segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O Jornalista e a Economia

“... por que existe o desemprego? O que causa a inflação do nosso país? Por que há tanta miséria no mundo se o homem consegue produzir cada vez mais riquezas com a tecnologia que avança a cada dia? Por que o povo brasileiro é tão pobre se tem uma natureza repleta de riquezas naturais?” Eis a questão!

Pudera começar uma relação, traçar parâmetros entre o Jornalismo e a Economia sem tentar ao menos compreender essas afirmações que são tão aparentes no cotidiano das pessoas. Por um lado, como um futuro comunicador, vejo essa relação muito próxima, independente que seja um tanto quanto complicado para nós que lidamos tão bem com a interpretação e com o jogo de palavras, tentarmos colocar dentro da nossa didática, os tão temidos números e relações econômicas. Já por outra visão, é imprescindível absorver esse conteúdo de números e jogos interpretativos para podermos passar a mensagem à nossos receptores.
A importância da relação do jornalismo com a economia pode ser expressamente evidenciada a partir do ponto que a verdade jornalística é sempre transmitida – ou deveria –, com valores morais e éticos. Um bom jornalista, um jornalista ético passa a notícia tal como ela é aproximando o conteúdo da sua notícia à cultura do grupo social pretendido.

A economia, dentro do jornalismo econômico, nada mais seria que o tema central de sua meta, ou seja, repassar da melhor maneira possível aos seus receptores os fatos esmiuçados para um melhor entendimento, visto que tal tema, na quase totalidade das vezes, é formulado em um outro nível de saber, o saber das teorias econômicas representadas por números, índices, porcentagens e afins.

Um dos problemas centrais do jornalista dedicado à economia, seria a precariedade das teorias econômicas, divididas em grande número de escola de pensamento, manuseadas por instrumentos de persuasão ideológica, acabam deixando o profissional que as pesquisa cada vez mais distante do seu foco: o próprio homem.

Outro fato que integra e ressalta a importância de relação entre o jornalismo e a economia é a linguagem da qual o profissional da área se utiliza para passar as informações. Desde clareza a entendimento, a partir da complexidade dos números e situações da economia, um jornalista pode se possuir de um linguajar simples e objetivo. Por exemplo, ao invés de explicar que PIB (Produto Interno Bruto) é o valor de toda a produção de bens e serviços conotados das ocorridas ações dentro das fronteiras do país, sem considerar a nacionalidade dos que se apropriam de rendas, porque não dizer que PIB é simplesmente o valor de toda a produção do pais? É simples ser objetivo. É saber interpretar tais conceitos e, com clareza e objetividade, passá-los a diante, aos nossos receptores ou futuros receptores.

Além de traçar uma relação com o jornalismo, tais relações e parâmetros se afunilam quando levamos em consideração a nossa formação estudantil e profissional, visto que vivemos em um país onde a média geral não passa das séries fundamentais, é necessário compreender que tal conhecimento de economia também serve como lição de vida. Pois, para entendermos, quando assistimos a televisão nos comunicar índices, gráficos e porcentagens é necessário termos uma bagagem para possível interpretação da situação em que se encontra o país.

À luz da possível interpretação dos fatos econômicos torna-se um pouco mais fácil responder às questões colocadas no enunciado inicial do texto. Com base em algumas teorias lidas, diria que a situação atual em que se encontra o Brasil, poderia ser por conseqüência de raízes históricas, como por exemplo, desde a época do ouro, do mercantilismo, onde o rei acumulava grandes quantias para ter o direito do poder, da riqueza e também o direito de lutar. Esse pensamento, se relacionarmos com a atualidade, veremos que há grande ligação. Aqui, em nosso país, os comerciantes e até o próprio governo não conseguem operar em regime de competição e acabam considerando o ato da venda ou o ato de cobrar impostos, no caso do governo, como uma oportunidade de enganar o comprador e a partir desse método, um pouco da desigualdade pode ser explicada.

Creio que é supra necessário e importante a relação que há entre o jornalismo e a economia. Ambos convivem lado a lado em uma disputa por números e índices incessantes. Como um futuro jornalista, não cogito a possibilidade de ir parar no ramo dos números, das interpretações numéricas, mas farei a minha parte com relação a dar luz, levar em si a melhor interpretação a quem precisar de uma ajuda na hora de compreender melhor esses termos da ciência econômica. Tenho ciência, como brasileiro racional, de que a situação é extremamente complicada para o lado do nosso país, mas tenho, como identidade grupal desse mesmo Brasil, a esperança de que teremos um futuro mais tranqüilo independente das dificuldades. A resposta para a questão, não basta mais apenas olharmos a situação atual, temos é que ser racionais e a partir dos nossos insumos, investimentos e custos de oportunidades pessoais, fazermos a nossa parte para garantir o nosso lado. Trabalho e esperança redobrada. Essa é a questão.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Mais Uma Despedida

Sempre tentei compreender o significado de uma família. Casa cheia, churrasco no final de semana, jantas aleatórias para ter o pretexto de juntá-la, campeonatos de pontinho, enfim. Só que sempre faltou uma pessoa. Não falo das pessoas que me deixaram indo para o outro lado ou de parentes “móveis”. Falo é de um animal de estimação, não um passarinho ou uma tartaruga; um cachorro.

Os cachorros são amigos do homem. Ninguém vai contra isso, porque eles realmente são companheiros e fiéis. Os pais vão para o trabalho, as crianças para a escola e amiguinhos ficam ali, esperando, roendo um brinquedinho ou tirando uma soneca gostosa na espera do retorno de seus donos, dos seus parentes.

Desde pequeno sempre quis ter um cãozinho. Meu pai também. Ele não tivera também um cachorro quando pequeno. Tinha o mesmo desejo que eu – talvez até maior devido ao tempo de espera para ter um. Morava em um apartamento, grande até, mas inadequado para ter um. Tapete no piso e pequena área apta para as necessidades de um animal, mesmo que ele fosse minúsculo. Depois disso, quando fiz nove anos, eu e meus pais mudamos para uma casa, gigante! Oportunidade perfeita para termos nossos novos amigos de quatro patas. Eu pretendia ter um basset hound e meu pai um pastor belga, capa preta. Porém, muitos problemas começaram a surgir na nossa família, entre eles a perda do meu pai.

