sexta-feira, 6 de agosto de 2010

As mãos juntas

As pessoas têm uma certa mania de rezar só quando querem alguma coisa. Tenho minhas dúvidas se elas agradecem depois se o que pretendiam fora alcançado - ou não.

Durante o jogo do Internacional fiquei me perguntando se os jogadores, quando marcam gols, realmente agradecem a graça do gol alcançado ou fazem apenas um gesto de com as mãos para o céu por esse lembrar a religião.

Tal dúvida surgiu após uma tentativa de leitura labial com base no que o jogador do São Paulo falara ao comemorar o gol. É claro que sabemos que os jogadores de futebol - e outros atletas também - têm essa mania, esse credo de agradecerem com as mãos unidas em sinal de devoção.

Calme. O jogador do São Paulo realmente agradeceu. Falou Jesus e outras coisas. Legal. Bonito mesmo. Sei que o futebol é o trabalho dele. Sei que precisa jogar bem para ter emprego. Sei que ele tem uma família que depende dele. Sei.

Enquanto o Inter e o São Paulo jogavam (Globo transmitia) o 1° debate dos presidenciáveis acontecia no outro canal (Band). A medição do Ibope apontou a Globo muitas vezes a frente da Band. A mídia apontou Plínio (PSOL), 80 anos, como o melhor do debate. E realmente foi no meu entender.

Assim como os jogadores devotos, os candidatos dos partidos nanicos e com percentagem quilômetros atrás dos grandes deverão juntar as suas mãos e rezar por milagre. O que fica, realmente, é o poder da democracia que poderá ser exercida pelos brasileiros. É clichê falar isso, mas não deixa de ser verdade.

Deveremos também deixar as mãos juntas?

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Pedras na Estrada


Pago minhas contas e não dependo de ninguém - a não ser de minha mãe quando seja muito necessário. Trato a todos do jeito que gostaria que fossem comigo, talvez pela educação que tive em casa e pelos aprendizados que conquistei vivendo as mais diversas experiências em 23 anos de vida. E aí?

E aí, nada. Ou quase nada... de retorno. Logo, as pessoas não têm obrigação de serem recíprocas e nem de fazerem "uma social" em darem uma resposta ao que receberam. Na vida é assim. E o maior presente que nos foi dado é saber compreender essas relações. E eu estou tentando, juntamente com aqueles que me dão essa resposta: meus amigos, minha família.

A velocidade em que os "sonhos" são construídos é absolutamente brecada quando nos decepcionamos com algumas atitudes das pessoas que mais gostamos. A velha frase tem grande valia: "decepção não mata, ensina a viver".

Falando com o amigo que citei no post anterior, comentamos em como tentar compreender as escolhas que são feitas por outros. Ao mesmo tempo em que pensamos em como alertar essa pessoa sobre os caminhos que ela está seguindo. Uma preocupação tola talvez, mas ainda preservamos a ideia de querer bem ao próximo - do mesmo jeito que aprendemos em casa.

Nossas ideias nos fazem testemunhas de como os outros conduzem sua caminhada. Entretanto, precisamos saber dosar o quanto devemos nos envolver na decisões que não são nossas. Querer o bem do próximo faz bem, antes de tudo, ao nosso coração. E, claro, preserva uma grande amizade de pedregulhos que atrapalham o andar no decorrer do percurso.

E eu não jogarei nenhuma pedra.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Coisas boas

Um grande amigo, via MSN, me falou a seguinte frase: "Construir algo bom com alguém leva tempo, uma série de coisas boas".

Concordei plenamente.

Porém, só vim deixar essa contribuição/reflexão. Amanhã eu volto, com mais tempo, e disserto sobre os pensamentos e possíveis sonhos que terei.

Valeu, brother!

terça-feira, 29 de junho de 2010

No meu colo


Desde bem pequeno gostava de pegar outras crianças no colo. Não pense bobagem, por favor. Gostava de dar atenção, de proteger. Já depois de "guri feito" - como diria a minha avó Maureâ - continuei em gostar de ver crianças pulando, brincando em minha volta. Mas a vontade de pegá-las no colo ficou de lado. O motivo?

Talvez medo em deixá-las cair.

