá. Não vai!
- Olha quem me diz isso, o mais corajoso da GM!
- Eu sei a hora do perigo e a hora da brincadeira e tenho certeza que o lance é do mal!
- Me alcança o celular e a câmera que eu vou lá tirar isso limpo!
- Ô meu, eu te avisei, depois não vai falar que eu não tentei te impedir!


E lá fui, assaz curioso, com o celular e a câmera em mãos querendo saber o que havia de tão estranho naquele carro abandonado em plena avenida. O que seria um Fiat 147 com três gurias? Nenhum vidro aberto. Nenhuma luz. Nenhum balanço. Comecei a pensar no pedido de atenção do Vinícius, afinal, ele sempre foi o mais destemido da gurizada e agora estava dando para trás. Olhei as horas: 00h e 23min. Me prometi de chegar abordando o carro às 00h e 25min. É, eu costumo marcar horas corretas no relógio como estímulo de tomar coragem, desde pequeno. Atravessei a rua, parei na esquina e as pernas começaram a bambear. Mas ainda firme fiquei e segui mais um pouco, me escorei na parede de uma loja e fingi falar no celular. Faltava menos de um minuto. Caminhei em direção ao carro. Liguei a máquina e abri o celular para dar luz. Apressei o passo. Pulei uma poça d’água. Atravessei novamente a rua para dar o bote indo por trás do Fiat. E faltava menos de 30 segundos. O medo se foi embora. Comecei a estufar o peito e enchê-lo de coragem e não de ar. Caminhei mais um pouco e me escondi atrás de uma árvore. 57, 58, 59... 00h 25min! Sai correndo com toda a cara-de-pau e curiosidade possíveis, coloquei a luz em direção ao vidro, tentei abrir a porta. Estava trancado o lado do motorista. Corri do outro lado para abrir o da carona. Alguém ligou o carro. Engataram a primeira, arrancaram. Passaram para segunda e saíram em disparada para a rua principal, a Avenida Rio Grande. Tentei correr atrás, mas o Fiat 147 se mandou em direção a praia. Nenhuma foto, apenas vultos e sombras das quatro, sim, quatro pessoas que estavam dentro daquela relíquia. A placa eu anotei, mas obviamente não divulgarei. Já a verdade eu não descobri. Porém, uma coisa é fato: casos curiosos só acontecem na maior praia do mundo, a Praia do Cassino.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Dear Vacation!

Férias! Existe palavra mais bonita? Deve existir, mas nas circunstâncias atuais de final de ano, nenhuma traz uma força tão boa. Nada de trabalhos, de faculdade ou de provas. Pensando bem, existe outra palavra... praia! Sabe que não? Pensando melhor ainda, existem outras... sol, mar, areia, futebol, cama, sono, colchão, rede, crepe, panquecadas, barracão, compras, viagens, chimarrão, corridas, treinos até algumas discussões, enfim. Tudo isso bem aproveitado ao lado da minha família e a extensão dela: os meus amigos.
Mais um ano acadêmico se acaba. Todos trabalhos e provas que ganharam uma boa quantidade de horas e dedicação, fazendo com que eu ficasse longe do meu sagrado futsal e saudosa natação. Quanta tendinite acumulada, stress exagerado. Dava vontade de sair sem destino para não me preocupar com nada. Só que acontecia ao contrário, depois de algumas horas, o costume ou quem sabe a vontade de preencher o meu tempo com algo construtivo para o meu futuro. Como sempre fui de correr atrás das coisas e dos meus objetivos, sacrificando algumas atividades que gosto, valeu e valerá sempre a pena ficar focado em aprender e reaprender qualquer tipo de teoria, prática ou lição, seja ela profissional ou de vida.
Já o melhor depois da correria de faculdade, é poder voltar para a minha cidade. Rever meus amigos, minha família. Correr na praia todo o santo dia (quando a preguiça não atacar). Combinar o sagrado churrasquinho com os brothers de plantão depois daquele futebol esperto de final de tarde. E se o supermercado ou o Carnes Nobre de Bagé estiver fechado, a gente recorre a famosa e esperta massa. De preferência a “Biroska” para não perder o costume.
Imagine você acordar cedinho em plena praia, lá por volta das 6h e sentir a brisa do vento e escutando o canto dos pássaros que se debandam em direção ao mar? “Pois é, eu moro no lugar onde você tira férias” – assim como dizem os Catarinenses. Engano deles, eu também moro e não preciso ir até lá para aproveitar e me sentir saudável e completo. Não tiro o mérito do lugar onde moram, pelo contrário, vale o passeio e até a morada. Mas a Praia do Cassino... Ah, o Cassino! Lugar perfeito. Nada melhor que isso para resumir. Desde 1898, (antigo Vila Siqueira) a Praia é local de todas as tribos. Principalmente para aquelas que curtem uma boa praia. São 245km - sendo 223km praticamente inabitados - de extensão de um molhe ao outro, com uma rica diversidade de espécies de aves nativas e migratórias que acabam tornando o cenário mais atraente e ímpar. Surfar perto dessas espécies, sempre respeitando o espaço do homem e da natureza, ou apenas estar na beira da praia admirando a força dela, é o melhor remédio contra o stress de trabalho ou da faculdade. Recomendo!
Buenas! Muitos outros posts virão tendo como pano de fundo a Praia do Cassino. Mesmo com os pés para cima, curtindo cada instante das minhas férias, voltarei assim que sentir saudade de escrever e tiver um tempinho para contar minhas aventuras e loucuras de verão. Prometo voltar antes do Natal. Agradeço aqui a todos meus colegas pela companhia neste ano acadêmico de 2007. Trabalhos, estudos e viagens. Você foram essenciais para que essas férias ganhem um gostinho especial de liberdade, ainda mais se elas tiverem vocês como companhia! Sem contar a minha família que sempre esteve me estimulando e apoiando cada decisão que tomava. Muito obrigado!
Ahh, já ia esquecendo! Lembra das brigas no inicío do texto? Todas elas acabam em massa! Nada de pizza. Uma massa ao alho e óleo, uma massa com molho vermelho, quem sabe outra com molho de queijo! Hmmm! Tem também aquela de molho branco com calabresa, sem contar a de bolonhesa, a de catupiry com azeite português. Só de pensar dá água na boca! 11h45 de amanhã: tchau trabalho! 11h46, destino: Praia do Cassino.