quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Um Tanto Filoneista

Nunca tive medo do novo, do desconhecido. Sempre encarei com força as situações pelas quais nunca havia imaginado passar. Estufo o peito e “vãmbora”! E hoje, penúltimo dia de janeiro, passei por mais uma. A tal da endoscopia. Para quem não sabe, resumidamente, é um cabo de meio centímetro de espessura por um metro de comprimento que entra pela boca e vai até o estômago para vasculhar o sistema digestivo. É isso, pronto. E ele entrou...

Vontade de engolir - não podia porque o maldito cabo estava na minha boca. Queria respirar direito – também não dava. Eta vontade de chutar a parede ou apertar o power do computador da médica! Mais vontade ainda de ter evitado a maledeta endoscopia se soubesse que a precisaria fazer. O motivo? Simples assim: stress, ou estresse se preferir.

Três anos de faculdade, sete estágios, sete estresses, sete fontes de problemas. Trabalhos mil e provas a reveria – praticamente um buffet. Relações interpessoais que me fizeram crescer e amadurecer, com certeza. Porém, que vontade de ter estrangulado cada pessoa pelo pouquinho de preocupação que depositou em mim. Seria muito violento! Quem sabe um peteleco? Ou um “pedala”? Seria bem mais acessível. Eu falei três anos no começo do parágrafo? E ainda falta um! Dai-me forças Carinha do céu!

E aquele cabo saiu depois de cinco minutos de dentro das minhas entranhas. As tripas se remexiam e os intestinos pulavam de alegria e de fome. Muita fome. Também pudera, quase 15 horas sem ingerir nenhum líquido e alimento. Que alívio! Minha barriga parecia uma rave:

- “Tunti tunti tunti tun tun tun tunti!” – vibrava ela.

Depois da maledeta endoscopia tive um papo cabeça com a Dra. Márcia e ela me contou sobre alguns tipos e fases de stress. Fui atrás depois e descobri mais sobre eles: o tal de eustress (fase positiva do stress) e a fase do distress (fase negativa e minha aliada nesta caça ao tesouro). Para piorar um pouco, descobri também que a ansiedade não é só um sintoma do stress, mas que ela pode causar ainda mais stress. Que agradável!

O resultado positivo do exame deu que eu tenho uma saúde perfeita e foi um dos melhores pacientes até hoje da Dra. Márcia. Não usei nenhum sedativo para dormir enquanto realizava o exame e, de quebra, só foi diagnosticado, a priori, uma pequena gastrite – decorrente do stress. Já a segunda parte, a da coleta de dois pedacinhos do estômago só sai na sexta-feira. Então, depois eu conto como foi para vocês refletirem e regrarem um pouco mais suas vidas.

Um dos pontos positivos da ida ao médico, certamente, foram as conversas que tive também na sala de espera. Após uma situação inusitada de um outro paciente, irritado e fora de si quando sua irmã disse que esquecera o resultado dos exames dele e ambos saíram da sala, conheci uma pessoa. Sim, uma pessoa a qual eu fui muito mal educado e não perguntei o seu nome. Conversei durante uns 30 minutos ante-exame e pós-exame. Ela era doutora. Mas não na medicina. Doutora das letras. Um professora de inglês, de Cachoeirinha, atualmente morando na Praia do Cassino. Um anjo que me fez repousar e me acalmar até fazer o exame e deu boas risadas comigo depois dele. Ela estava de branco, da cabeça aos pés. Até seu carro era branco! Só faltaram as asas, porque seu sorriso me acalmou como uma anestesia, uma forte e boa dose de xilocaína. É por esses bons motivos que continuo sendo filoneista, adepto, crente às novas situações e aos novos desafios. E por mais que as coisas novas me atinjam, algum bom anjo sempre vai me salvar da dor e das possíveis lágrimas. Ela, com certeza, foi a minha luz na manhã de hoje.


- Links Sobre Stress:

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

"Semente" - E é do Armandinho!

Sempre gostei das músicas mais calmas, com batidas leves e com letras interessantes. Na maior parte da minha adolescência escutei diversos gêneros musicais, gostando da maioria, mas em grande parte, das músicas tranqüilitas. Desde o pop/rock do Jota Quest e o reggae de bandas gaúchas como a Chimarruts e o contestado Armandinho. Sim! Armandinho. Desde “Pela Cor do Teu Olho”, “Outra Noite que Se Vai” do primeiro cd, passando por “Casinha” e “Bomba Netuno”, as músicas com batidas de reggae e influências de ska, com letras românticas e com ligações ao surf me conquistaram. Com certeza, esse é o tipo de som que toca no rádio do meu carro. Também rola Jack Johnson, Ben Harper, Donavon Frankenreiter e outras diversidades musicais. Mas o assunto é Armandinho, o novo cd dele - finalmente - intitulado “Semente”.