O tempo foi passando e o meu contato com elas foi diminuindo. Até que alguns amigos começaram a ter seus filhos e esses pequenos voltaram a aparecer perto de mim. Relutava em pegá-los, apenas fazia um carinho na bochecha ou na barriga. Coisa de segundos. Nada além disso. Eles ali no colo do papai ou da mamãe e eu com o dedo em riste dizendo não quando tentavam me fazer pegá-los.

Foi aí que a família começou a crescer. Quatro meninas e um menino. As quatro: Luísa, Emanoelle, Camila e Eduarda. Uma mais linda que a outra. Vivem brincando na casa dos avós quando visitam Rio Grande. Até de cavalinho eu andei servindo, há uns meses atrás, quando elas vieram para cá - depois de crescidinhas, é claro. Mas pegá-las no colo quando eram pequenas?

Nã-ná-ní-ná-não.

A verdade é que eu tentei. Bem que tentei. Porém, quando eu iria pegá-las, elas começavam a chorar como se eu fosse a pior coisa do mundo. Foi aí que talvez um medo começou a existir e eu acabava, às vezes, nem fazendo o tal carinho que tia ou amiga de avó faz em nossas bochechas:

- Mas como tá grande, hein? - ou ainda: - Que coisa mais fofinha!

Então há nem dois meses veio ao mundo o Luiz Otávio, o futuro meia-atacante articulador que a Família Leivas estava precisando. E não é que o peguei no colo? E ele sem choros, sem caras feias ou qualquer repulsa. Pelo contrário: ele sorriu. Daí você já deve imaginar a cara de bobo do primo aqui, não é?! Espero, daqui alguns anos, ser pai e ter uns três, quatro ou cinco iguais a ti!

Primo, assim como a linda vida que te foi dada te desejo tudo de mais próspero neste mundo. Talvez este post fique escondido ao lado de tantos outros textos deste blog, mas espero que um dia - talvez daqui cinco anos? - tu consigas achá-lo e ver a felicidade do teu primo bobão em te pegar no colo e superar um "medo" criado com as tuas outras primas.

O primo já te ama. Agora, só falta virar colorado!

terça-feira, 22 de junho de 2010

"O Meu Jogo", em Pelotas

Fala pessoal!

E o meu livro, "O Meu Jogo", está agora também em Pelotas. Finalmente! Irá acontecer hoje, 22 de junho, o lançamento, das 19h às 21h30, no Espaço Multiuso do Campus II da UCPel. Como é bem difícil avisar todo mundo, segue abaixo o convite:


Espero vocês!


Um abração,

Marcos Leivas



p.s.: E hoje o blog completa 3 anos. Sem querer um "evento" neste dia. Prometo publicar algo quando chegar em casa após o lançamento.

sábado, 19 de junho de 2010

Ainda dá tempo


Agora é madrugada e eu estou na frente dos livros, comendo um chocolate branco e digitando este texto. Enquanto as ideias para um trabalho não apareceram fui pensando nas atividades do meu dia. Lembro que já acordei atrasado, depois de ter dormido só três horas na noite anterior, e fui tomar banho. Depois, um copo de leite com biscoitos com manteiga.

Enquanto comia, na televisão um jogo da Copa do Mundo. Mudei de canal e vi a notícia da morte de Saramago. Não posso deixar de comentar. Foi um sábio das letras. Sempre claro e objetivo. E quando isso não acontecia os leitores ficavam boquiabertos. Todavia, era apenas um truque dele. No desenrolar dos textos, especialmente no final deles, o ser objetivo aparecia como chave-de-ouro.

Entre tantas de suas obras lusófonas, muitos foram os seus desejos para que o mundo fosse um lugar melhor de se viver. Mas, foi aí que me perguntei:

- Até que idade eu gostaria de viver?

Gostaria de viver muitos e muitos anos, sem saber o limite de quando o meu sopro de vida terminasse. Tenho medo do desconhecido, tenho medo de morrer. Imagino que do outro lado - se é que há um - estejam todas as pessoas que já se foram e que nos foram queridas em vida. Meu pai, meus avôs, alguns amigos, enfim. Abraços, beijos e lágrimas, mas lágrimas de felicidade em reencontrá-los. E a vida aqui? E os que deixarei?