Traumático. Sonhos sendo realizados depois um tempo. Perdas sendo absorvidas. Que dor no peito, que nervosismo. Ninguém para desopilar ou poder desabafar. Amigos, poucos e bons, mas não o sonhado cachorrinho para me ajudar a superar aquele momento. Tios, tias, avô e avós, ninguém e nem nada conseguiu me colocar para cima. Foi aí que surgiu o sagrado futsal para amenizar a minha dor e superar as perdas.

Em 2001, consegui comprar um cachorrinho. Escondido. Ninguém sabia, muito menos minha mãe. Um cocker spainel macho. O chamei de Dick. Era teimoso, mas muito dócil. Problema: já morava em outro apartamento novamente. Entre roídas e caguinhas pela casa, ele se adaptou ao apartamento e depois à casa de praia no período das férias de verão. Depois de alguns meses, no lugar dos seus pulos de canguru de felicidade, apenas tristeza. Fiz questão de não vê-lo naquela situação. Elegi minha mãe para levá-lo no veterinário – talvez uma fuga da minha parte por mais perdas que pudesse vir acontecer – para diagnosticar o que estava o deixando tão quieto. Passada uma semana, ele morreria de parvovirose, de repente. Mais uma perda na minha vida. Pouco tempo de convívio, mas um apego muito forte. É relação homem x animal que se fortalecia de maneira rápida e pura.

O tempo passou e eu sofria calado. Sempre que via um cachorrinho cheirando as árvores aqui da casa da praia procurava alguma coisa para alimentá-los. Um restinho do almoço ou até o meu bife da janta. Foi assim que amadureci, tentando dar carinho a algo que aprendi a dar muito valor. Às vezes, os cachorros dos meus amigos – com o perdão da ambigüidade – eram mais paparicados do que eles próprios. (Nesse momento uma amiga me liga) Carinhos, brinquedinhos e até uma casinha de madeira feita com aquelas madeiras de caixas de frutas das feiras de rua. Atacava até de carpinteiro para fazer o bem ao próximo.

Já no verão de 2006, teimei de novo. Ganhei um filhotinho de dashound com vira-lata (S.R.D.), preto com branco, de uma amiga. Foi só alegria. Dormia no meu quarto, enrolado numa camiseta velha que usava de pijama. Lá pela madrugada, começava com chorinhos e rosnados. Lá ia o Seu Marquinhos sentar no chão do quarto para ficar brincando de bola com o pequeno. Ah, o nome? Tuxo! Não sei da onde saiu esse nome! Talvez do meio-campo do Criciúma da temporada 2006. Passado um mês, minha mãe não agüentou os choramingos do filhote - talvez por causa de seu sono leve ou medo de perder mais um filhote – e junto com uma outra pessoa, acabou achando um novo dono para ele. Segundo notícias e fotos recebidas, ele vive bem, gordinho, saudável ao lado de seu irmão de sangue, um outro pequeno orelhudinho.

Quem disse que eu não tentaria novamente? Dessa vez veio uma fêmea: a “Indefinida”. Teimei. Comprei um filhote de dashound, número um. Uma fêmea. A coisa mais querida! E aquele ritual de “paizão”, que acordava de madrugada para fazer um afago ou dar uma brincadinha, começara de novo. As pessoas aqui de casa a tratavam como princesa. Compridinha, fazendo jus à raça apelidada de “lingüiça”. Virou colorada (de Porto Alegre) por minha vontade, mas me salvo nisto: seu primeiro latido fora em uma partida do Internacional de Porto Alegre contra o Internacional de Santa Maria. Gol do Iarley, o número dez do colorado da capital. Foi uma surpresa. Nem vi o replay do gol, fiquei comemorando com ela, como se o gol tivesse sido dela. Que alegria... que em breve se transformaria em mais perda. Porém, desta vez, uma perda consentida pela razão.

Hoje, dia 27 de janeiro de 2008, por volta das 16h horas, depois de boas conversas com minha mãe, decidimos que não haveria condições de ter um cachorro como animal de estimação. Vários motivos. A saúde de minha avó, compromissos diários, eu ausente devido à faculdade e trabalhos morando em outra cidade, enfim. Eu haveria de dar tchau ou adeus e dar a cadelinha a alguém. Liguei para duas amigas que tinham se apaixonado pela “Indefinida” – não deu tempo de dar um nome – para ver se haveria disponibilidade de aceitarem a minha “filha” já que moram em casas. Não me atenderam. Uma delas, a Fernanda, aquela amiga citada acima na hora da ligação. Tarde demais. Eu já tinha ido até a casa da Dona Maria, no Parque São Pedro, entregar a pequena. Chegou pesando 1,430kg. Foi-se com 1,986kg, coincidentemente o ano que nasci.

Foi a minha última experiência em ter cachorros como animais de estimação. Teimei, fui feliz novamente. Chorei, mas aprendi. Uma vez tudo bem, duas até vai e como três é demais, resolvi que não vou repetir isso, mas com uma condição: até ter uma casa e ter a minha família. Nem que isso demore anos e anos, vou continuar dando comida para os meus visitantes de porta e construindo casinhas com madeiras de caixas de frutas. Isso me faz bem. Quem sabe até lá eu não queira ter um pastor belga capa preta e meu filho um basset? Só o tempo e Deus dirão...

“Guarda as lembranças dos momentos que vivemos juntos. Leva contigo o meu sorriso ao te ver bocejando e balançando o rabo em plena madrugada. Não esquece do teu primeiro latido, quando o nosso colorado fez aquele gol. Não esquece dos chinelos cheios de pedrinhas e do colos das bisas. Pensa nos carinhos da Fernanda e da Bruna quando estiveres triste. E que sejas feliz, muito, na tua nova morada!”

sábado, 26 de janeiro de 2008

A Estréia na Copa RBS


O melhor resultado não veio na primeira partida. Placar final: 6 a 1. Uma derrota aceitável. Três gols entregues pelo forte vento da beira da Praia do Cassino. E os outros por falta de entrosamento do time e boa competência do adversário. O gol do Planeta foi marcado pelo agora zagueiro Vinícius "Pinto" com um golaço de falta no ângulo. Ao menos uma jogada elástica já que o resultado foi negativo. Um time de amigos jogando contra o qualificado time da Sul Marcas/Mendes Assessoria que entrou em campo com bons nomes do futebol de Rio Grande: o goleiro Ciro (ex-Rio Grande) e o centroavante Flávio Leonetti (ex-São Paulo) - que abriu o placar do jogo com um belo gol de letra. Valeu Planeta pelo esforço e ao Sul Marcas/Mendes Assessoria pelo jogo limpo. O próximo compromisso do nosso time é quarta-feira, às 22h, contra o time do São Caetano, que derrotou o time do Mano Lanches pelo placar de 6 a 3 neste final de semana.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Planeta Esporte Solidário