O novo cd chegou às lojas dia 15 de janeiro, com doze músicas, incluindo o último sucesso de “Eu Juro” do cd ao vivo de 2006. A estréia da turnê do disco começa apenas em fevereiro. Nas novas músicas, Armandinho arrisca novas batidas para dar uma cara diferente ao reggae de costume visto nos outros cds. De quebra, surpreendeu cantando em inglês na música “I Can’t Say” – lembrando muito os versos de Bob Marley de quando havia uma segunda voz que repetia ou trazia uma frase a mais entre os versos do refrão da música. Em entrevista para o site “Último Segundo”, Armandinho contou que as músicas ultrapassam o cenário nacional e que são conhecidas também por turistas da América Latina. “Os argentinos, por exemplo, estão muito presentes aqui no Sul, por isso eles acabam escutando as rádios. Já recebi propostas para fazer show na Argentina, no Uruguai, no Paraguai, mas ainda não conseguimos fechar uma turnê que valesse a pena.” – diz Armandinho.

- Links Sobre o Armandinho

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Scoop - O Grande Furo

Segunda-feira tranqüila. Nada de filmes da Rede Globo, mas um ataque às locadoras para ver os últimos lançamentos. Um ataque de balde! Pretendia. Frustrei-me. Cheguei tarde, culpa minha. Poucos filmes. Olhei, selecionei, li sinopses e nada que me agradasse. Filmes de terror em quantidade – já assisti a praticamente todos. Poucos de ação, fracos, apenas "Missão Impossível III" com seus efeitos mirabolantes. Apenas um filme nacional: "Zuzu Angel", dirigido por Sérgio Rezende. Para quem não conhece, recomendo. Nada de mais, nem de menos. Repleto de ditadura. Conta a história da famosa estilista dos anos 60 e de seu filho envolvido com movimentos estudantis. Relutei revê-lo. Parti para a última prateleira, praticamente vazia - afinal, segunda-feira só tem resto nas prateleiras. No canto inferior direito, ao lado de “Todo Mundo em Pânico 4”, li o título “Scoop – Um Grande Furo”. Na hora me veio: "- Tem dedo do Woody Allen aí." Dito e feito. Fui ler a sinopse – pequena e de certo modo instigante propositalmente para alugar o filme: “Nesta nova comédia contemporânea de Woody Allen, uma estudante de Jornalismo (Scarlett Johansson) visita amigos em Londres em busca do furo de reportagem, ela se depara com mágica, assassinato, mistério – o talvez amor, com um aristocrata britânico (Hugh Jackman).” Aqui está corrigida a reprodução do que diz na capa do filme, mas na prática, uma capa porca, cheia de erros de digitação e diagramação. Feia. Eu sou detalhista, assumo. Certamente cometo alguns erros de português e gafes neste blog, mas espera aí: na capa de um filme? Do Woody Allen? Pulemos os detalhes, vamos para o filme...

Uma comédinha mixuruca. Achei vários erros de continuidade e cenas repetidas para os inserts. Mesmo assim, tem um enredo bom encharcado de falas do personagem de Allen, que dão ânsia pela velocidade com que ele fala nas cenas em que aparece – co-protagonista da comédia que tem o pano de fundo Londres. O lado positivo da minha análise de “Scoop – O Grande Furo” veio na história em si. A queridinha da Scarlet Johansson é uma repórter de talento: linda e malandra. Usou o corpo para conseguir o que queria. Feio novamente. Malandragem em demasia é aceitável para se conseguir dados, informações, fontes, pistas, enfim. Pena que nada na cabeça na hora de segurar os instintos – já puxei para o lado jornalístico da história. Óbvio que não vou contar o final da história. Porém, digo que ela começa a amadurecer na metade do filme. Ela finge de passar por uma pessoa e é outra. Assim como Allen faz também, passando-se por pai da guria. Ela, estudante de jornalismo com grande ressentimento de não ter entrado na faculdade de odontologia.

Toda a história do filme se baseia na morte de um famoso jornalista (Ian McShane). Ele, ao morrer, vai para um barco da morte – certamente criado pelas idéias insanas de Woody. Ao chegar ao barco encontra a secretária do aristocrata Peter (Hugh Jackman) que dá informações sobre o estranho comportamento de Peter, dando indícios que ele seria o serial killer que estava sendo procurado em Londres por matar mulheres brancas, de cabelos pretos e curtos, se baseando nas cartas de Tarot. Como havia morrido, pula do barco e usa artifícios para driblar a morte e chegar até a guria e também ao mágico. Repassa pistas, dá informações e palpites. Um editor-chefe com fontes primárias e secundárias.

A história de “Scoop - O Grande Furo” é um espelho do comportamento de certos jornalistas. Com certeza, um reflexo das histórias do dia-a-dia, que bons e maus jornalistas já devem ter passado - sem assombrações de mortos, acredito eu. Para um filme de segunda-feira, recomendo. Indico especialmente para estudantes de jornalismo para aprenderem certos truques e desprezarem algumas táticas. Nota oito e já passei a régua meu guri!

O Jornalista e a Economia

“... por que existe o desemprego? O que causa a inflação do nosso país? Por que há tanta miséria no mundo se o homem consegue produzir cada vez mais riquezas com a tecnologia que avança a cada dia? Por que o povo brasileiro é tão pobre se tem uma natureza repleta de riquezas naturais?” Eis a questão!