100 anos? Quem sabe ultrapassá-los? 101, 102 ou 103? Não sei. Será que até lá eu conseguiria ser feliz? Estaria eu cheio de netos ou bisnetos correndo em minha volta? Como eu gostaria que sim! Uma casa cheia de alegria ao lado de um amor e vários pequenos amorzinhos me deixando feliz. Só eu sei. "Vovô Marquinhos", imagine?! Entretanto, para mim e para o futuro deles, me responda uma coisa: e o mundo estaria em paz?

Dizem que a felicidade começa dentro de nossas casas. Logo, ela vem da nossa família, de tudo que é construído no cotidiano. Seja em um almoço esticado de domingo ou em um almoço corrido durante a semana. É daí que se tira um pouquinho de gasolina para fazer a gente andar neste mundo maluco em que vivemos.

Depois que terminar este texto feche os olhos e pense como seria bom chegar em casa, depois do trabalho, ou da escola, ou da faculdade... ou simplesmente chegar lá e dar um abraço apertado em quem a gente tanto ama? Na correria em que se vive não valorizamos quem está ali, todos os dias, dividindo a mesa conosco. Ah! E se não for a família? Temos os que não são do nosso sangue, mas bem que poderiam ter nascido nossos irmãos: os nossos amigos.

Olha, na verdade, é como eu sempre digo: não basta querer já olhar lá na frente e apressar o andar do tabuleiro para chegar rapidamente ao final. O bom é que se tenha jogadas inteligentes até chegar lá, deixando acontecer. Não venha me dizer que anda sem vontade ou nem aí para tudo. Começar a jogar quando o jogo parece estar perdido é o melhor recomeço. Traz um gosto de vitória em dobro e nos estimula para os próximos desafios. Que tal começar a ganhar?

Comece por um abraço.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Brasil x Coreia - 15/06


2 a 1 para nós, mas não foi um jogo bonito. Nada de lances elásticos ou ainda de uma chuva de gols. Era a estreia. A ansiedade e o nervosismo estavam visíveis nas faces dos nossos jogadores. A esperança de melhores atuações fica para os próximos jogos.

Mas você sabe o que é pior? Não é ver uma estreia pacata da seleção brasileira, pois isso nós já suspeitávamos que iria acontecer. É ver o ato de "costume" de milhões de brasileiros em ver jogadas bonitas, diversos gols e uma facilidade extrema de derrotar qualquer adversário.

Não temos mais Pelé, Tostão, Garrincha e outros tantos que davam brilho aos olhos de muitos. Temos é que nos acostumar com uma seleção de características bem opostas aos elencos de 58, 62 ou 70. Uma seleção que ataca menos, que chuta menos, mas que marca bem e sabe sair para o jogo. O coletivo da seleção atual é que pode realizar boas atuações.

Não adianta mais querer mudar ou criticar a convocação feita. A nossa torcida é que pode dar um pouco mais de gás e alegria aos nossos 23 guerreiros. Temos de perder o costume de querer vários gols, que ganhamos com o passar dos anos, mas não perder a alegria em jogar, bem como a esperança de buscar o hexa.

E que venha a Costa do Marfim.


p.s.: Acendam suas velas para o Kaká, por favor.

domingo, 13 de junho de 2010

Domingão


Já é costume de muitos: domingão é dia de ficar com a família. Churrascões e a família reunida na casa do tio ou daquela tia que adora uma junção. Um leva a salada, o outro leva a sobremesa. E assim vai.

Saudade disso.

Nos últimos dois anos eu não tenho tido muito esses domingões. Na minha casa, com a minha família, sempre é assim. Todos reunidos. Histórias do passado sendo contadas pelos mais velhos, enquanto os mais novos se divertem com os feitos de nossos avós, pais ou tios.

Enquanto a carne vai assando, os papos vão acontecendo e tudo vai se encaixando. Fatos que a gente só sabia "por cima" vão se revelando, nos deixando surpresos e felizes.

Nossos avós eram (são) de ferro.

Os finais de semana que acabei perdendo no decorrer dos últimos dois anos são, na verdade, uma vitória. Posso ter perdido a companhia dessas pessoas queridas - sem contar ainda os amigos -, mas não os perdi na lembrança de cada domingo sempre quando lembravam de mim ao cortar a carne ou a sobremesa. E eu em lembrar deles.