Planeta Esporte Solidário. É este o nome de um projeto experimental, oriundo da faculdade, que se tornará realidade amanhã, às 20h, na Arena Esportiva da Praia do Cassino, atrás da Iemanjá, pela segunda rodada da Copa RBS de Beach Soccer. Este projeto tem a pretensão de recolher alimentos para as famílias carentes de Rio Grande. O plano principal é a solidariedade. Junto disso, unir um grupo amigos para fazer o que se gosta: jogar futebol.

Na quadra de futsal, no campo de 11 ou 7 e até na areia, todos sempre comemoraram gols, cumprimentaram-se por jogadas bonitas e lances elásticos. A partir de agora, todos eles continuarão fazendo as mesmas coisas – quem sabe até com um pouco mais de habilidade – mas, com um incentivo a mais: ajudar o próximo através do prazer pela prática do esporte.

Ninguém é craque de bola. Longe de ser um Kaká e bem menos que o Fabiano “Cachaça”. O que irá prevalecer não é o resultado dos jogos e sim o prazer de estar entre amigos realizando uma ação beneficente. Tudo bem que estamos em um campeonato e o importante é competir, mas bem que podíamos ter lances elásticos ou apenas uns “golinhos” para não fazer feio, hein? Tudo está em nossos pés e nas mãos dos nossos goleiros.

A Copa RBS de Beach Soccer não tem nenhum caráter filantrópico e não possui ligação com este projeto. Ela apenas servirá para o treinamento do time, que a partir de abril de 2008, realizará eventos promocionais com times adversários da cidade – de times campeões em outros campeonatos citadinos, times locais e seleções de escolas públicas e privadas.

O P.E.S. terá mobilidade quanto a seus integrantes. Os jogadores participarão de acordo com suas disponibilidades de horário. O grupo deste verão para a disputa da Copa RBS é o seguinte: Goleiros: Jorge e George; Zagueiros: Eric, Vinícius “Pinto” e Christian “Cachorro”; Meio-Campo: Matheus Costenaro, Lucas Schuch e Giancarlo; Atacantes: Marcos e Paulo “Grall”.

A partida de estréia do Planeta será amanhã contra a equipe da Sul Marcas/Mendes Assessoria. O foco principal do projeto ainda não estará valendo, mas quem sabe você não faz a diferença e já contribui? Se não com um alimento não-perecível, com a sua torcida?


P.s.: Obrigado ao Tio Gustavo do Brik Fest e ao Tio Mauro da MQ Bello pelo patrocínio;

P.s.2: E obrigado a você que não quis ler o post e veio direto para o fim. Um resuminho de hoje logo abaixo:


- Resumo do Post:

Este é o uniforme do Planeta Esporte Solidário. Um time de amigos que resolveu fazer como o Ronaldinho e o Zidane fazem lá pela Europa em “Amigos do Ronaldinho” contra “Amigos do Zidane”. Não recolhemos nenhum dinheiro. Apenas alimentos não-perecíveis. Sim, estamos metidos em uma Copa de Beach Soccer que não é a nossa praia – jogamos apenas futsal. Estamos seguindo o lema “o importante é competir”, mas somos exceção porque queremos ao menos ganhar uma partida ou perder por poucos gols sofridos. Invejou? Faz igual, ou melhor. De preferência melhor, porque este projeto é um gesto solidário. Quem irá lucrar não somos nós, os invejados ou os invejosos e sim o planeta, seu cururu! Um abra pra ti! _o/

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

A Internetzinha Que Faz Sucesso

Nunca foi tão fácil ter acesso a uma quantidade exorbitante de informações de todos os meios culturais de fontes tão diferentes desde a sua criação. A Internet está modificando de forma extremamente rápida como as pessoas se relacionam, compram, aprendem, criam e até mesmo fazem sexo. É por essas e por outras, que esse crescimento avassalador se dá como a mais do que nunca temida: revolução da informação.

É difícil precisar quando essa transformação veio a se estabelecer. Se foi com a expansão diária dos microcomputadores ou com o surgimento acoplado de um navegador junto ao sistema operacional Windows. O fato é que isto é o menos lembrado por todos que a usam diariamente pois são várias novidades a cada nova quinzena.

Os fenômenos do momento que mais fazem sucesso na cabeça dos usuários das mais diferentes faixas etárias, como: o fotolog - página com a possibilidade dos usuários comentarem a sua foto, e várias redes sociais que viraram a sensação do momento. Como por exemplo, a mais famosa rede social online: o "orkut". Uma página que funciona com o intuito de conectar pessoas e estas participarem de comunidades que compartilhem os seus interesses. E por último o "MSN Messenger", produto da Microsoft, que chegou com força total para a comunicação online se tornar uma febre. Já que possuí ferramentas muito completas para a comunicação de webcam, áudio e escrita moderna e rápida.

O mais intrigante de todas essas novidades que fazem a cabeça dos usuários, é se essas facilidades de reconhecimento online são benéficas ou maléficas, a partir de que as pessoas distribuem suas informações sem ao menos levar em conta a sua privacidade. A Internet veio a completar com estas novidades, todo o espaço de carência que fazia a solidão tomar conta do espaço destas pessoas, que na maioria das vezes, vieram a usá-la para acalentar toda essa falta de contato que as tornava tímidas.

Uma das mais importantes conquistas desta revolução da informação é o fato das pessoas se encontrarem e trocarem experiências, contar os fatos do dia-a-dia e sendo assim, numa troca mútua de valores e ditos, passar um pouco de carinho e realidade para a outra. Porém, é necessário saber até que ponto é necessário se expôr em fotos, dados e conversas pela web à fora. Pois além de ter a possibilidade de ficar "mal-falado" - termo usado por muitos atualmente, a dimensão disto pode ocasionar muitas perdas e danos, tanto morais como materiais.