Pudera começar uma relação, traçar parâmetros entre o Jornalismo e a Economia sem tentar ao menos compreender essas afirmações que são tão aparentes no cotidiano das pessoas. Por um lado, como um futuro comunicador, vejo essa relação muito próxima, independente que seja um tanto quanto complicado para nós que lidamos tão bem com a interpretação e com o jogo de palavras, tentarmos colocar dentro da nossa didática, os tão temidos números e relações econômicas. Já por outra visão, é imprescindível absorver esse conteúdo de números e jogos interpretativos para podermos passar a mensagem à nossos receptores.
A importância da relação do jornalismo com a economia pode ser expressamente evidenciada a partir do ponto que a verdade jornalística é sempre transmitida – ou deveria –, com valores morais e éticos. Um bom jornalista, um jornalista ético passa a notícia tal como ela é aproximando o conteúdo da sua notícia à cultura do grupo social pretendido.

A economia, dentro do jornalismo econômico, nada mais seria que o tema central de sua meta, ou seja, repassar da melhor maneira possível aos seus receptores os fatos esmiuçados para um melhor entendimento, visto que tal tema, na quase totalidade das vezes, é formulado em um outro nível de saber, o saber das teorias econômicas representadas por números, índices, porcentagens e afins.

Um dos problemas centrais do jornalista dedicado à economia, seria a precariedade das teorias econômicas, divididas em grande número de escola de pensamento, manuseadas por instrumentos de persuasão ideológica, acabam deixando o profissional que as pesquisa cada vez mais distante do seu foco: o próprio homem.

Outro fato que integra e ressalta a importância de relação entre o jornalismo e a economia é a linguagem da qual o profissional da área se utiliza para passar as informações. Desde clareza a entendimento, a partir da complexidade dos números e situações da economia, um jornalista pode se possuir de um linguajar simples e objetivo. Por exemplo, ao invés de explicar que PIB (Produto Interno Bruto) é o valor de toda a produção de bens e serviços conotados das ocorridas ações dentro das fronteiras do país, sem considerar a nacionalidade dos que se apropriam de rendas, porque não dizer que PIB é simplesmente o valor de toda a produção do pais? É simples ser objetivo. É saber interpretar tais conceitos e, com clareza e objetividade, passá-los a diante, aos nossos receptores ou futuros receptores.

Além de traçar uma relação com o jornalismo, tais relações e parâmetros se afunilam quando levamos em consideração a nossa formação estudantil e profissional, visto que vivemos em um país onde a média geral não passa das séries fundamentais, é necessário compreender que tal conhecimento de economia também serve como lição de vida. Pois, para entendermos, quando assistimos a televisão nos comunicar índices, gráficos e porcentagens é necessário termos uma bagagem para possível interpretação da situação em que se encontra o país.

À luz da possível interpretação dos fatos econômicos torna-se um pouco mais fácil responder às questões colocadas no enunciado inicial do texto. Com base em algumas teorias lidas, diria que a situação atual em que se encontra o Brasil, poderia ser por conseqüência de raízes históricas, como por exemplo, desde a época do ouro, do mercantilismo, onde o rei acumulava grandes quantias para ter o direito do poder, da riqueza e também o direito de lutar. Esse pensamento, se relacionarmos com a atualidade, veremos que há grande ligação. Aqui, em nosso país, os comerciantes e até o próprio governo não conseguem operar em regime de competição e acabam considerando o ato da venda ou o ato de cobrar impostos, no caso do governo, como uma oportunidade de enganar o comprador e a partir desse método, um pouco da desigualdade pode ser explicada.

Creio que é supra necessário e importante a relação que há entre o jornalismo e a economia. Ambos convivem lado a lado em uma disputa por números e índices incessantes. Como um futuro jornalista, não cogito a possibilidade de ir parar no ramo dos números, das interpretações numéricas, mas farei a minha parte com relação a dar luz, levar em si a melhor interpretação a quem precisar de uma ajuda na hora de compreender melhor esses termos da ciência econômica. Tenho ciência, como brasileiro racional, de que a situação é extremamente complicada para o lado do nosso país, mas tenho, como identidade grupal desse mesmo Brasil, a esperança de que teremos um futuro mais tranqüilo independente das dificuldades. A resposta para a questão, não basta mais apenas olharmos a situação atual, temos é que ser racionais e a partir dos nossos insumos, investimentos e custos de oportunidades pessoais, fazermos a nossa parte para garantir o nosso lado. Trabalho e esperança redobrada. Essa é a questão.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Mais Uma Despedida

Sempre tentei compreender o significado de uma família. Casa cheia, churrasco no final de semana, jantas aleatórias para ter o pretexto de juntá-la, campeonatos de pontinho, enfim. Só que sempre faltou uma pessoa. Não falo das pessoas que me deixaram indo para o outro lado ou de parentes “móveis”. Falo é de um animal de estimação, não um passarinho ou uma tartaruga; um cachorro.

Os cachorros são amigos do homem. Ninguém vai contra isso, porque eles realmente são companheiros e fiéis. Os pais vão para o trabalho, as crianças para a escola e amiguinhos ficam ali, esperando, roendo um brinquedinho ou tirando uma soneca gostosa na espera do retorno de seus donos, dos seus parentes.