Faltam 11 dias para eu entregar a segunda monografia da minha vida a fim de concluir a segunda faculdade. Mais um domingo que fiquei em casa, debruçado nos livros, nas análises e nas teorias malucas que nos fazem (des)entender muita coisa. Deixei de sorrir por alguns instantes. Não matei a saudade das pessoas que tanto amo. Não comi aquele churrasquinho suculento do Tio Antero. Tem vezes que é preciso abrir mão de algumas coisas para ter outras.

Falta pouco, muito pouco.

Ainda bem que eu sou neto de pessoas de ferro.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Além-África


Correr 12km em 90 minutos de um jogo de futebol pode ser uma das representações de esforço mais significantes de um jogador. Sacrificar-se por um objetivo, por um norte, pelo coletivo de muito mais do que 23 jogadores. Dar o melhor de si para alcançar a glória como a conquista de uma nação.

Tshabalala - que não é nome de nenhuma guloseima americana -, não foi nada doce com o goleiro da seleção mexicana. No lançamento de Mphela, outro gigante do jogo, Tshabalala disparou como se fosse um velocista. Passou pela zaga mexicana como um raio e aplicou um maravilhoso chute de canhota, no ângulo do goleiro Perez.

África 1 a 0.

Era visível a limitação técnica do time africano. Porém, a garra, a vibração do coletivo e ainda as milhares de vuvuzelas, seguraram a África durante 79 minutos. A seleção mexicana empataria com Rafa Márquez, em um descuido da defesa africana.

A bola ainda bateria na trave em outro ataque africano, mas não havia tempo e nem sorte para mais nada.

Final de jogo. 1 a 1. A África saiu de campo com o amargo gosto de saber que poderia ter ganhado o jogo, se não fosse o árbitro não dar um pênalti ou ainda das bolas na trave não terem entrado. Contudo, o mais bonito se viu: o coletivo. Não apenas dos jogadores africanos em campo, mas de uma torcida que ultrapassou os limites geográficos do país da Copa do Mundo.

O mundo, hoje, torceu para a África.

E a Copa continua.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

First Goal: Education

Uma das coisas que sempre comentei em rodas de amigos, na faculdade ou ainda nos veículos de comunicação em que trabalhei: educação para todos.

No dia de hoje, entre as tantas atrações artísticas da abertura da Copa do Mundo da África, pensei em escrever sobre o evento em geral. Porém, entre uma música e outra, um vídeo de aproximadamente três minutos mostrou a realidade de duas meninas, que nasceram no mesmo dia, em lugares diferentes do continente africano, Mary e Susan.

Realidades extremamente distintas.

Era a história da alegria e da tristeza. Do sonho sendo alcançado por uma e a esperança de dias melhores com a outra. Enquanto uma conseguia estudar e tinha o prazer em aprender, de compreender um idioma, ter acesso aos livros, a outra dependia da sorte de dias melhores no lixão de uma cidade africana.

Com os olhos estralados, com um misto de esperança e de medo, Mary é apenas um exemplo das milhões de crianças da África esquecida, da África sofrida. Não sabe ler, não sabe escrever e se diverte com alguma boneca sem os braços bravamente disputada por sua mãe, em um ambiente fétido e desumano, onde os ratos e outros tantos bichos procuram por comida.

Em um dia tão especial, em que milhões de pessoas estão com os olhos grudados nas televisões do mundo inteiro, além do futebol, outra esperança cresce no povo africano e nas pessoas que ficam comovidas com a situação de garotas como a Mary e Susan: o anseio para ontem de uma África melhor, de um mundo mais justo, mais solidário.

Hoje pela manhã, visitei a Escola Treze de Maio, em Rio Grande, para realizar um objetivo pessoal. Enquanto esperava ser atendido, pude voltar no tempo e lembrar dos meus dias de colégio. Vi uma turma de quinta série e uma professora dedicada tendo a maior paciência deste mundo a ensiná-los uma língua secundária, o espanhol.

Quantas Mary's da África poderiam ter essa oportunidade?

Espero que depois da Copa do Mundo deste ano, algumas coisas realmente comecem a mudar na realidade do povo africano. Caso você ache que a África é longe, lembre-se que a mudança não precisa ser apenas lá, comece em alguma comunidade perto de você, com uma realidade que passe por dificuldades e que precise, além do seu abraço, também da primeira meta do vídeo africano: a educação.