O necessário a ser visto com essa grande revolução da informação, é que além de todos os bens do dia-a-dia que essa internetzinha pode trazer, a lição que fica, é a necessidade de conseguir manter todas as nossas idéias, os nossos pontos de vista e todas as escolhas a cada "enter" a ser apertado. Porque a vida não é só em frente a um monitor, é lá fora, no dia-a-dia, no contato com as pessoas, usando as coisas mais simples em busca de uma conexão segura de felicidade e de amor.


* Texto publicado em Setembro de 2006 no site-projeto "Suricato".

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Lar Novo Lar


Ela é pequenininha. Cabe na palma da minha mão. Pesa menos de 1,5kg. Precisos 1,436kg. Mas quando come, deve chegar aos 2kg. É uma gordinha. Gulosa como o dono e como as bisas dela. Chegou mais uma integrante para a família Leivas. Esta é a “Indefinida”. Sim, ela está sem nome ainda por falta de consenso. Ainda a confundem por “ele”, talvez por causa do Dick, um cocker spainel, que morreu faz cinco anos. É uma dashound miniatura, número um de três escalas. Espero que ela traga alegria e muita união para nós. Por enquanto, só come e dorme, dorme e come! Bem-vinda ao teu lar, o teu novo lar.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Bobo Amor - Volume II


Um bobo amor não é um tipo de amor pequeno ou grande; aceitável ou descartável. Amor bobo é simplesmente a magnitude do próprio sentimento representado a partir de pequenos gestos de lembrança ou de carinho. De certo modo supérfluos. Um plus. Nenhuma relação sobrevive sem um bobo amor. Aqueles apelidos bobinhos, meigos para o casal, ridículos para quem os escuta. Um presentinho de surpresa. Uma mensagem de texto no meio da correria do trabalho, enfim. É bonito! Chega a ser sublime a maneira que um casal se relaciona. Porém, além da bobice, entende-se que a base de um relacionamento é o diálogo. E nesse ponto, a comunicação necessita ser interpessoal – que ambos participem ativamente da conversa – para construir um denominante comum entre o casal.

Há dias atrás estava eu parado na fila de um supermercado enquanto um casal a minha frente aproveitava a fila do caixa para fazer um famoso “D.R.”. O nome dele era Paulo e o dela não sei por que ele não teve oportunidade de dizer o nome dela durante uns dez minutos de conversa, ou melhor, um monólogo da esposa. Ele até tentara ser carinhoso a chamando de “amor”, “querida”, mas sem nenhum resultado. Em filas de mercados, bancos ou qualquer aglorameração, sempre há um assunto rolando para fazer passar o tempo. Inacreditavelmente neste dia, toda a fila foi parando simultaneamente para escutar o que a tal mulher dizia para o marido, o pobre Paulo. Quem ainda não estava prestando atenção, procurava cutucar o outro ou apenas olhar para que o próximo pudesse focar o murmurinho crescente do casal.

- Paulo, vamos conferir a lista!
- Paulo! Presta atenção em mim, por favor?
- Paulo, eu estou falando contigo! Larga essa revista e olha para mim!
- Fala querida, eu estou te ouvindo!

Nesse momento a esposa puxa a revista com um gadunhão seco e a coloca na prateleira. O marido, totalmente envergonhado apenas a olha com olhar de fúria controlada. Provavelmente ela tomara as rédeas em casa. Desde o dinheiro até a programação de televisão das crianças. Momentos a seguir, depois de respirar um pouco e aliviar a tensão que o tomara conta, Paulo tentou começar mais um diálogo:

- Mas amor, eu estava te ouvindo, para que fazer isso?
- Não estavas! Te chamei três vezes e o máximo que fizesses foi um “hãm”!
- Então! Eu estava te ouvindo, só não queria perder o fio da meada da reportagem sobre o Clinton.
- Eu te pedi para conferir a lista do super junto comigo e preferisses ficar lendo uma revista besta que só fala da vida dos outros. Ainda mais desse ex-presidente americano tarado que assediou a Mônica Lewinski.
- Não é bem as...
- Eu estou falando. Eu sei bem o que ele fez e pelo jeito deves ser como ele. Enquanto estou trabalhando, estás de segredinhos e agarrando a Marise, a tua secretaria.
- O que é isso, amor?
- Eu sei muito bem quando chegas em casa com aquele sorrisinho no rosto querendo alguma coisa. É porque aprontasses alguma coisa e queres o meu perdão, mesmo sem eu saber. É um tipo de redenção, só pode!
- Pelo amor de Deus, fala mais baixo! Os outros não precisam ouvir as tuas maluquices.
- Maluquices? Eu tenho certeza das coisas que aprontas! Até hoje não entendi aquela viagem repentina a Porto Alegre. Negócios. Humpf! Só se for negócio com uma loira de 1,70m de altura, olhos verdes e bunda grande. Eu te conheço Paulo! Não é de hoje! Desde os tempos da faculdade eu já te via esticar um olho para a Rosane e para a Aninha. Sem contar no dia que te peguei conversando com a Aninha enquanto tinha ido ao banheiro. Tu és um sem-vergonha!

E o diálogo não parou por aí. Dava pena de ver. O Paulo sem acreditar em uma palavra que a mulher estava dizendo. (Vamos dar aqui o pseudônimo de “Maria”, para ao menos a dita cuja ter um nome) Com os olhos marejados, escondidos por aqueles óculos de advogado, com forte grau ótico e com as mãos apertadas segurando no braço do carrinho de compras. Todos os olhavam. Até uma criança que tentara brincar com uma embalagem de salgadinhos, daquelas prateleiras na boca do caixa, ficara os olhando sem entender nada. De certo achando aquilo atrativo pelo volume que a Maria gritara em pleno supermercado. Na cabeça de Paulo só passara um pensamento: “- Cala a boca mulher!” E foi o que fez. Ou melhor, tentou fazer de forma ainda meiga:

- Amor, por favor! Estão todos olhando! Vamos pagar as contas e depois resolvemos isso em casa! Tu estás nervosa ou estressada por causa do trabalho e ficas inventando essas sandices como se eu fosse o culpado por teres perdido o caso dos Bittencourt.
- Como é que é? Eu perdi o caso dos Bittencourt? Tu estás louco?
- Era o que dizia aquela carta em cima da mesinha da sala, debaixo do controle remoto do dvd.
- Qual carta? Não chegou carta nenhuma ainda com a resposta do julgamento do caso. A menos que tu tenhas aberto... (o volume da voz de Maria aumenta) Andasses mexendo nas minhas coisas? Quem te deu permissão para isso? Combinamos uma vez que nunca mexeríamos um nas coisas de trabalho do outro, a menos que o outro deixasse ou mostrasse. Tu és um ridículo!
- Eu não abri nada!
- Abrisse sim! É bem a tua cara! Não sei como que ainda ganhas os teus casos. Provavelmente mentes a reveria para os juízes. Deves encobrir toda a verdade com as tuas mentirinhas deslavadas.
- Eu não abri nada! Cheguei em casa e a carta estava debaixo do controle. Provavelmente tenha sido a Letícia que abriu ou o Paulo Roberto.
- Tu achas que duas crianças de cinco e de oito anos vão abrir correspondências? Eles não são metidos e curiosos como o pai deles.
- Me respeita! Eu nunca mexi nas tuas coisas e agora vens me dizer que andei abrindo tuas coisas de trabalho? Pelo amor de Deus!

Paulo tentara se defender com frases curtas, já que o diálogo parecia mais um monólogo por parte da Maria. Um misto de estresse e nervosismo em pessoa que acabara com qualquer clima de final de semana na praia. Uma ótima advogada. Talvez boa. Ou apenas competente – devido a causa perdida no caso Bittencourt. Porém, uma ótima mãe, assim como ela diz:

- Enquanto estás na natação, onde é que eu fico? Em casa! Cuidando do Paulinho e da Letícia. Ajudando eles a fazerem a lição de casa. Dou banho, dou janta, brinco e ainda sobra tempo para te esperar com a janta pronta!
- Isso é uma vez só na semana. Nos outros dias quem é que fica em casa? Eu! Enquanto vais para a tua yôga eu faço tudo isso que acabasses de dizer!
- Que engraçado, não é o que as crianças me disseram. São pequenos mas não são burros quanto o pai. Mexem naquele computador melhor do que tu!
- E o que tem o computador? Enquanto eles brincam na sala, eu fico analisando os processos e preparando as defesas.
- Agora é moda no orkut também ficar analisando processos? O Paulinho me disse que ficas olhando fotos e fotos naquele “programinha de tela azul” cheio de fotinhos pequenas, que quando se clica nelas, abre um monte de coisa, inclusive fotos. E de mulher!
- É proibido entrar no orkut? Tens o teu e eu nem dou bola.
- Claro que não dás bola. Tens a Marise ao vivo e a cores. Para que vais olhar o meu orkut?

A conversa parou por ai. Ao menos Paulo se recusara a responder qualquer outra pergunta que Maria o fizesse. Talvez para fugir dos devaneios da esposa, começara a juntar os produtos em ordem, por setores, assim como ela gostara. Porém, infelizmente, a metralhadora de perguntas enlouquecidas não parava...

- Será possível tu me responderes o que eu estou te perguntando?

(Nesse momento, a fila deu uma boa andada e Paulo levava os carrinhos das compras mais adiante)

- Podes falar comigo ou fica difícil? Estás fugindo de alguma coisa? Eu só quero conversar contigo!
- Conversamos em casa, pode ser? Eu simplesmente não fiz nada e estás inventando “mileuma” coisas sobre mim. Quando chegarmos em casa, ok?
- Visse só? Nunca queres conversa comigo! Eu tento fazer a gente se entender no pouco tempo que passamos juntos e ficas empurrando toda a culpa para mim.

Paulo pensara que tal reação de Maria só pudesse ser obra do temido e famoso tpm. Ela era jovem, provavelmente longe dos 35 anos. Morena, cabelos no meio das costas, magra, talvez uns 60kg. De altura mediana, por volta dos 1,65m. Olhos castanhos e vários anéis nas mãos – que gesticulavam a cada pergunta. Analisando assim, Paulo estava bem acompanhado, a mãe de seus dois filhos estava no ponto. Mas naquele momento, mais no ponto de ebulição:

- Eu vou embora para o carro, me dá a chave! Pagas essas coisas e não demora! Me dá a chave!

O marido foi simplesmente seco, ríspido:

- Toma.
- Para que me tratar desse jeito? Porque me respondes assim? Vais ter que me escutar quando chegarmos em casa. Eu quero conversar!

E lá se foi a balzaquia, passos rápidos e curtos por causa do salto alto. Com seu vestido preto na altura dos joelhos, com a bolsa em punho e a chave na outra mão, a sacudindo como se fosse um chocalho. Todos a olhavam. Não pelo seu feitio feminino, mas pelo seu comportamento fora do normal em pleno local público. Filas de supermercado não são os melhores lugares para se discutir uma relação. Quem está atrás ou na frente, de certa forma, fica sabendo de tudo o que acontece na vida do outro. Não é fila de bebedouro. É a fila da paciência.

Enquanto Maria se dirigira ao carro, Paulo esperava a vez no caixa amargando não só a fila, mas os olhares desconfiados e sestrosos das pessoas na fila. Envergonhado, baixou a cabeça e tentara se distrair somando os preços dos produtos dos carrinhos com a calculadora do celular e soprando as contas:

- R$34,55 mais dois de R$5,84...
- R$46,23 mais um fardo de Coca... Quanto? Oito vezes R$2,59... R$20,72...

- “Próximo!” – chamava a atendente do caixa.

Paulo continuara com a cabeça fincada nos carrinhos fazendo contas:

- R$20,72 mais R$46,23 igual a R$66,95...
- R$66,95 mais duas massas de R$1,34 mais...

- “Pró-xi-mo!” – soletrava praticamente a atendente, até que um senhor que estava atrás dele e na minha frente o cutucou e o acordou daquela fuga dos preços:

- Amigo, é a sua vez!

Ele nem olhara, apenas agradecera de cabeça baixa:

- Obrigado...