Desde pequeno sempre quis ter um cãozinho. Meu pai também. Ele não tivera também um cachorro quando pequeno. Tinha o mesmo desejo que eu – talvez até maior devido ao tempo de espera para ter um. Morava em um apartamento, grande até, mas inadequado para ter um. Tapete no piso e pequena área apta para as necessidades de um animal, mesmo que ele fosse minúsculo. Depois disso, quando fiz nove anos, eu e meus pais mudamos para uma casa, gigante! Oportunidade perfeita para termos nossos novos amigos de quatro patas. Eu pretendia ter um basset hound e meu pai um pastor belga, capa preta. Porém, muitos problemas começaram a surgir na nossa família, entre eles a perda do meu pai.

Traumático. Sonhos sendo realizados depois um tempo. Perdas sendo absorvidas. Que dor no peito, que nervosismo. Ninguém para desopilar ou poder desabafar. Amigos, poucos e bons, mas não o sonhado cachorrinho para me ajudar a superar aquele momento. Tios, tias, avô e avós, ninguém e nem nada conseguiu me colocar para cima. Foi aí que surgiu o sagrado futsal para amenizar a minha dor e superar as perdas.

Em 2001, consegui comprar um cachorrinho. Escondido. Ninguém sabia, muito menos minha mãe. Um cocker spainel macho. O chamei de Dick. Era teimoso, mas muito dócil. Problema: já morava em outro apartamento novamente. Entre roídas e caguinhas pela casa, ele se adaptou ao apartamento e depois à casa de praia no período das férias de verão. Depois de alguns meses, no lugar dos seus pulos de canguru de felicidade, apenas tristeza. Fiz questão de não vê-lo naquela situação. Elegi minha mãe para levá-lo no veterinário – talvez uma fuga da minha parte por mais perdas que pudesse vir acontecer – para diagnosticar o que estava o deixando tão quieto. Passada uma semana, ele morreria de parvovirose, de repente. Mais uma perda na minha vida. Pouco tempo de convívio, mas um apego muito forte. É relação homem x animal que se fortalecia de maneira rápida e pura.

O tempo passou e eu sofria calado. Sempre que via um cachorrinho cheirando as árvores aqui da casa da praia procurava alguma coisa para alimentá-los. Um restinho do almoço ou até o meu bife da janta. Foi assim que amadureci, tentando dar carinho a algo que aprendi a dar muito valor. Às vezes, os cachorros dos meus amigos – com o perdão da ambigüidade – eram mais paparicados do que eles próprios. (Nesse momento uma amiga me liga) Carinhos, brinquedinhos e até uma casinha de madeira feita com aquelas madeiras de caixas de frutas das feiras de rua. Atacava até de carpinteiro para fazer o bem ao próximo.

Já no verão de 2006, teimei de novo. Ganhei um filhotinho de dashound com vira-lata (S.R.D.), preto com branco, de uma amiga. Foi só alegria. Dormia no meu quarto, enrolado numa camiseta velha que usava de pijama. Lá pela madrugada, começava com chorinhos e rosnados. Lá ia o Seu Marquinhos sentar no chão do quarto para ficar brincando de bola com o pequeno. Ah, o nome? Tuxo! Não sei da onde saiu esse nome! Talvez do meio-campo do Criciúma da temporada 2006. Passado um mês, minha mãe não agüentou os choramingos do filhote - talvez por causa de seu sono leve ou medo de perder mais um filhote – e junto com uma outra pessoa, acabou achando um novo dono para ele. Segundo notícias e fotos recebidas, ele vive bem, gordinho, saudável ao lado de seu irmão de sangue, um outro pequeno orelhudinho.

Quem disse que eu não tentaria novamente? Dessa vez veio uma fêmea: a “Indefinida”. Teimei. Comprei um filhote de dashound, número um. Uma fêmea. A coisa mais querida! E aquele ritual de “paizão”, que acordava de madrugada para fazer um afago ou dar uma brincadinha, começara de novo. As pessoas aqui de casa a tratavam como princesa. Compridinha, fazendo jus à raça apelidada de “lingüiça”. Virou colorada (de Porto Alegre) por minha vontade, mas me salvo nisto: seu primeiro latido fora em uma partida do Internacional de Porto Alegre contra o Internacional de Santa Maria. Gol do Iarley, o número dez do colorado da capital. Foi uma surpresa. Nem vi o replay do gol, fiquei comemorando com ela, como se o gol tivesse sido dela. Que alegria... que em breve se transformaria em mais perda. Porém, desta vez, uma perda consentida pela razão.

Hoje, dia 27 de janeiro de 2008, por volta das 16h horas, depois de boas conversas com minha mãe, decidimos que não haveria condições de ter um cachorro como animal de estimação. Vários motivos. A saúde de minha avó, compromissos diários, eu ausente devido à faculdade e trabalhos morando em outra cidade, enfim. Eu haveria de dar tchau ou adeus e dar a cadelinha a alguém. Liguei para duas amigas que tinham se apaixonado pela “Indefinida” – não deu tempo de dar um nome – para ver se haveria disponibilidade de aceitarem a minha “filha” já que moram em casas. Não me atenderam. Uma delas, a Fernanda, aquela amiga citada acima na hora da ligação. Tarde demais. Eu já tinha ido até a casa da Dona Maria, no Parque São Pedro, entregar a pequena. Chegou pesando 1,430kg. Foi-se com 1,986kg, coincidentemente o ano que nasci.