O resultado das compras ultrapassou os R$ 500 reais. O da conversa, só Deus sabe. Quem sabe era necessário que ele a entendesse. Também que ela ponderasse a falta de atenção dele enquanto ele lia uma revista depois de um dia de trabalho. O bobo amor se manifesta em pequenos momentos, em gestos minúsculos. Ele lembrara da organização dos produtos dentro dos carrinhos, “por setores”. Já ela, de ficar com as crianças enquanto ele nadava. Nem sempre o amor bobinho vai superar um “D.R.”. Ainda mais um tpm. Mas é preciso conservá-lo e mantê-lo. Até porque um relacionamento não é uma fila de supermercado esperando a hora da atendente com voz de aeromoça dizer com um lindo sorriso estampado no rosto:

- “O próximo, por favor!”

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Bobo Amor - Volume I


Falar em amor nunca é fácil. Tão mais complicado ainda é conviver com um sentimento sem ao menos compreendê-lo. A vida exige muito do coração das pessoas. É um bate-bate sem ritmo normal, altos picos de hormônios sendo distribuídos pelo corpo em conseqüência de um celular tocando ou um e-mail recebido. É estar trabalhando e pensar naquela pessoa. É bobo e é bom.

Lembro do "João, o Apaixonado". Era um verdadeiro Don Juan! Levava flores na saída da escola. Aprontava diversas surpresas para a Jaqueline. Ela ficava boba! Mais boba que seu estado de espírito quando o João aparecia. O João estudava no Joana d’Arc e ela no São Francisco, ambos em Rio Grande. O tempo foi passando, tudo estava tranqüilo e o sentimento cada vez maior. Ambos concluíram o ensino médio e chegara a hora de escolherem qual cursinho pré-vestibular iriam cursar. Para não haver problema de grude e de possíveis brigas por estarem sempre juntos, resolveram matricular-se em turmas de turnos diferentes. A Jaque pela manhã e o João à noite. O ritual continuava o mesmo. Ele a buscava, ela o buscava. Ele cheio de idéias, como sempre. Quem chegava perto podia ouvir o meloso diálogo quando ele a buscava na porta de saída do cursinho:

- Oi amor! Como foi a aula hoje?
- Foi boa! Tive matemática e biologia.
- Qual matéria o Daner deu hoje na aula de matemática?
- Ele deu algumas formas de trigonometria e fez uns exercícios.
- Será que ele vai dar o mesmo conteúdo na aula da noite?
- Não sei, ele disse que a nossa turma está um pouco adiantada. Por que queres saber?
- É que eu pensei em matar a aula para sairmos para jantar lá naquela pizzaria que tu gostas. O que achas?
- Ahh amor, vontade não falta. Mas não quero que fiques matando aula! Ainda mais aula de matemática que tem um monte de fórmulas para aprenderes.
- Uma vez só amor! Vamos? Por favor!
- Fazemos assim então! Tu assistes às duas aulas de matemática e depois matas as duas de biologia, já que tens tanta facilidade para aqueles nomezinhos difíceis!
- Perfeito!

Ela sempre tinha o meio termo com ele. Conseguia tudo o que queria com aqueles olhinhos estalados e sempre confortantes. O diálogo foi a base do namoro deles. Sempre conseguiam achar uma saída para algum desejo ou situação embaraçosa. Um era o vício do outro, mas que sabiam dosar na quantidade certa para que o sentimento não se tornasse uma obsessão.

A Fernanda, secretaria do curso pré-vestibular invejava o namoro dos dois. Sempre se debruçava no balcão de atendimento e ficava ali, babando, analisando cada movimento do João e da Jaqueline. O jeito que ele pegava na mão enquanto simultaneamente fazia um carinho na nuca dela. Ela adorava. Sorria. Arrepiava-se com aquele gesto. Certamente viveria algum problema em seu relacionamento – ou a falta de um – e tentava com base naquele exemplo tirar proveito ao menos pelo belo momento. Ou nem isso. Talvez tivesse orgulho de ver os dois juntos, já que ela sempre o ajudava nas surpresas que aprontavam um ao outro, especialmente o João. Sempre que aprontava alguma, a Fernanda acabava ganhando um drops ou um saquinho de chiclete. Recompensa doce, tão doce quanto o sentimento daqueles futuros acadêmicos.

O tempo foi passando e o vestibular de inverno havia chegado. Porém, nenhum dos dois fizera inscrição para no edital da Fundação Universidade do Rio Grande. Ficaram tristes, pois estudaram muito – mesmo que na metade do curso – para realizarem a prova que, na última hora, a FURG cancelara a inserção de medicina veterinária (pretendida pelo João) e cortara o curso medicina (sonho da Jaque) por poucas vagas disponíveis. Até nisso eram parecidos. Sem contar nas manias que os dois tinham de cumprimentar a todos na rua e nos lugares em que entravam.

Tinham manias diferentes também. Vontades que o separavam, por exemplo, na hora de torcerem por seus times. Ele gremista, ela colorada. Ele adorava baurus, ela preferia torradas. Ele churrascos e carnes bem temperadas. Ela seguia à risca vegetarianismo. O amor é feito de diferenças. De lados opostos que se atraem. Pólo negativo e pólo positivo. Um vértice de um ângulo de 90° graus para Jaqueline e uma relação de 50% dominância de AA (azão de amor) para João.

O pretendido e sonhado vestibular de verão chegara. Os dois muito nervosos, mas no fundo preparados. Jaque faria vestibular na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e na Universidade Católica de Pelotas (UCPel) para o curso de Medicina, além de ter feito inscrição na FURG. Já o João, teve de contentar-se apenas em realizar a prova na UFPel devido também a não inserção de Medicina Veterinária na FURG no vestibular de verão daquele ano. A maratona de provas começara e eles mal tinham tempo para namorarem. Todo o santo dia era aquela correria pela manhã: acordar cedo, tomar banho, café reforçado, trânsito engarrafado nos locais de prova. À tarde, o bom sono estendia os músculos e relaxava os neurônios dos dois. Preferiram não se ver durante a realização das provas. Apenas telefonemas e mensagens de texto para matar a saudade. Na verdade, quase nenhum telefonema, apenas mensagens, meigas e bem bobinhas:

“Oi amor! Tudo bem? Achei as provas de matemática, biologia e histórias boas. Mas não gostei muito da de Física. Tô com muita saudade tua, sabia? Te amo! João.”

“Meu fofinho! Eu também tô com muita saudade tua! Nem quero falar da prova, estou estressada e cansada. Mas acho que me sai bem! Vamos torcer pela gente e depois comemorar muito! Beijinhos, te amo! Tua Jaque.”