Foi a minha última experiência em ter cachorros como animais de estimação. Teimei, fui feliz novamente. Chorei, mas aprendi. Uma vez tudo bem, duas até vai e como três é demais, resolvi que não vou repetir isso, mas com uma condição: até ter uma casa e ter a minha família. Nem que isso demore anos e anos, vou continuar dando comida para os meus visitantes de porta e construindo casinhas com madeiras de caixas de frutas. Isso me faz bem. Quem sabe até lá eu não queira ter um pastor belga capa preta e meu filho um basset? Só o tempo e Deus dirão...

“Guarda as lembranças dos momentos que vivemos juntos. Leva contigo o meu sorriso ao te ver bocejando e balançando o rabo em plena madrugada. Não esquece do teu primeiro latido, quando o nosso colorado fez aquele gol. Não esquece dos chinelos cheios de pedrinhas e do colos das bisas. Pensa nos carinhos da Fernanda e da Bruna quando estiveres triste. E que sejas feliz, muito, na tua nova morada!”

sábado, 26 de janeiro de 2008

A Estréia na Copa RBS


O melhor resultado não veio na primeira partida. Placar final: 6 a 1. Uma derrota aceitável. Três gols entregues pelo forte vento da beira da Praia do Cassino. E os outros por falta de entrosamento do time e boa competência do adversário. O gol do Planeta foi marcado pelo agora zagueiro Vinícius "Pinto" com um golaço de falta no ângulo. Ao menos uma jogada elástica já que o resultado foi negativo. Um time de amigos jogando contra o qualificado time da Sul Marcas/Mendes Assessoria que entrou em campo com bons nomes do futebol de Rio Grande: o goleiro Ciro (ex-Rio Grande) e o centroavante Flávio Leonetti (ex-São Paulo) - que abriu o placar do jogo com um belo gol de letra. Valeu Planeta pelo esforço e ao Sul Marcas/Mendes Assessoria pelo jogo limpo. O próximo compromisso do nosso time é quarta-feira, às 22h, contra o time do São Caetano, que derrotou o time do Mano Lanches pelo placar de 6 a 3 neste final de semana.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Planeta Esporte Solidário


Planeta Esporte Solidário. É este o nome de um projeto experimental, oriundo da faculdade, que se tornará realidade amanhã, às 20h, na Arena Esportiva da Praia do Cassino, atrás da Iemanjá, pela segunda rodada da Copa RBS de Beach Soccer. Este projeto tem a pretensão de recolher alimentos para as famílias carentes de Rio Grande. O plano principal é a solidariedade. Junto disso, unir um grupo amigos para fazer o que se gosta: jogar futebol.

Na quadra de futsal, no campo de 11 ou 7 e até na areia, todos sempre comemoraram gols, cumprimentaram-se por jogadas bonitas e lances elásticos. A partir de agora, todos eles continuarão fazendo as mesmas coisas – quem sabe até com um pouco mais de habilidade – mas, com um incentivo a mais: ajudar o próximo através do prazer pela prática do esporte.

Ninguém é craque de bola. Longe de ser um Kaká e bem menos que o Fabiano “Cachaça”. O que irá prevalecer não é o resultado dos jogos e sim o prazer de estar entre amigos realizando uma ação beneficente. Tudo bem que estamos em um campeonato e o importante é competir, mas bem que podíamos ter lances elásticos ou apenas uns “golinhos” para não fazer feio, hein? Tudo está em nossos pés e nas mãos dos nossos goleiros.

A Copa RBS de Beach Soccer não tem nenhum caráter filantrópico e não possui ligação com este projeto. Ela apenas servirá para o treinamento do time, que a partir de abril de 2008, realizará eventos promocionais com times adversários da cidade – de times campeões em outros campeonatos citadinos, times locais e seleções de escolas públicas e privadas.

O P.E.S. terá mobilidade quanto a seus integrantes. Os jogadores participarão de acordo com suas disponibilidades de horário. O grupo deste verão para a disputa da Copa RBS é o seguinte: Goleiros: Jorge e George; Zagueiros: Eric, Vinícius “Pinto” e Christian “Cachorro”; Meio-Campo: Matheus Costenaro, Lucas Schuch e Giancarlo; Atacantes: Marcos e Paulo “Grall”.

A partida de estréia do Planeta será amanhã contra a equipe da Sul Marcas/Mendes Assessoria. O foco principal do projeto ainda não estará valendo, mas quem sabe você não faz a diferença e já contribui? Se não com um alimento não-perecível, com a sua torcida?


P.s.: Obrigado ao Tio Gustavo do Brik Fest e ao Tio Mauro da MQ Bello pelo patrocínio;

P.s.2: E obrigado a você que não quis ler o post e veio direto para o fim. Um resuminho de hoje logo abaixo:


- Resumo do Post:

Este é o uniforme do Planeta Esporte Solidário. Um time de amigos que resolveu fazer como o Ronaldinho e o Zidane fazem lá pela Europa em “Amigos do Ronaldinho” contra “Amigos do Zidane”. Não recolhemos nenhum dinheiro. Apenas alimentos não-perecíveis. Sim, estamos metidos em uma Copa de Beach Soccer que não é a nossa praia – jogamos apenas futsal. Estamos seguindo o lema “o importante é competir”, mas somos exceção porque queremos ao menos ganhar uma partida ou perder por poucos gols sofridos. Invejou? Faz igual, ou melhor. De preferência melhor, porque este projeto é um gesto solidário. Quem irá lucrar não somos nós, os invejados ou os invejosos e sim o planeta, seu cururu! Um abra pra ti! _o/

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

A Internetzinha Que Faz Sucesso

Nunca foi tão fácil ter acesso a uma quantidade exorbitante de informações de todos os meios culturais de fontes tão diferentes desde a sua criação. A Internet está modificando de forma extremamente rápida como as pessoas se relacionam, compram, aprendem, criam e até mesmo fazem sexo. É por essas e por outras, que esse crescimento avassalador se dá como a mais do que nunca temida: revolução da informação.