E assim foi até o final dos vestibulares. O João ficou só esperando os vestibulares da FURG e UCPel acabarem para correr até a casa da Jaqueline e aprontar as surpresas que tanto adorava fazer. Foram 15 dias sem comunicação ao vivo. João gastou quase R$ 30 reais em créditos apenas com mensagens para ela. Saiu esperançoso do seu único vestibular, enquanto ela se pendurava nos livros para repassar as fórmulas e macetes ensinados no cursinho. Ela sempre gostou de ter tudo definido. Já para o João, bastara apenas dar uma lida e uma rápida revisada no conteúdo.

Os listões com os nomes dos aprovados saíram quase no mesmo dia. Talvez uma boa jogada e um presente de Natal antecipado para os vestibulandos (ou não). Foi uma alegria só! E somente uma mesmo. O único a passar no vestibular foi o João. 5° lugar em Medicina Veterinária, pela UFPel. Jaqueline passou longe de qualquer classificação e suplência das três listas de aprovados. Foi um choro só.

Chegou o Natal, as festas de virada de ano e nenhum carinho conseguia levantar a moral da Jaque. O “víspora”, um cão de raça boxer a fazia carinho, dava a pata e nada de um sorriso. Era do sofá para a cama. Da cama para o sofá. Não comia direito, tinha vontade de sumir e fazer sumir todos à sua volta. Principalmente o João, agora um acadêmico. Ele preparava mil surpresas, tentava tirar um sorriso a todo custo do rosto dela. Sem sucesso. Os pais de Jaqueline já começavam a preocupar-se com seu estado. Provavelmente já estivera uns três ou quatro quilos mais magra. Pálida. Branca. Talvez anêmica pela má alimentação. Dava pena. João quieto, sem saber também o que fazer decidiu ir para a casa comemorar com sua família o resultado e começar a decidir como seria sua rotina no próximo ano, já que a UFPel era em Pelotas e ele morava em Rio Grande.

O verão não foi o mesmo. Ela não o procurara mais. Ele acabou distante, confuso, cabisbaixo. Depois de quase dois anos de relacionamento, de paqueras, namoricos, e todas aquelas coisas bobas magníficas, como cinemas regados à bibs e pipoca, tinha chegado a hora de sua partida. A hora de perceber que a vida toma novos rumos. Novas experiências são inevitáveis e, além disso, mais do que necessárias para o crescimento e amadurecimento do ser humano. João foi morar em Pelotas e levar em frente o sonho de ser um Médico Veterinário. Alugou um apartamento, conheceu os colegas da faculdade, se aproximou de alguns, repeliu outros. Fez novos amigos, conheceu novas gurias, enfim. Ficou com algumas, se apaixonou por duas ou três. Namorou. Namorou com uma delas durante três anos da faculdade. Milena. Quem? Sim. Nada de coincidência. Milena. Aquela secretária no curso pré-vestibular onde João estudara. Tudo muito rápido. No quarto ano, ele a pediu em casamento, ficaram noivos no penúltimo ano de faculdade. Combinaram de casar em seguida que acabassem a faculdade. Tinham bons empregos e condições para isso. Jaqueline nunca mais deu notícias. Não ligou, não enviou mensagens de texto nem e-mails. João casou com Milena no ano seguinte e foram morar em São Paulo. Ele é professor-mestre na USP. Milena, dona de uma clínica veterinária de animais de pequeno porte. Jaque ainda tenta passar em Medicina. Solteira dos homens, divorciada dos amigos. Casada com os livros: unida às fórmulas e fiel às teorias.

domingo, 20 de janeiro de 2008

E Qual a Cor da Toga?


Não sei mesmo qual cor vai ser. Nem tamanho. Talvez um tamanho big, porque sou gaúcho-cearense. Também não sei qual será a sensação de estar concluindo uma faculdade. Acho apenas que o resto da roupa é preta. Faltam exatos 364 dias para a data e a ansiedade já começou a tomar contar de mim. Ansioso desde pequeno, talvez uma qualidade para fazer um projeto e terminá-lo o quanto antes. Um defeito para a saúde do meu corpo; só me atrapalha e me deixa estressado. Três anos que simplesmente voaram. Lembro como se fosse hoje, eu assistindo aulas na turma errada. Tudo bem se fosse apenas um dia. Tudo errado. Foram duas semanas assistindo e teimando com os professores de que o meu nome estaria na lista de chamada na aula seguinte. E depois no outro dia de aula, a mesma história:

- Mas professor, na próxima aula a Cema vai te entregar a listagem completa!
- Marcos, Marcos, não é?
- Isso professor! Leivas. Marcos Leivas.
- Marcos, o teu nome não está na lista já vai fazer quase duas semanas!
- Professor, tu sabes a velocidade da Cema. Ela deve ter esquecido!
- Ela me entregou a última lista de todos os alunos matriculados hoje.
- Hãããm...

E lá se foi o Marcos porta de aula a fora procurando o maledeto informante que o conduziu até aquela sala de aula no primeiro dia de faculdade. Era o queridíssimo porteiro da prefeitura do campus II. Óbvio, ele não poderia saber e nem atender todos que o procurassem. Então talvez escolhesse alguma sala no improviso. Afinal de contas, ele saberia todos os números da sala do campus da universidade. Mas tive que ir perguntar a ele:

- Amigo! Amigo! Hey...
- Diga campeão! (Nesse momento eu apertei a mão com força para evitar dizer alguma coisa feita)
- A Cema pediu para dares uma subidinha ali na secretaria da escola para te entregar um papel.
- Mas que papel?
- Não sei te dizer. Ela apenas pediu para chamar um carequinha gordinho da portaria.
- Ah, obrigado!
- De nada!

Como diria um amigo, o Klaus: “A volta veio e veio de a cavalo”. Que sensação boa! Não gosto de pagar na mesma moeda. Até porque acredito que ele se equivocou quando perguntei qual era a sala. Mas ele nem ficaria tão bravo. Ele perderia uns cinco minutos. Enquanto que eu perdera, vejamos: cinco dias de aula x duas semanas x quatro horas de aula por dia... 40 horas. Sim, eu fui trouxa. Dei uma de House querendo cutucar a Cuddy. Paciência. Right now, eu lembrei de uma frase do Chaves: “A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena!” Já fiz. Vou procurar o remédio para curar. Quem sabe acariciar um cão? (Ainda sinto resquícios de raiva da noite de ontem. Para quem não leu, post do dia 19).