É difícil precisar quando essa transformação veio a se estabelecer. Se foi com a expansão diária dos microcomputadores ou com o surgimento acoplado de um navegador junto ao sistema operacional Windows. O fato é que isto é o menos lembrado por todos que a usam diariamente pois são várias novidades a cada nova quinzena.

Os fenômenos do momento que mais fazem sucesso na cabeça dos usuários das mais diferentes faixas etárias, como: o fotolog - página com a possibilidade dos usuários comentarem a sua foto, e várias redes sociais que viraram a sensação do momento. Como por exemplo, a mais famosa rede social online: o "orkut". Uma página que funciona com o intuito de conectar pessoas e estas participarem de comunidades que compartilhem os seus interesses. E por último o "MSN Messenger", produto da Microsoft, que chegou com força total para a comunicação online se tornar uma febre. Já que possuí ferramentas muito completas para a comunicação de webcam, áudio e escrita moderna e rápida.

O mais intrigante de todas essas novidades que fazem a cabeça dos usuários, é se essas facilidades de reconhecimento online são benéficas ou maléficas, a partir de que as pessoas distribuem suas informações sem ao menos levar em conta a sua privacidade. A Internet veio a completar com estas novidades, todo o espaço de carência que fazia a solidão tomar conta do espaço destas pessoas, que na maioria das vezes, vieram a usá-la para acalentar toda essa falta de contato que as tornava tímidas.

Uma das mais importantes conquistas desta revolução da informação é o fato das pessoas se encontrarem e trocarem experiências, contar os fatos do dia-a-dia e sendo assim, numa troca mútua de valores e ditos, passar um pouco de carinho e realidade para a outra. Porém, é necessário saber até que ponto é necessário se expôr em fotos, dados e conversas pela web à fora. Pois além de ter a possibilidade de ficar "mal-falado" - termo usado por muitos atualmente, a dimensão disto pode ocasionar muitas perdas e danos, tanto morais como materiais.

O necessário a ser visto com essa grande revolução da informação, é que além de todos os bens do dia-a-dia que essa internetzinha pode trazer, a lição que fica, é a necessidade de conseguir manter todas as nossas idéias, os nossos pontos de vista e todas as escolhas a cada "enter" a ser apertado. Porque a vida não é só em frente a um monitor, é lá fora, no dia-a-dia, no contato com as pessoas, usando as coisas mais simples em busca de uma conexão segura de felicidade e de amor.


* Texto publicado em Setembro de 2006 no site-projeto "Suricato".

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Lar Novo Lar


Ela é pequenininha. Cabe na palma da minha mão. Pesa menos de 1,5kg. Precisos 1,436kg. Mas quando come, deve chegar aos 2kg. É uma gordinha. Gulosa como o dono e como as bisas dela. Chegou mais uma integrante para a família Leivas. Esta é a “Indefinida”. Sim, ela está sem nome ainda por falta de consenso. Ainda a confundem por “ele”, talvez por causa do Dick, um cocker spainel, que morreu faz cinco anos. É uma dashound miniatura, número um de três escalas. Espero que ela traga alegria e muita união para nós. Por enquanto, só come e dorme, dorme e come! Bem-vinda ao teu lar, o teu novo lar.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Bobo Amor - Volume II


Um bobo amor não é um tipo de amor pequeno ou grande; aceitável ou descartável. Amor bobo é simplesmente a magnitude do próprio sentimento representado a partir de pequenos gestos de lembrança ou de carinho. De certo modo supérfluos. Um plus. Nenhuma relação sobrevive sem um bobo amor. Aqueles apelidos bobinhos, meigos para o casal, ridículos para quem os escuta. Um presentinho de surpresa. Uma mensagem de texto no meio da correria do trabalho, enfim. É bonito! Chega a ser sublime a maneira que um casal se relaciona. Porém, além da bobice, entende-se que a base de um relacionamento é o diálogo. E nesse ponto, a comunicação necessita ser interpessoal – que ambos participem ativamente da conversa – para construir um denominante comum entre o casal.

Há dias atrás estava eu parado na fila de um supermercado enquanto um casal a minha frente aproveitava a fila do caixa para fazer um famoso “D.R.”. O nome dele era Paulo e o dela não sei por que ele não teve oportunidade de dizer o nome dela durante uns dez minutos de conversa, ou melhor, um monólogo da esposa. Ele até tentara ser carinhoso a chamando de “amor”, “querida”, mas sem nenhum resultado. Em filas de mercados, bancos ou qualquer aglorameração, sempre há um assunto rolando para fazer passar o tempo. Inacreditavelmente neste dia, toda a fila foi parando simultaneamente para escutar o que a tal mulher dizia para o marido, o pobre Paulo. Quem ainda não estava prestando atenção, procurava cutucar o outro ou apenas olhar para que o próximo pudesse focar o murmurinho crescente do casal.

- Paulo, vamos conferir a lista!
- Paulo! Presta atenção em mim, por favor?
- Paulo, eu estou falando contigo! Larga essa revista e olha para mim!
- Fala querida, eu estou te ouvindo!

Nesse momento a esposa puxa a revista com um gadunhão seco e a coloca na prateleira. O marido, totalmente envergonhado apenas a olha com olhar de fúria controlada. Provavelmente ela tomara as rédeas em casa. Desde o dinheiro até a programação de televisão das crianças. Momentos a seguir, depois de respirar um pouco e aliviar a tensão que o tomara conta, Paulo tentou começar mais um diálogo:

- Mas amor, eu estava te ouvindo, para que fazer isso?
- Não estavas! Te chamei três vezes e o máximo que fizesses foi um “hãm”!
- Então! Eu estava te ouvindo, só não queria perder o fio da meada da reportagem sobre o Clinton.
- Eu te pedi para conferir a lista do super junto comigo e preferisses ficar lendo uma revista besta que só fala da vida dos outros. Ainda mais desse ex-presidente americano tarado que assediou a Mônica Lewinski.
- Não é bem as...
- Eu estou falando. Eu sei bem o que ele fez e pelo jeito deves ser como ele. Enquanto estou trabalhando, estás de segredinhos e agarrando a Marise, a tua secretaria.
- O que é isso, amor?
- Eu sei muito bem quando chegas em casa com aquele sorrisinho no rosto querendo alguma coisa. É porque aprontasses alguma coisa e queres o meu perdão, mesmo sem eu saber. É um tipo de redenção, só pode!
- Pelo amor de Deus, fala mais baixo! Os outros não precisam ouvir as tuas maluquices.
- Maluquices? Eu tenho certeza das coisas que aprontas! Até hoje não entendi aquela viagem repentina a Porto Alegre. Negócios. Humpf! Só se for negócio com uma loira de 1,70m de altura, olhos verdes e bunda grande. Eu te conheço Paulo! Não é de hoje! Desde os tempos da faculdade eu já te via esticar um olho para a Rosane e para a Aninha. Sem contar no dia que te peguei conversando com a Aninha enquanto tinha ido ao banheiro. Tu és um sem-vergonha!

E o diálogo não parou por aí. Dava pena de ver. O Paulo sem acreditar em uma palavra que a mulher estava dizendo. (Vamos dar aqui o pseudônimo de “Maria”, para ao menos a dita cuja ter um nome) Com os olhos marejados, escondidos por aqueles óculos de advogado, com forte grau ótico e com as mãos apertadas segurando no braço do carrinho de compras. Todos os olhavam. Até uma criança que tentara brincar com uma embalagem de salgadinhos, daquelas prateleiras na boca do caixa, ficara os olhando sem entender nada. De certo achando aquilo atrativo pelo volume que a Maria gritara em pleno supermercado. Na cabeça de Paulo só passara um pensamento: “- Cala a boca mulher!” E foi o que fez. Ou melhor, tentou fazer de forma ainda meiga:

- Amor, por favor! Estão todos olhando! Vamos pagar as contas e depois resolvemos isso em casa! Tu estás nervosa ou estressada por causa do trabalho e ficas inventando essas sandices como se eu fosse o culpado por teres perdido o caso dos Bittencourt.
- Como é que é? Eu perdi o caso dos Bittencourt? Tu estás louco?
- Era o que dizia aquela carta em cima da mesinha da sala, debaixo do controle remoto do dvd.
- Qual carta? Não chegou carta nenhuma ainda com a resposta do julgamento do caso. A menos que tu tenhas aberto... (o volume da voz de Maria aumenta) Andasses mexendo nas minhas coisas? Quem te deu permissão para isso? Combinamos uma vez que nunca mexeríamos um nas coisas de trabalho do outro, a menos que o outro deixasse ou mostrasse. Tu és um ridículo!
- Eu não abri nada!
- Abrisse sim! É bem a tua cara! Não sei como que ainda ganhas os teus casos. Provavelmente mentes a reveria para os juízes. Deves encobrir toda a verdade com as tuas mentirinhas deslavadas.
- Eu não abri nada! Cheguei em casa e a carta estava debaixo do controle. Provavelmente tenha sido a Letícia que abriu ou o Paulo Roberto.
- Tu achas que duas crianças de cinco e de oito anos vão abrir correspondências? Eles não são metidos e curiosos como o pai deles.
- Me respeita! Eu nunca mexi nas tuas coisas e agora vens me dizer que andei abrindo tuas coisas de trabalho? Pelo amor de Deus!