Pelas minhas contas, sem verificar no meu histórico via site da UCPel, foram até agora 38 cadeiras. Com uma média de 25 professores diferentes e os mais diversos colegas. Ainda restam dois semestres. Um ano. Mas que vai parecer uma eternidade para que chegue o dia da formatura. Hoje na hora da janta, conversava com um primo (que chamo de tio devido a grande diferença de idade) mesmo à mesa de janta sobre a trajetória acadêmica dele. Dei boas risadas sobre as piadas que ele contava entre uma história e outra. Não! Ele não é jornalista, mas adora contas “causos”. É médico veterinário, mestre, doutor! Que moral! Um cara sensacional, sempre com a resposta na ponta da língua seja para filosofias de vida ou de bar. Perguntei a ele sobre várias etapas da história acadêmica dele. Contei a ele sobre a minha faculdade, o estado de espírito de meus professores e tudo que vivo diariamente. Falei dos meus planos futuros (iguais aos dele) de mestrado e posteriormente doutorado, para seguir na vida acadêmica, repassando aos futuros comunicadores sociais tudo que aprendo hoje e continuarei aprendendo depois de estar dentro de uma universidade. Porém, atrás da mesa maior. Aquela que todo mundo gostaria um dia de colocar um chiclete ou um super-bonder para perturbar o mestre.

Eu gosto de desafios. Por enquanto sou um feixe de luz em expansão e longitude contínua. Quero seguir bons exemplos. Ter desafios diários para ultrapassar. O que eu não quero é chegar apenas aonde os outros chegaram. Quero ir além. Quem sabe pretender, já que querer é um verbo muito forte e, a meu ver, não preciso de super-poderes para ir em frente. Preciso é seguir o meu coração sem perder a razão. Assim como fez o “Tio” Valmor, que segurou as palavras de baixo calão em frente aos professores-doutores que se julgavam os sabichões, enquanto o correto acadêmico soube se portar desbancando a velha guarda que ainda acreditava em estudos metódicos e limitados. A cor da toga dele e a música de formatura eu não perguntei. Já a cor da minha é uma incógnita. Mas a música eu já comecei a pensar. Até lá, muitas coisas vão rolar. Transições e mudanças totais. Novas experiências. Boas e ruins é claro! Trabalhos “carecantes” e provas estressantes. Estágios e empregos de pirar o cabeção. E até o término deste ano, outros porteiros. Afinal, quando uma porta se fecha para um, outra se abre para outro. É a lei da vida, um troca-troca constante. E entre sobre um troca-troca de cores, prefiro que ela seja... quem sabe, preto com vermelho?

sábado, 19 de janeiro de 2008

A Falta de Um Apito



Fiquei maluco hoje à noite. Não, não foi por causa da poltrona ou das minhas invenções com garrafas pets. Longe disso. A minha loucura se manifestou no trânsito da Praia do Cassino e direção à zona de festas noturnas. Foram mais 45 minutos para percorrer duas quadras. Pasmem! Uma rua de duas mãos, a qual acabou virando mão única devido à imprudência de alguns motoristas – diga-se de passagem, a maioria deles de Pelotas, Bagé e Porto Alegre. Até já tenho consciência - por morar em Pelotas durante o ano - e percebo que 80% dos motoristas pelotenses não utilizam o pisca ou a seta de direção, como preferirem. Dá raiva. Me deixa maluco. Não há música no rádio que me sossegue o comportamento “facão” desse grupo de irresponsáveis. Agora imagine você: de férias, sábado à noite, cinco opções de festas e mais duas formaturas a escolher, beca bem passada, perfuminho atrás das "orebas" e aquele cabelo (des)arrumado. Tudo nos conformes? Engano. O trânsito vai te enganar e te passar a perna bonito, mais bonito que o “pisante” novo que você comprou. É visível o aumento da população quando chega o verão. As pessoas tomam as ruas como se fossem carros. Bicicletas andam na contra mão. Motoqueiros costuram os carros em ruas de areia pensando ser asfalto. Sem falar nos carros. Que loucura, tchê! Se tivesse um apito no porta-luvas (tem de tudo ali, menos um apito) dá vontade de descer do carro e dar uma de guarda de trânsito, apontando para lá, para cá, apitando para aquele gurizão que anda com o carro emprestado do papai ou aquela guriazinha, linda ela, vontade de dar o lugar na fila da festa para ela. Pena é que a dita cuja não tem carteira e ainda cola no Celtinha preto adesivos da Hello Kitty e o lota de outras amigas jóinhas para ir à baladinha de sábado à noite. Dá pena. Se acontece alguma coisa com elas no caminho ou na saída da festa, em que a maioria delas sairá “alegrinha”, quem levará a culpa será o outro motorista. Mais pena ainda. O pior de tudo isso: onde estão os guardas de trânsito da Praia do Cassino? Uma praia em que a população em outras estações do ano não chega nem a 40 mil habitantes, sendo que 8 mil desses aproximadamente têm carro. Em compensação, no verão, o número de pessoas aumenta demasiadamente chegando a 250 mil pessoas. Ah, os carros? Inadmissível a falta de ordem. É óbvio que devemos receber os turistas com o maior prazer – especialmente tirando o dinheiro deles para investirmos cada vez mais em benefícios para o balneário. Porém, a solução cabível é a distribuição de guardas ou até militares nas zonas das festas. Porque se formos até a Avenida Rio Grande, dois a três carros fazem a ronda. Ronda? Pelo amor de Deus, ficam gastando gasolina e profissionais à toa. O que custaria um carro se deslocar até lá e dar um jeito do trânsito fluir e ninguém acabar se machucando ou tendo prejuízos, tanto físicos quanto materiais? Eu não liguei para o 190, mas foi por pouco. Tive paciência enquanto já fazia novos planos para a minha noite de sábado: assistir ao Groismann no Altas Horas enquanto blogasse e depois me grudaria na 4ª temporada de House. Até deu tempo de pensar no que fazer no domingão. A primeira coisa é ir ao super comprar uma dúzia de apitos e colocar no porta-luvas do carro. Ganharei mais uma ocupação: vou virar guarda de trânsito nos finais de semana. Vou sim.