Paulo tentara se defender com frases curtas, já que o diálogo parecia mais um monólogo por parte da Maria. Um misto de estresse e nervosismo em pessoa que acabara com qualquer clima de final de semana na praia. Uma ótima advogada. Talvez boa. Ou apenas competente – devido a causa perdida no caso Bittencourt. Porém, uma ótima mãe, assim como ela diz:

- Enquanto estás na natação, onde é que eu fico? Em casa! Cuidando do Paulinho e da Letícia. Ajudando eles a fazerem a lição de casa. Dou banho, dou janta, brinco e ainda sobra tempo para te esperar com a janta pronta!
- Isso é uma vez só na semana. Nos outros dias quem é que fica em casa? Eu! Enquanto vais para a tua yôga eu faço tudo isso que acabasses de dizer!
- Que engraçado, não é o que as crianças me disseram. São pequenos mas não são burros quanto o pai. Mexem naquele computador melhor do que tu!
- E o que tem o computador? Enquanto eles brincam na sala, eu fico analisando os processos e preparando as defesas.
- Agora é moda no orkut também ficar analisando processos? O Paulinho me disse que ficas olhando fotos e fotos naquele “programinha de tela azul” cheio de fotinhos pequenas, que quando se clica nelas, abre um monte de coisa, inclusive fotos. E de mulher!
- É proibido entrar no orkut? Tens o teu e eu nem dou bola.
- Claro que não dás bola. Tens a Marise ao vivo e a cores. Para que vais olhar o meu orkut?

A conversa parou por ai. Ao menos Paulo se recusara a responder qualquer outra pergunta que Maria o fizesse. Talvez para fugir dos devaneios da esposa, começara a juntar os produtos em ordem, por setores, assim como ela gostara. Porém, infelizmente, a metralhadora de perguntas enlouquecidas não parava...

- Será possível tu me responderes o que eu estou te perguntando?

(Nesse momento, a fila deu uma boa andada e Paulo levava os carrinhos das compras mais adiante)

- Podes falar comigo ou fica difícil? Estás fugindo de alguma coisa? Eu só quero conversar contigo!
- Conversamos em casa, pode ser? Eu simplesmente não fiz nada e estás inventando “mileuma” coisas sobre mim. Quando chegarmos em casa, ok?
- Visse só? Nunca queres conversa comigo! Eu tento fazer a gente se entender no pouco tempo que passamos juntos e ficas empurrando toda a culpa para mim.

Paulo pensara que tal reação de Maria só pudesse ser obra do temido e famoso tpm. Ela era jovem, provavelmente longe dos 35 anos. Morena, cabelos no meio das costas, magra, talvez uns 60kg. De altura mediana, por volta dos 1,65m. Olhos castanhos e vários anéis nas mãos – que gesticulavam a cada pergunta. Analisando assim, Paulo estava bem acompanhado, a mãe de seus dois filhos estava no ponto. Mas naquele momento, mais no ponto de ebulição:

- Eu vou embora para o carro, me dá a chave! Pagas essas coisas e não demora! Me dá a chave!

O marido foi simplesmente seco, ríspido:

- Toma.
- Para que me tratar desse jeito? Porque me respondes assim? Vais ter que me escutar quando chegarmos em casa. Eu quero conversar!

E lá se foi a balzaquia, passos rápidos e curtos por causa do salto alto. Com seu vestido preto na altura dos joelhos, com a bolsa em punho e a chave na outra mão, a sacudindo como se fosse um chocalho. Todos a olhavam. Não pelo seu feitio feminino, mas pelo seu comportamento fora do normal em pleno local público. Filas de supermercado não são os melhores lugares para se discutir uma relação. Quem está atrás ou na frente, de certa forma, fica sabendo de tudo o que acontece na vida do outro. Não é fila de bebedouro. É a fila da paciência.

Enquanto Maria se dirigira ao carro, Paulo esperava a vez no caixa amargando não só a fila, mas os olhares desconfiados e sestrosos das pessoas na fila. Envergonhado, baixou a cabeça e tentara se distrair somando os preços dos produtos dos carrinhos com a calculadora do celular e soprando as contas:

- R$34,55 mais dois de R$5,84...
- R$46,23 mais um fardo de Coca... Quanto? Oito vezes R$2,59... R$20,72...

- “Próximo!” – chamava a atendente do caixa.

Paulo continuara com a cabeça fincada nos carrinhos fazendo contas:

- R$20,72 mais R$46,23 igual a R$66,95...
- R$66,95 mais duas massas de R$1,34 mais...

- “Pró-xi-mo!” – soletrava praticamente a atendente, até que um senhor que estava atrás dele e na minha frente o cutucou e o acordou daquela fuga dos preços:

- Amigo, é a sua vez!

Ele nem olhara, apenas agradecera de cabeça baixa:

- Obrigado...

O resultado das compras ultrapassou os R$ 500 reais. O da conversa, só Deus sabe. Quem sabe era necessário que ele a entendesse. Também que ela ponderasse a falta de atenção dele enquanto ele lia uma revista depois de um dia de trabalho. O bobo amor se manifesta em pequenos momentos, em gestos minúsculos. Ele lembrara da organização dos produtos dentro dos carrinhos, “por setores”. Já ela, de ficar com as crianças enquanto ele nadava. Nem sempre o amor bobinho vai superar um “D.R.”. Ainda mais um tpm. Mas é preciso conservá-lo e mantê-lo. Até porque um relacionamento não é uma fila de supermercado esperando a hora da atendente com voz de aeromoça dizer com um lindo sorriso estampado no rosto:

- “O próximo, por favor!”